Monthly Archives: May 2018

{#144.222}

Um dia escrevo para ti. Não hoje. Não ainda. Ainda é cedo. Mas um.

E talvez me perguntes, novamente, se leio o que escrevo. E dir-te-ei que não, que não o faço logo, como já te disse. E tu vais-te rir outra vez.

Um dia escrevo para ti. Se gostares não o saberei. Porque já te tenho escrito e tu não sabes e eu não sei se gostaste.

Um dia.

Não hoje. Ou, pelo menos, não é hoje que te escrevo o que cada vez mais tenho vontade de te dizer.

Um dia escrevo para ti. Mas não hoje. Não ainda. Porque primeiro quero poder dizer tudo, olhos nos olhos. E depois sim, um dia escrevo para ti.

{#143.223}

“Boa memória”…

Nem imaginas o quanto… Gostava que não fosse desta forma, mas chega a ser assustadora a capacidade da minha memória RAM e ROM. Sem possibilidade de formatar e esquecer.

São os detalhes pequenos que ficam cá, todos eles. Por isso me lembro de rotinas que não são minhas. De pormenores que não são meus.

Mas podiam vir a ser… Ou não?

Diz-me tu. Faz sentido alguma coisa destas que vou deitando para o éter? Para mim faz…

“Boa memória”…e até aqui tudo o que me resta é a memória.

Até quando manter a mesma memória sem novas recordações?

{#142.224}

Tempus fugit.

Em dia do abraço, falta-me um. Aquele que não tenho nem sei se posso ter. E o outro que não tenho e sei que não terei.

E o Tempo que me foge. Ou sou eu que fujo do Tempo?

Fazes-me falta. Não o sabes, não imaginas sequer. Nem eu sei explicar-te. Sei apenas que fazes-me falta. Como o Tempo. Que me foge. E tu? Foges também? Não o faças……

É tudo novidade, eu sei. Mas não me fujas.

Tempus fugit. E fujo eu também.

{#141.225}

Running out of time…

Sinto o tempo a fugir-me… De que me servem amuletos quando sinto que o tempo me foge? E como é que se muda isto?

É horrível sentir o tempo a fugir desta forma. E dizia eu que não tenho tempo para perder Tempo. Mas ele foge e eu não consigo que seja de outra forma. E detesto sentir isto. Parece que estou presa a uma rotina sem fim que apenas me serve para perder mais e mais tempo.

E apetece-me gritar para que o tempo não me fuja quando ainda há tanto que quero fazer. Mas ele foge. E eu perco-me um pouco mais na rotina. E ele continua a fugir.

Nada disto parece fazer grande sentido, eu sei. Mas faz sentir. Um sentir de medo, de frustração, de falta de Tempo, de falta de tudo!

E digo baixinho para mim mesma que tenho medo deste tempo que teima em me fugir. E eu não sei como fazer para o agarrar…

{#140.226}

Das muletas. Hoje uso uma porque andar é difícil. Mas nos outros dias uso várias, de outras formas, para conseguir seguir em frente.

Tanto num caso como no outro tenho que as deixar. Com mais ou menos dores, mais ou menos dificuldades, tenho que deixar de me apoiar em muletas que aliviam no momento mas contribuem para que me esqueça de como se caminha sozinha.

É-me urgente voltar a aprender a andar. Custe o que custar.

{#139.227}

Dias sem história já não me fazem falta. Se há um ano precisava deles para poder descansar do turbilhão em que estava, hoje sinto que me prendem a um estado de pura inércia.

Falta história aos meus dias. Sei que tenho que ser eu a fazê-la. Mas quanto menos história têm os meus dias, menos vontade tenho a fazer.

Não. Nada disto é positivo. Mas é onde estou neste momento. E com cada vez menos vontade de fazer mais e melhor.

{#138.228}

Partilhar momentos. Dispender algum tempo daquele que é, de alguma forma, limitado.

É por isso que não desisto. É como olhar para cima: há sempre algo que nos encanta. E, enquanto houver, é para continuar.

{#136.230}

Aprender a lidar com a perda. Vê-la de outro prisma.

Não quero ter que lidar com ela novamente tão cedo. Mas preciso de aprender a deixar ir. Seja coisas ou pessoas. Nunca soube fazê-lo.

{#135.231}

Um passo de cada vez.

Um dia atrás do outro atrás do um.

Sempre. Devagar. Sem pressa.

E a perder o Tempo que não tenho Tempo para perder Tempo.

{#134.232}

Conviver com a dor já é um hábito. Daquela dor física que parece queimar.

Resta-me encontrar estratégias para conseguir geri-la durante o dia até chegar a casa.

