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Ainda te lembras de como era antes? Antes daquele dia em que te viste num filme surreal que ainda hoje chegas a duvidar que possa ter sido real?

Ainda te lembras de como era o mundo, o teu, até este dia há 4 anos? O último dia de normalidade, de dias sem grandes dores, sem pesadelos, ainda te lembras de como tudo era tão mais fácil?

Diz-me, ainda te lembras do que aprendeste com tudo o que amanhã faz 4 anos? Ainda te lembras que aprendeste que nada é garantido, muito menos o amanhã, e que por isso mesmo não vale a pena perder tempo? Especialmente com coisas pequenas sem verdadeira importância.

Tens andado esquecida do que prometeste a ti própria, de que não tens tempo para perder Tempo.

Hoje olhaste para trás e percebeste que esqueceste durante 3 anos aquilo que prometeste faz amanhã 4. Perdeste 3 anos quando prometeste que não irias perder tempo. Entregaste 3 anos à Depressão e esqueceste-te de ti e das tuas opções.

Ainda te lembras de ti há 4 anos, na véspera do dia em que tudo mudou?

Ainda vais a tempo de não perder Tempo. Ainda vais a tempo de fazer com que cada dia conte. Ainda vais a tempo de escolher o que te faz sorrir. Tens um leque de opções actuais, só tens que escolher. Não remarcar números passados. Fazer, isso sim, nova chamada para o momento presente. E sei que chegaste a duvidar deste momento presente, mas ele aí está: presente. Embrulhado à espera de ser aberto. De ser vivido. De ser sentido.

Há 4 anos neste dia tudo era ainda simples. Sem grandes dores ou pesadelos. Sem filmes surreais. Sem tantas lágrimas e ansiedade e choros e desnorte e Depressão. Cresceste neste tempo que não volta a este dia de há 4 anos. Por isso agora o Tempo é de viver o que o presente tem para ti.

E tu sabes o que o presente te traz neste momento. Por isso vai e voa e vive e sente. Mesmo que voltes a cair, não percas tempo a perder Tempo.

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