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“- Estou tão orgulhoso de ti. Muito orgulhoso mesmo.”

“- Tens sido muito corajosa. Tu és muito corajosa.”

“- Ainda estás em grande sofrimento. E isso não é nada bom.”

“- Tão bonito. Mesmo muito bonito. Mais um pouco e eu chorava também…”

A tentar juntar as peças de um vidro despedaçado. A tentar juntar as peças para tentar colá-las. O vidro nunca mais será o mesmo, nunca mais será igual. Algumas peças, inevitavelmente, ter-se-ão perdido. Nada voltará a estar inteiro como antes.

Isso é estar despedaçado. Mil fragmentos causados por um ou vários impactos. Mesmo sendo vários, há sempre um impacto mais forte que destrói por completo o vidro tal como se conhecia.

Tentar recuperar cada um dos fragmentos. Tentar juntar cada um dos muitos pedaços do que já não é. Tentar colar cada um dos demasiados fragmentos espalhados para longe.

Não. Há quem não faça ideia do que é isso de estar despedaçado.

E depois há quem vá distribuindo reforço positivo enquanto presta assistência a um vidro demasiado partido que por todos os meios tenta voltar a ser aquilo que nunca mais conseguirá ser: um vidro inteiro.

Não. Tu não fazes ideia do que é isso de estar despedaçado.

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