Monthly Archives: April 2017

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Assertividade. A aprender. Para reter. 

E esta noite, da minha janela, o Mar. 

E não me apetece o Mar, nem a {minha} Lua que está Cheia. Não me apetece escrever. Nem falar. 

O toque. Sinto a falta do toque. 

As dores. Não sinto falta das dores. 

Eu. Um dia assertiva. Não hoje. Não agora. Não ainda. Não já. 

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Hoje? Hoje quarto, almofadas, manta, cama. Também mereço. Também preciso. Também faz parte.

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“Depressão: vamos falar” 

Falarei sempre. Mesmo que ainda não me aceite doente. Que sou. Ou estou. Ou… 

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“Sabes que, por vezes, é preciso andar para trás, não sabes?” 

Sei… Se me assusta? Muito. Hoje confirmei que andar para trás, ir tão lá atrás, dói. Mas é lá atrás, tão distante, que é preciso regressar. Para resolver. Para aceitar. Para recomeçar. 

“Um destes dias experimentamos ir lá bem atrás, o que me dizes?” 

Não preciso dizer… 

“Não te preocupes. Sabes que é preciso. E se eu vir que vais só andar para trás vou lá estar a puxar-te para a frente. Sabes isso.”

Sei. E sei tudo o resto. Que não me vou perder pelo caminho porque, agora, tenho uma luz de presença para me guiar. Que, mesmo que tropece e volte a cair, há um par de mãos pronto a ajudar-me a levantar e a reeguer-me. 

Andar para trás para poder andar para a frente. Ir lá atrás para saber estar aqui. Tropeçar pelo caminho. Aprender. Reaprender. Corrigir? Aceitar. 

Ninguém disse que ia ser fácil…… Ninguém diz que é impossível. Mas custa. Muito. 

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Sempre que o ar te faltar, lembra-te: olha para cima. 

Sempre que a memória te pregar rasteiras, lembra-te: olha para cima. 

Sempre que o medo marcar presença, lembra-te: olha para cima. 

Sempre que o Norte te parecer perdido, lembra-te: olha para cima. 

Sempre que o toque do que já não existe regressar, lembra-te: olha para cima. 

Sempre que o cheiro da pele que não foi te visitar, lembra-te: olha para cima. 

Sempre que o nada te sufocar, lembra-te: olha para cima. 

Seja quando for, por que motivo for, lembra-te: olha para cima. É para cima que crescem as árvores. Mesmo que as raízes se estendam para baixo, é para cima que deves crescer. 

Não desistas. Não desistas de crescer. De acreditar. De olhar para cima. Não desistas. Não desistas de ti. Por ti. 

Lembra-te: olha para cima. Vai correr tudo bem. 

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Tenho saudades da minha gravidez… 

…mesmo que tenha durado apenas 42 dias. Mesmo que já tenham passado 978 dias depois de 42. 

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O medo. A vertigem do medo. É onde estou. 

Estou e sou. Sempre fui. Sempre fui medo e tudo o que o medo implica. Mas nunca me deixei parar por ele. Apesar do medo, sempre fui avançando. Fui andando. Fui alcançando. Fui conseguindo. 

Mas hoje… Hoje, novamente, como sempre, o medo. Não aquele medo de impedir que o ar entre. Não aquele medo de tremer as pernas. Não aquele medo que faz gelar o estômago. O outro…… 

O outro medo. O medo de não ser capaz de continuar, de não ser capaz de conseguir, de não ser capaz de aguentar tudo a conta-gotas. Sempre fui mais de enxurrada do que pingo a pingo. E de enxurrada vou suportando e aguentando os embates mesmo que, na altura, acredite que não aguento mais. Não sei não ter pressa. Digo-me tantas vezes que não tenho pressa, mas tenho. Não sei ir a passo. Não sei digerir gota a gota. E esse gota a gota, pingo a pingo, esse passo lento, ritmado, que me assusta.

Tenho medo. Não tenho medo de o dizer. Mas tenho medo de não ser mais do que medo. 

Se estou assustada? Muito. Deixem-me assim, sossegada no meu canto. Mesmo que não faça desaparecer esse medo. Mesmo que o medo faça parte do meu processo. Mesmo que o medo faça, já, parte de quem sou. 

Tenho medo. Estou assustada. Mas não me deixo ficar sossegada no meu canto. Todos os dias avanço. Todas as semanas recuo. E o medo. Sempre o medo. 

E se um dia eu não souber ou não conseguir regressar……? 

Sim. Tenho medo. Porque a linha é demasiado fina e tão fácil de ultrapassar… Sei que tenho quem esteja na outra ponta do fio, pronto para me atirar a bóia de salvação. Sei que tenho quem me acenda a luz de presença, pronto para me fazer regressar. Mas não tenho quem me segure na mão durante a vertigem do medo. 

E é na vertigem do medo que estou. 

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Respirar. Respirar devagar. Respirar novamente. 

Se até na calçada crescem flores……… 

Respirar. 

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Crescer dói……… 

957 dias depois de 18 depois de 42. Crescer dói.