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Um fim de semana. Um fim de semana apenas. Seria suficiente para fazer toda a diferença. 

Sem horários, sem pressas, sem pressões, sem preocupações que não apenas eu. Comigo. Com tempo, todo o tempo que o Tempo tem. 

Ritmo tranquilo. Lento porque sem pressa. Lento porque assim é o processo. De recuperação. De crescimento. De transformação. De entrega. De confiança. De reciprocidade. De dar e receber. Sobretudo receber. Talvez um pouco egoísta, mas receber. 

Um fim de semana. Um fim de semana apenas. Por não poder ser mais que o fim de semana. Porque lá fora ninguém espera por ninguém, ninguém espera por dias melhores de ninguém, porque há trabalho para fazer, horários para cumprir, rotinas para repetir. Sem tempo para perder Tempo. Mas sempre a perder Tempo. A adiar. Porque agora não dá, porque agora estou a trabalhar, porque agora está trânsito, porque agora chego tão tarde, porque agora o dia foi puxado, porque agora os outros primeiro, porque agora hoje é dia de consulta, porque agora está frio, porque agora está a chover, porque agora estou ocupada, porque agora, porque agora, porque agora. 

Quando? Quando eu? Não os outros. Não o trabalho. Não o trânsito, nem o frio, nem a chuva, nem já é tão tarde, nem o dia foi puxado. A consulta. Sim, dia de consulta é para mim. Por mim. Mas falta, nos outros dias, tudo aquilo que encontro ali uma vez por semana. Tudo e mais um pouco que não é dali, não é ali que encontro. De certa forma também é. Mas e o resto? E eu? 

Um fim de semana. Um fim de semana, não peço mais. Não posso pedir mais. Não posso querer mais. Um fim de semana apenas. Como um filme. Longa metragem sem intervalos nem pausas. Lento. Com todo o tempo que o Tempo pode ter num fim de semana. 2 dias. 2 noites. Eu. Apenas eu. Apenas por mim. Apenas para mim. 

Um fim de semana. Um fim de semana apenas. Um fim de semana. Terapêutico. Faria toda a diferença. 

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