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Há 3 anos a escrever todos os dias. Porque um dia atrás do outro atrás do um. 1096 posts seguidos. 1097, se contarmos já com este.

Terapia? Exorcismo. Porque há 1096 dias, 1097 se contarmos já com este dia, alguém me disse “reage, porra!”. E eu reagi. De todas as formas que conheço para reagir, escrever é a melhor de todas. Exige de mim mais do que a disciplina de escrever todos os dias, sempre com uma fotografia a acompanhar. Fotografia minha, tirada preferencialmente no mesmo dia mas nem sempre acontece, confesso.

Escrever exige introspecção. Exige ir lá ao fundo, dentro de mim, muito para além da pele que me queima por dentro. E muitas vezes, tantas, o que encontro lá ao fundo, dentro de mim, não é bonito. É dorido. É, muitas vezes, sofrido. É negro, mesmo que já tenha passado a fase das cores. São gritos de quem está em guerra. Não com os outros, não com o mundo, mas consigo mesma. Comigo mesma…

São, tantas vezes, pedidos de ajuda. Tantas vezes dissimulados, camuflados. Outras vezes mais directos da melhor forma que consigo ser directa. Riscos na pele? São pedidos de ajuda. Vozes que me falam? São pedidos de ajuda.

São 3 anos de toda uma nova realidade que começou 18 dias depois de 42. 18 dias demasiado violentos para os recordar, numa explosiva mistura de hormonas, químicos, revolta, raiva, medo, dor, física e daquela que não se vê nem se toca, palavras brutas, silêncios perturbadores. 3 dias sem falar. 3 dias que prometi a mim mesma que não iria repetir e cuja promessa quebrei algures nos últimos meses.

“Reage, porra!”, e eu reagi. E 3 anos depois, 1096 dias depois, 1097 se contarmos já com este, continuo a reagir. Quando tantas vezes, demasiadas vezes, me apetece deixar de reagir e simplesmente deixar-me ir. Ir não sei bem para onde nem para quê. E é nesses momentos dos últimos meses que me faz pegar nas palavras escritas todos os dias. Mesmo que a vontade, o ânimo, seja igual ou menor que zero.

1096 dias seguidos, 1097 se contarmos já com este, tantos dias, tantas palavras, tantos caminhos percorridos.

Já pensei tantas vezes em desistir da palavra escrita. Desta que deixo por aqui gravada no éter. Mas é-me demasiado necessária, ainda, para exorcizar o negrume que ainda carrego comigo.

Não é tristeza. Não é amargura. Não é nada disso. É dor. Apenas dor. Um apenas do peso de uma dor que quero tanto curar. E que me esforço tanto para, primeiro, tratar.

Um dia volto a escrever a cor. As cores. Por agora expulso, tento expulsar, o negrume da dor.

Nem que sejam precisos mais 1096 posts seguidos, 1097 se contarmos já com o que será o equivalente a este, daqui a mais 3 anos.

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