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Da mediana linear. Rígida. Toda uma espécie de estabilidade que não conheço. Onde não me reconheço. Digo que não sinto. Que já não sinto. E minto a mim mesma porque sinto na mesma, apenas de uma forma que não conheço. 

Se preferia não sentir? Talvez. 

Se é medo? Talvez. Só não sei se é medo de sentir ou medo do que sinto. Ou, se calhar, de ambos. 

Respostas cínicas. Uma espécie de armadura? Uma máscara? Não sei. Não conheço nada disto. E não me reconheço nisto. 

Talvez essa mediana linear, rígida, seja uma coisa boa. Não sentir como antes, com tudo à flor da pele, com a intensidade com que sempre senti. Talvez seja uma coisa boa, essa rigidez. E até esse cinismo das respostas que me saem sem pensar. 

Talvez. Talvez. Talvez. Talvez seja melhor assim. Talvez seja a isto que chamam normalidade. Vou encaixando e tentando aprender todos os dias um pouco mais. Todos os dias uma nova prova dessa normalidade que, dizem-me, é possível. 

Talvez. 

Não sei o que esta normalidade, esta mediana linear, rígida, me irão trazer. E sim, tenho medo. Mas não posso permitir que o medo me condicione ainda mais do que já tem condicionado. 

Vai correr bem. Apenas tenho que aprender o que é isto da mediana linear, rígida, esta espécie de normalidade. Toda uma nova aprendizagem, toda uma nova construção do Eu. Que não sei quem sou, mas que, dizem-me, posso ser diferente. 

Que seja para melhor. Que seja para melhorar. 

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