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“Estás tão bem que hoje não quero desestruturar-te nem desestabilizar.”

ou

“Estou a gostar tanto de a ver, está tão bem!”

Assim como o que se vê de fora muitas vezes não passa de ilusão, também para me desestruturar basto eu e os meus medos de tudo.

Terminaram as 2 horas dos sábados de manhã que se repetiam desde Fevereiro. 245 dias depois. 35 sábados em que só 2 não aconteceram. Ou foi só 1? Já não sei. Apenas sei que não estava preparada. De repente sinto-me novamente sem pé, esquecendo-me por momentos que antes das 2 horas dos sábados de manhã já existia 1 hora durante a semana que vai continuar a acontecer. Não, ainda não é tempo de visitas quinzenais. Não. Não é tempo, ainda. Porque é cedo. Ainda há tanta coisa a ter que ser trabalhada.

…o medo…o frio no estômago, a falta de ar, aquele que não entra, a vertigem. Não. Ainda é cedo para voltar a arriscar a caminhar sozinha.

A ansiedade que voltou assim, de repente. Desequilíbrio. Desestruturação. E o medo. Da perda. Novamente a perda.

Tudo aquilo que escolhemos traz consequências. E eu escolhi. Mal ou bem, escolhi. E ainda estou a aprender a lidar com as consequências. Ainda é cedo. Por favor…

Não vou dar um passo atrás. Não posso. Não quero desestabilizar, não agora que me sinto mais tranquila, mais serena, quase segura. Mas tremo. E a estrutura que fui construindo nas últimas semanas treme também.

“Não vou desestruturar-te” e “está tão bem” e em menos de nada o ar não entra e eu recuo. Regrido. E nada disto faz sentido assim. Eu sei, eu sei que os sábados um dia iriam acabar. E que qualquer dia as sessões passam a ser quinzenais e um dia terminam. Mas não agora. Não ainda. Não já.

Não estou preparada… E o medo instala-se sem pré-aviso. E de novo sinto-me prestes a afogar e questiono quem fala, se eu ou se aquilo que sou, Borderline? “És tu, não sendo” e essa resposta podia ser minha!

Não tenho a minha rede… Não ainda. Não posso, não sei!, caminhar novamente sozinha. E, de repente, os fins de semana voltaram a ser de um tamanho interminável e ainda nem sequer lá cheguei.

Todas as escolhas que fazemos nos condicionam. E, mesmo não querendo, tenho que escolher agora, como escolhi antes, qual o caminho a seguir.

…e eu sempre escolhi tão mal…

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