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A vontade, novamente, é fechar-me. Isolar-me. Esconder-me do Mundo lá fora por tempo indeterminado. Não ver ninguém. Não falar com ninguém. Não ouvir ninguém. Simplesmente ficar ali, no meu canto, sossegada, aninhada em busca de conforto que não encontro. 

Novamente assim. Depois de vários dias lá em cima, de vários dias de uma espécie de quase euforia, de superconfiança, de comportamento demasiado despreocupado. Agressiva aos estímulos. Pensamentos à velocidade da luz. Discurso acelerado. 

Agora novamente o silêncio. A voz que não quer sair. Porque sem vontade de se fazer ouvir. Porque sem nada de novo a transmitir. Porque demasiado pesada para quem ouve. 

Agora novamente o isolamento. Porque intolerante ao ruído. Às pessoas. Ao ritmo frenético dos dias lá fora. Porque sozinha hoje como sozinha sempre, desde sempre. Porque em mim procuro conforto que não encontro. Porque o resto, o Mundo lá fora, não me chama. Não chama por mim. Chama pelo meu trabalho, que melhor ou pior vou fazendo. Pelo meu tempo que precisava que fosse, de facto, meu. Pelo compromisso que assumi há 6 meses de corresponder. Pelo compromisso que assumi em Agosto de não falhar. E tenho falhado tanto. Mesmo que me digam que temos feito progressos. Que ainda agora começámos, mesmo que esse agora já conte 9 meses. Que o caminho é longo, demorado, doloroso. Que é mesmo assim, voltar para trás algumas vezes. Que faz parte do caminho. 

E eu cansada. Disto. Disto tudo. O que sou. O que estou. Do caminho. Do que me levou ao início desse caminho. Do que me revelou uma Eu de quem não gosto particularmente, de quem não me orgulho assim tanto. Cansada de lutar cada segundo de cada minuto de cada hora de cada dia. Cansada. 

Isolar-me. Fechar-me. Sem que me peçam nada. Sem que me exijam o que não estou a conseguir dar: 100% de mim. Sem que o tempo não seja exclusivamente meu. Sem ter que cumprir rotinas e perceber que não dei pelo dia passar. Os dias. As semanas. Os meses… 

Vontade, grande, de me fechar dentro de mim própria. E simplesmente deixar-me ficar ali. Quieta. Pequena. Insignificante. E, se doer, calar a dor. Mesmo que à força. 

Talvez o número 53 me ajude a encontrar um ponto de equilíbrio, mesmo que quimicamente forçado. Porque, neste momento, o meu equilíbrio é fechada, isolada, escondida do Mundo lá fora, sossegada, quieta no meu canto à procura do conforto que não encontro. 

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