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Hospital de Santa Maria. Desde há três anos que não é fácil lá voltar. Como hoje, outra vez. Porque quando lá vou há sempre um nome que me acompanha, que não me sai da cabeça. E é também ali que percebo que esse nome faz mexer cá dentro aquilo que tento dizer a mim mesma que já não sinto: raiva. Muita, ainda. Ao ponto de, quem me acompanha de fora semanalmente, perceber melhor do que eu mesma o que ainda vai cá dentro e me aconselhar desportos de combate, artes marciais, para aprender a gerir e a soltar de forma controlada essa raiva que vai crescendo em silêncio contra esse nome que não me larga e que me grita a sua ausência.

Não é um sentimento bonito. E não, não sei gerir o que sinto e não sei soltar de forma controlada o que trago cá dentro. Talvez por isso prefira dedicar-me a outras artes. Que não descarregam a raiva mas ocupam as mãos. E, mais importante, ocupam as ideias.

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