Monthly Archives: December 2017

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Fim de férias.

Dizem que as rotinas fazem falta. Não sei se estou preparada para regressar.

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– Sabes fazer tricot e crochet?

– Não…

– Então porque insistes em fazer?

– Porque posso!

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“Não conhecemos o amor antes do amor.”

José SaramagoDeste Mundo e Do Outro (crónicas)

E saberemos reconhecê-lo? Há tantas formas diferentes de o identificar que podem muitas vezes gerar confusão. Assim como também há tantas formas de o expressar que podem muitas vezes não ser entendidas.

Mas não conhecemos mesmo o amor antes do amor, tenha ele, o amor, a forma que tiver. Tal como o vento que só conhecemos quando o sentimos tocar-nos no rosto. O amor não precisa de toque. Pode tocar-nos mas não precisa de toque para ser sentido.

Pode ser um sorriso. Expressivo, de adolescente, por vezes quase infantil. Ou pode vir num voto estrelado de boas noites. Ou simplesmente num olá, estou aqui mesmo que não esteja aí.

Não conhecemos o amor antes do amor. E depois de o conhecermos damos-lhe cor, cheiro, forma, gesto, toque.

E o sorriso que se guarda cá dentro porque oferecido, porque sentido.

Não. Não conhecemos o amor antes do amor. E nunca deixamos de o reconhecer. Mesmo de longe.

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Assintomática. Nem por isso mais segura. Talvez um pouco confiante. Mesmo que por vezes duvide se o que eu vejo é realmente o que me parece ser ou as coisas são simplesmente assim e não querem dizer mais nada.

Fazer, desfazer, voltar a tentar. É assim a aprendizagem. Talvez seja isso, uma aprendizagem. Embora eu veja algo mais.

Um ponto luminoso por cima do ombro? Talvez. Queria acreditar que sim.

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Ainda te lembras da importância de um sorriso? Claro que te lembras. E é por isso que guardas contigo os sorrisos com que te cruzas.

Como hoje. Mesmo que, ou especialmente quando, o sorriso que recebes te leve de volta à adolescência.

Em troca devias abrir mais o teu sorriso. Sei que sorris de volta e sei também que é a insegurança que te prende o sorriso. Não só, também sei. E nem sempre te é fácil. Mas acredita na importância dos sorrisos e, especialmente, acredita em ti.

Vai correr tudo bem. Porque, já sabes, “está tudo bem”.

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Lembra-te: sem pressa. Mas sem perder Tempo.

Tudo acaba por se encaixar. E, quando se encaixar, o que tiver que ser, será. Cliché? Talvez. Mas não deixa de ser verdadeiro.

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Reconheces os sinais? Está na hora de aprenderes como reagir.

O receio do abandono e o medo da rejeição farão sempre parte. Só te falta saberes como domesticá-los.

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Cinzento também é cor. Mas, apesar de ser uma cor tipicamente Borderline, continuo a preferir as outras. Por isso vou jogando com todo o espectro e todas as tonalidades de cinzento.

Especialmente quando sinto falta daquilo a que me habituei tão facilmente e o ar parece faltar pela ausência e de repente faz-se presente e o cinzento desaparece… O ar volta. Volta sempre.

Não deixo que o cinzento se instale. Mesmo que se tente instalar devagarinho. Simplesmente tento baixar as expectativas e aguardo. Porque o ar tem voltado sempre.

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São Dois. Tão diferentes, tão meus.

“Vês, tia, aquilo é que era o emprego ideal para ti”, diz-me o Meu Um ao ver as bancas do Mercado de Natal.

Ou “A tia sabe fazer tudo. E faz tudo connosco”, diz o Meu Dois enquanto procuramos por pilhas e desmontamos brinquedos à procura delas.

Subir ao telhado, que é o mesmo que vir ter com eles, tem sido difícil. Tenho evitado porque as vozes ainda me sussurram a vertigem do salto. Mas desta vez não havia como evitar. E ainda bem.

Os Meus Dois, os Meus Tudo. Amor maior.

“Gosto de ti, tia”, seguido de “eu não gosto” e sei exactamente o que cada um me diz.

Tinha saudades deste Amor, aquele do A maiúsculo. Aquele que, sei-o, será para sempre porque eles são meus e eu sou deles.

Talvez me falte algo mais, mas estes Dois nunca me irão faltar.

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É tão bom ainda acreditar na magia. Seja ela a magia de uma roda gigante ou a de um carrossel de balões de ar quente.

Ou simplesmente acreditar em coisas boas que nos fazem sorrir.