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1 ano, 5 urgências psiquiátricas, 1 psicólogo, 1 psiquiatra, várias ausências que me moem e 365 dias de luta com muitos dias (e noites) de puro pesadelo depois, mantenho: cansam-me as vidas perfeitas. Já não me cansa que me digam que não devo expôr-me como me exponho porque quem o fazia optou pelo silêncio e/ou pela distância e ausência.

Cansa-me, isso sim, a luta constante. Diária. Hora a hora. Minuto a minuto. Cansa-me, isso sim, perceber que um ano depois e ainda continuo ali, no fundo de um poço que nunca pedi para mim. Dizem-me, diz-me ele, que ao fim deste praticamente um ano em que me acompanha semanalmente e duas vezes por semana há 6 meses, que estou melhor. Que fiz progressos. Grandes progressos, diz-me ele. Que estou diferente para melhor. Gostava de acreditar nele. Confio nele, mas não acredito quando me diz que fiz progressos. Porque não o sinto.

Ideação suicida cada vez mais presente. Vontade de auto mutilação cada vez mais intensa. Auto estima cada vez mais inexistente.

Cansa-me este estado. Do qual não sei como sair.

De resto, tudo o que escrevi há um ano podia ter sido escrito hoje. Quem sabe o que escreverei daqui a um ano. Quem sabe se, sequer, escreverei.

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