{#página15} 

“Uma das tuas maiores dificuldades é lidar com a perda, não é?” 

A perda. Seja ela de que forma for. Não sei lidar com a perda, com a ausência. Não sei gerir o vazio que fica. Não sei reorganizar o espaço e o tempo que me ficam. 

Aceito que “a vida é sempre a perder” como se canta por aí. E aceito melhor aquela perda definitiva, sem possibilidade de regresso, do que a perda da ausência, da distância, de caminhos que se separam porque algo ficou por resolver. 

A perda. Os assuntos mal resolvidos. Ou nem sequer resolvidos, nem bem ou mal. Não sei lidar nem com um nem com outro. Mais facilmente enfrento e tento resolver. Mais facilmente aceito que o Tempo trace rumos e caminhos distintos. 

Não, não sei lidar com a perda. Mesmo que, desta vez, auto-imposta. E com todas as outras perdas que levaram a esta auto-imposição. 

Mais uma vez, cansada. Da perda. Das perdas. E de não saber lidar com elas. Nem geri-las. Nem aceitá-las. 

{comentários}