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“Na minha opinião, sim, vale a pena, tu vales tudo.”

Não. Na minha opinião não valho tudo. Nem metade… 

“É o que a Depressão te faz sentir, não é fruto de ti.”

……não sei, já, onde termina a doença e começo eu. A doença… Doença. O peso do rótulo. O peso da palavra. Ou o peso da minha condição? 

Doença… Doente. Doente… Onde está, afinal, a fronteira entre o doente e a pessoa? Eu, doente. Eu, pessoa. Não há fronteira. Somos uma pessoa só. Eu, doente. Doente, eu. Eu… 

Quando é que é a Depressão a falar? Quando é que é a Depressão a sentir? Quando é que sou eu………? 

……quando é que tudo isto vai passar……? 

“esta caminhada que vale o mundo, o teu mundo.”

Não… Não sei… Vale? Estou cansada. Tão cansada… 

“Preciso que continues a lutar e a tentar.”

………não sei como continuar……… 

“Não vou deixar-te desistir. Eu acredito em ti.”

…não me deixem desistir. Por favor… Porque hoje, novamente, já não acredito em mim………… 

E não é justo passar por isto assim. Desta forma. Não, não percorro o caminho sozinha. Mas percorro-o sem o apoio, sem a presença, que me são devidos. E não, não é justo ver-me assim, novamente, sem força e com cada vez menos coragem para continuar. Não, não é justo. Nada disto é justo desde o primeiro dia! E não, não é justo ter que calar e aguentar sozinha porque alguém simplesmente não quer saber do estrago que fez! Não, não é justo ter que ser eu a reviver tudo sem poder questionar, partilhar, perguntar! 

“É injusto passares por isto sozinha.”

Nada disto é justo. Nada disto é, sequer, correcto. 

“Estarei sempre aqui para te ajudar.”

………………por favor, não me deixes desistir…………… 

“Tu vales tudo.”

…………não…não valho tudo. Nem metade, sequer………

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