Monthly Archives: October 2017

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Porque é que teimamos em perder tempo? Tenho-me esquecido. Não tenho tempo para perder Tempo.

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Onde é que vais? Como é que vais? Por onde? Em frente? Em frente. Sim, em frente.

Vais em bicos dos pés, num misto de passos seguros de bailarina com o medo de quem caminha na corda bamba. Saltaricas por aí, sempre no risco da vertigem e da queda. Mas vais.

Lembras-te onde estavas há 3 meses? Não ias, simplesmente. A vertigem era outra, a queda era profunda no vazio do cinzento negrume. Não ias, não avançavas. Não vias a cor. O que mudou de lá para cá? Tudo? Nada? Muito? Pouco?

Mudaste tu. Cresceste mais um pouco. Sobreviveste a mais um Verão, a mais uma camada de pele que te queimava por dentro. Sobreviveste à memória, ao fogo da memória. E agora?

Agora abres caminho num passo certo mas não necessariamente seguro da descoberta. Descoberta do outro, descoberta de ti, descoberta do que não quiseste, durante tempo, acreditar ser possível.

Mereces ser feliz. Ser mais do que memórias de um Verão passado quando ainda tens tempo para criar novas memórias ainda por vir. Mereces partir à descoberta mesmo que te pareça difícil mostrar-te como és por completo. Porque és mais que a Depressão, mais que a Borderline, mais que o trauma. És sorrisos, gargalhadas, abraços, mãos abertas, palavras com sentido, conversas sem sentido quando o sentido não é preciso, ouvidos atentos, ombros disponíveis, sentido de humor, curiosidade em querer mais, és tanto mais!

Onde é que vais? Como é que vais? Por onde?

Em frente. Lembra-te sempre: em frente. Em passos de bailarina, em passos na corda bamba, não interessa! Em frente. Sempre. Saltaricar se te apetecer. Mas vai. Mereces tanto mais do que te tens permitido.

Vai e voa. Sabes que se caíres tens quem esteja lá para te ajudar a reerguer.

Por isso vai. Não interessa onde. Desde que seja em frente.

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Descubro agora que os domingos são o que demora mais a passar. Ainda não percebi se é bom ou não…

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Na hora das gaivotas. Mesmo que sem elas, não importa.

Fechou-se um ciclo. Que comece outro. Em bom.

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A sentir-me um bocadinho adolescente à descoberta.

E é tão bom.

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O meu momento favorito do dia? Quando o sol começa a surgir.

Um novo dia, um novo começo.

Uma nova oportunidade. Que aceito e agarro.

E deixo fluir.

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“Isso que acabou de dizer é um sinal enorme de quem está melhor.”

Mais centrada. Mais aqui e agora. De acordo com o diagnóstico, suspeito desde o segundo dia. De “PPB?” a simplesmente “PPB” sem interrogações.

Agora? Continuar o trabalho dos últimos 14 meses. Focada em sinais e na aprendizagem de como travar. Sei que voltarei a cair, mas hei-de aprender a não cair tão fundo e tão negro.

“Parabéns!”, terminou ela. Havemos de nos encontrar novamente daqui a 2 meses. Já com a certeza da redução dos “contentores”.

Um dia volto a caminhar sozinha, sem muletas. E se há um ano achava impossível hoje estar onde e como estou, hoje olho para trás e vejo o quanto já caminhei primeiro a dois e agora a três.

Não é fácil. Mas, dizem, dizem-me, somos muito mais fortes do que pensamos ser. E, olhando para trás, hoje tenho que concordar.

Agora? Olhar para a frente. É assustador mas tudo o que é desconhecido o é. Olho para a frente sem expectativas demasiado altas (faz parte da aprendizagem) mantendo-me sempre no aqui e agora.

E vou descobrindo o que houver para descobrir.

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“Vai com calma…”, dizem-me. Vou, respondo. Ou talvez não vá porque sou mesmo assim e por ser assim não sei ir de outra forma.

Mas vou. Quando prometi a mim mesma não ir por ali. Vou. Quando decidi seguir os conselhos dele mesmo que algo indirectos.

Vou. À descoberta. Acima de tudo de mim mesma. Mas, pelo menos, vou. Um dia atrás do outro atrás do um.

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“Há forças inexplicáveis”…

Há. E por não se explicarem o melhor é deixar fluir.

O que for, será. O que não for, também.

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A redescobrir algo que já não me lembrava como era. E a ter que me lembrar da minha condição Borderline e a identificar sinais.

É estranho. Mas é bom.

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Porque é que insistes em esquecer-te de respirar…?

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“Tu sentes assim porque és muito sensível. E isso é bom. És muito humana.”

Não sei até que ponto é bom. Não é bom quando o telefone toca e do outro lado está alguém que perdeu tudo e sinto um murro no estômago, um nó na garganta e os olhos a ficarem molhados quando estou apenas a fazer o meu trabalho. E o telefone toca outra vez e novo aperto. E outra vez e o ar que não entra. E toca mais uma vez e pela localidade de onde ligam já sei que vem novamente um soluçar na minha voz.

Não. Não sei se ser assim tão sensível é bom. Às vezes gostava de conseguir ser indiferente. Mas não consigo. Porque não sou.

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“Saudade Para Um Tempo Longe”.

Saudade, é só o que fica. Umas vezes violenta. Outras, como agora, mais serena.

Presença Para Um Tempo Perto, contraponho. E é a presença que procuro agora. Chega de ausência. Chega de saudade.

Presença, a mesma da luz. A que acompanha. Que está perto. Que está cá.

Procuro “Um Tempo Perto”. Não mais “Um Tempo Longe”.

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Entrar mais cedo, sair mais cedo. Pode meia hora ser uma hora de diferença? Pode.

Aproveitar o tempo para mim. Aproveitar o tempo, ponto. Recuperar algum tempo por aí.

Preciso voltar a escrever em papel……

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“Tens que começar a sair. E a reforçar a tua rede.”

E hoje saí e reforcei. Tenho que fazer isto mais vezes.

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Às vezes gosto, muito, de ser como sou. Mesmo que não me encaixe. Ou especialmente por isso.

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Primeiro, os factores de protecção. Só depois os factores de risco e as memórias que magoam.

Ainda há muito trabalho pela frente.