Daily Archives: 14/03/2017

{#página73} 

Presença vs ausência. 

Há presentes ausentes. Mas aprende-se a lidar com essas presenças ausentes. 

E há ausentes presentes. Por um motivo ou outro, deixam de estar, nunca estiveram, nunca quiseram estar, não poderam ficar. Por um motivo ou outro são ausências sempre presentes. Com algumas dessas ausências aprende-se a lidar, a aceitar que já não é possível de outra forma. Ficam para sempre presentes, mesmo que para sempre ausentes. Outras ausências são-no porque não têm lugar para serem presentes, porque no tempo em que ainda eram presentes sempre foram ausentes. 

Existem, ainda, aquelas ausências que serão sempre presentes precisamente porque não o poderam ser. Presentes. Porque não eram para ser? Talvez… 

E depois há aquelas ausências auto-impostas e que, se calhar por isso mesmo, continuam demasiado presentes. Não, não posso dizer que essas me fazem falta. Na verdade não fazem. Não me são presenças saudáveis. Mas também não são ausências melhores… Não me fazem falta, mas sinto-lhes a ausência. Não, não vou voltar atrás. Não posso. E ainda a raiva. A frustração. O desalento. A desilusão. Não. Não vou voltar atrás. Mas ainda preciso de aprender a aceitar que esta ausência auto-imposta é, de longe, o melhor para mim. Porque quem quer saber pergunta, quem quer mesmo saber telefona. Faz-se presente. Mesmo que eu o faça ausente. Que continua demasiado presente. 

Não. Não vou voltar atrás. Não posso. Não quero. Não depois do longo caminho dos últimos 6 meses e meio. Dos últimos 2 anos e meio. Não vou voltar atrás e fazer-me, a mim, presente a quem nunca quis ser mais do que ausente. 

Presença vs ausência. 

E a memória. De tudo. Especialmente do que estará sempre presente mesmo sendo, para sempre, ausente. E não, ainda não consigo perdoar. Ainda não consigo perdoar-te. Mas talvez já esteja mais perto de perdoar-me… Mas não a ti, ausência ainda demasiado presente.