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Riscar a pele. O arrepio da caneta. O arranhar do traço carregado. O não sentir nada quando tudo o que procuro é calar a dor. 

Riscar a pele. Tal como se riscam os erros que não se podem corrigir. Como se cobrem de riscos disformes para tentar camuflar o erro, querendo torná-lo imperceptível. Sabendo, sempre, onde ele está, vendo-o sempre no emaranhado de traços carregados. 

Riscar a pele. Porque o confronto com as paredes já não me chega. Já não me conforta. As paredes são frias, duras. O traço aquece, é moldável. Não, o confronto com as paredes já não me conforta. Como não me confortam as palavras. Que oiço, que aceito. Mas que não me acalmam. 

Falta o toque. Falta a pele. O calor. 

Riscar a pele. Solução ou parte do problema. Problema ou parte da solução. Não sei. Sei, sim, que é tão fácil. Tão simples.

Não. Não quero. Não quero essa estranha zona de conforto. Não quero a solução que é parte do problema, do problema que é parte da solução. 

Mas é tão fácil. 

Tão simples. 

Riscar a pele. 

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