{#página316}

Tanto ainda por descobrir. Percebo que eu mesma tenho que descobrir tanta coisa sobre mim. Saberei ser diferente? Ser melhor? Ser suficiente, até?

Desconfio que não.

Por outro lado olho para trás e vejo que num ou noutro momento soube ser tudo o que acho hoje que não sou ou não sei ser. Interessante, por exemplo. Serei? Desconfio que não. Mas também estou habituada a que tudo se desenrole de outra forma. Talvez por isso agora me sinta derrotada quando o jogo ainda agora começou.

Não sei. Não sei mesmo nada. Sei que o meu cérebro sabe exagerar e toldar alguns pensamentos. Sabe ser extremado e baralhar-me e deixar-me na dúvida sobre tudo.

“Tudo o que sentes é real”, diz-me ele. E eu duvido que o seja realmente porque, afinal, é o meu cérebro cicatrizado que me fala e reage e me faz ser diferente. Gostar muito, gostar demasiado, não sei se sou eu ou as cicatrizes. Sei, sim, que tenho tanto para descobrir. E, pior que tudo, tenho tanto para permitir que descubram. Mesmo duvidando que esse tanto que eu sou seja sequer suficiente.

{comentários}