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Há dias em que parece que a paciência é pouca. Liga-se a cassete automática e vai-se repetindo a mensagem chamada atrás de chamada quando a vontade de estar ali é pouca ou mesmo nenhuma.

Hoje sei que foi ali que consegui sobreviver ao ano passado. Foi a cassete automática que ligava todos os dias que me permitiu não me perder ainda mais do que já me tinha perdido. Foi ali que me escondi do mundo e acabei por me encontrar.

Hoje sei que foi ali que consegui sobreviver e olho para trás e ainda me pergunto como é que o consegui. Porque hoje já não estou tão perdida e a paciência para a cassete automática é pouca. Mas aquele lugar, aquela cassete, farão sempre parte da minha vitória.

Hoje? A paciência é pouca. Talvez amanhã seja melhor. Porque sei que já saio ainda durante o dia, já consigo chegar a casa ainda com um resto de luz do Sol e o frio já não se entranha. Ainda há nuvens, vento, chuva. Mas o inverno está a chegar ao fim. E mais uma vez vou poder dizer que também a este inverno consegui sobreviver.

O resto? A paciência é pouca, mas os dias são cada vez maiores.

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