Como trabalhar descalça, por exemplo.
Ninguém vê. Mas faz toda a diferença.

{#133.233}

Dias de flat line. Sem altos nem baixos. Sem nada. Às vezes são precisos.

{#131.235}

“Gosto muito mais dos bons”. Falava-se de momentos. Dos meus que nos últimos dias têm sido menos bons.

E foi o suficiente para regressar aos momentos menos maus. Porque também eu gosto mais dos bons. E, felizmente, já consigo sair dos menos bons mais depressa e por mais tempo.

Que durem esses momentos. Os bons. Ou até mesmo os menos maus. Porque prefiro sorrisos ao canto da boca e borboletas na barriga do que o peso da revolta e o nó na garganta.

{#130.236}

1379. Já deixei de contar os dias, mas já são 1379.

Dizem que estou melhor, mas ainda há dias menos bons. Maus, até. Porque eu quis esconder-me do Mundo e ele encontrou-me novamente.

Fico feliz pelos outros, mas não deixo de sentir que fiquei, estou a ficar, para trás.

Procuro não voltar a olhar para o chão, mas há dias em que olhar para cima custa um bocadinho mais.

Também a isto hei de escapar. Não ilesa, mas hei de ultrapassar. E, se ficar para trás, fiquei. É porque não era suposto.

Dói ainda a saudade. Dói ainda a solidão disto tudo. Dói ainda tanta coisa. Mas dói mais ter que guardar tudo para mim porque quem eu achava que me podia ajudar apenas me pergunta o que é que me dói hoje…

Fico em silêncio. A pouca voz que me resta nestes dias mal se faz ouvir. Para quê se o que eu precisava era de chorar? Para quê falar se o que sinto cá dentro afasta os outros? Fico em silêncio.

Fico em silêncio…escondo-me. As lágrimas não caem. O nó na garganta não se desfaz. As palavras não levam a nada. Fico em silêncio.

E novamente a vontade de riscos na pele. Para sentir outra coisa qualquer que não isto que me deixa exausta. Para sentir algo para lá do nada em que a minha vida se tornou. Porque é isso mesmo, nada. É trabalhar porque tem que ser e voltar para casa só porque no dia seguinte é dia de trabalho novamente. E os riscos na pele que me seduzem a qualquer hora, em qualquer lugar, até mesmo no trabalho.

Fico em silêncio e tento resistir à sedução dos riscos. Mas o Mundo encontra-me sempre e relembra-me que um risco dói muito menos do que aquilo que não se vê.

1379. Fico em silêncio. Sozinha. Escondida do Mundo. Com riscos na pele.

Não quero nada disto novamente. Mas é onde estou ao mesmo tempo que tento não me afogar novamente.

Fico em silêncio. Quando queria tanto mais do que isto de alguém que provavelmente nunca irá saber e muito menos entender estes meus ciclos.

Fico em silêncio.

Fico em silêncio.

Fico em silêncio.

E em silêncio grito novamente.

{#129.237}

Lido por aí: “na dúvida, diz; na dúvida, faz.”

Também já fui adepta desta filosofia. Mas depois há o medo. O não, já sabemos, é sempre garantido. Mas mesmo sendo ninguém quer ouvir um não.

Ainda do mesmo sítio: “os outros não nos vêem como nós nos vemos”. E ainda bem que é assim.

Mas mesmo assim… Porque eu sei como me vejo e sei como alguns outros me vêem…

Toda eu sou insegurança. Toda eu sou medo da rejeição. Sei que o resultado, sendo diferente do que acredito, seria bom. Tão bom. Mas a experiência diz-me que o resultado é mais certo que seja o que não quero. Experiência ou insegurança? Ambas.

Por isso vou ficando mais ou menos quieta, fazendo-me por vezes presente mas sem impôr a presença.

Mas a dúvida… O medo. A insegurança.

Na dúvida, diz. Na dúvida, faz.

Não. Não ainda. Mas não fico à espera. Vou seguindo o meu caminho. Mais facilmente desisto e me mantenho em silêncio do que revelo o que guardo desde praticamente o primeiro dia.

Na dúvida, diz. Na dúvida, faz. Passo a filosofia a quem tenha maior segurança que eu.

{#128.238}

Quando começas a ficar mais tempo no trabalho do que é suposto, isso é fugir.

Não é?

{#127.239}

Já devia saber. Já devia saber que não adianta uma pessoa esconder-se do Mundo. Porque o Mundo encontra-nos sempre. Mesmo que com um dia de atraso.

E, por favor, se eu vos disser que hoje é um dia menos bom, não me digam “vai ter que passar”. Há-de passar quando e como for. Mas não me exijam o que não vos posso dar. Não hoje.