#day310 out of 365plus1 

A Depressão?

A Depressão é a visita não programada à Feira Popular com entrada imediata no carrossel que mistura a montanha russa com o comboio fantasma. Mesmo que não se tenha comprado bilhete, não há como escapar da viagem.

Começa com a inquietação e a ansiedade da antecipação. Entra-se de mansinho nos corredores sem cor do comboio fantasma para de imediato descer vertiginosamente na montanha russa sem sequer ter chegado a subir.

É o frio na barriga, sempre o escuro dos corredores sem cor, as curvas deitadas a alta velocidade, o ar que falta no loop de cabeça para baixo e descer, descer, descer.

Por momentos um pouco de luz, de cor, de euforia da subida rápida para logo de seguida voltar a mergulhar no vazio da escuridão dos corredores. Que assustam pelo vazio, pela escuridão, pelo desconhecido.

É deixar o comboio fantasma para trás e seguir devagar, sempre no carrossel sem moedas, perdendo força pelo caminho, perdendo impulso, quase ficar parada nos carris e querer simplesmente ficar por ali, quieta, sossegada. Também não há cor ali, tudo é escuro, pouco nítido, desfocado. Pelas lágrimas ou simplesmente pela visão alterada da realidade. E ir descendo devagar, quase sem dar por isso, descendo, descendo, descendo.

Há estímulos exteriores, a espaços. Que estão do lado de fora do carrossel comboio fantasma montanha russa, daqueles sem moedas e onde é fácil entrar mas tão difícil sair. Há, a espaços, luz e cor e mãos que nos tocam e nos puxam e nos acolhem e aconchegam. E, nessa altura, a adrenalina de ter escapado, ainda que por momentos, ao carrossel comboio fantasma montanha russa é alta e traz a euforia e o riso fácil e a gargalhada alta numa ilusão de que a viagem terminou quando, na verdade, nunca parou e logo ali, logo ali a seguir à euforia novamente a curva deitada a alta velocidade, a vertigem da descida, o grito contido do medo ao perceber que é uma viagem que não quero, não quero, não quero mas da qual não consigo sair sozinha.

O medo. Do carrossel comboio fantasma montanha russa que não precisa de moedas na Feira Popular onde entrei sem dar conta e de onde não consigo sair.

Sim, a Depressão é tudo isto. É o grito da euforia da subida, é o grito do medo da descida, é o grito da adrenalina da aparente saída que não passa de uma pausa. E é o silêncio. E é a falta de luz e cor nos corredores.

Sim, a Depressão também é isto. Um isto que ainda não conhecia. E que, sei, não quero para mim. Mas sei, também, que não sei como sair deste carrossel comboio fantasma montanha russa que não precisa de moedas. Muito menos sozinha…

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