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“Tu sentes assim porque és muito sensível. E isso é bom. És muito humana.”

Não sei até que ponto é bom. Não é bom quando o telefone toca e do outro lado está alguém que perdeu tudo e sinto um murro no estômago, um nó na garganta e os olhos a ficarem molhados quando estou apenas a fazer o meu trabalho. E o telefone toca outra vez e novo aperto. E outra vez e o ar que não entra. E toca mais uma vez e pela localidade de onde ligam já sei que vem novamente um soluçar na minha voz.

Não. Não sei se ser assim tão sensível é bom. Às vezes gostava de conseguir ser indiferente. Mas não consigo. Porque não sou.

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