Monthly Archives: May 2018

{#131.235}

“Gosto muito mais dos bons”. Falava-se de momentos. Dos meus que nos últimos dias têm sido menos bons.

E foi o suficiente para regressar aos momentos menos maus. Porque também eu gosto mais dos bons. E, felizmente, já consigo sair dos menos bons mais depressa e por mais tempo.

Que durem esses momentos. Os bons. Ou até mesmo os menos maus. Porque prefiro sorrisos ao canto da boca e borboletas na barriga do que o peso da revolta e o nó na garganta.

{#130.236}

1379. Já deixei de contar os dias, mas já são 1379.

Dizem que estou melhor, mas ainda há dias menos bons. Maus, até. Porque eu quis esconder-me do Mundo e ele encontrou-me novamente.

Fico feliz pelos outros, mas não deixo de sentir que fiquei, estou a ficar, para trás.

Procuro não voltar a olhar para o chão, mas há dias em que olhar para cima custa um bocadinho mais.

Também a isto hei de escapar. Não ilesa, mas hei de ultrapassar. E, se ficar para trás, fiquei. É porque não era suposto.

Dói ainda a saudade. Dói ainda a solidão disto tudo. Dói ainda tanta coisa. Mas dói mais ter que guardar tudo para mim porque quem eu achava que me podia ajudar apenas me pergunta o que é que me dói hoje…

Fico em silêncio. A pouca voz que me resta nestes dias mal se faz ouvir. Para quê se o que eu precisava era de chorar? Para quê falar se o que sinto cá dentro afasta os outros? Fico em silêncio.

Fico em silêncio…escondo-me. As lágrimas não caem. O nó na garganta não se desfaz. As palavras não levam a nada. Fico em silêncio.

E novamente a vontade de riscos na pele. Para sentir outra coisa qualquer que não isto que me deixa exausta. Para sentir algo para lá do nada em que a minha vida se tornou. Porque é isso mesmo, nada. É trabalhar porque tem que ser e voltar para casa só porque no dia seguinte é dia de trabalho novamente. E os riscos na pele que me seduzem a qualquer hora, em qualquer lugar, até mesmo no trabalho.

Fico em silêncio e tento resistir à sedução dos riscos. Mas o Mundo encontra-me sempre e relembra-me que um risco dói muito menos do que aquilo que não se vê.

1379. Fico em silêncio. Sozinha. Escondida do Mundo. Com riscos na pele.

Não quero nada disto novamente. Mas é onde estou ao mesmo tempo que tento não me afogar novamente.

Fico em silêncio. Quando queria tanto mais do que isto de alguém que provavelmente nunca irá saber e muito menos entender estes meus ciclos.

Fico em silêncio.

Fico em silêncio.

Fico em silêncio.

E em silêncio grito novamente.

{#129.237}

Lido por aí: “na dúvida, diz; na dúvida, faz.”

Também já fui adepta desta filosofia. Mas depois há o medo. O não, já sabemos, é sempre garantido. Mas mesmo sendo ninguém quer ouvir um não.

Ainda do mesmo sítio: “os outros não nos vêem como nós nos vemos”. E ainda bem que é assim.

Mas mesmo assim… Porque eu sei como me vejo e sei como alguns outros me vêem…

Toda eu sou insegurança. Toda eu sou medo da rejeição. Sei que o resultado, sendo diferente do que acredito, seria bom. Tão bom. Mas a experiência diz-me que o resultado é mais certo que seja o que não quero. Experiência ou insegurança? Ambas.

Por isso vou ficando mais ou menos quieta, fazendo-me por vezes presente mas sem impôr a presença.

Mas a dúvida… O medo. A insegurança.

Na dúvida, diz. Na dúvida, faz.

Não. Não ainda. Mas não fico à espera. Vou seguindo o meu caminho. Mais facilmente desisto e me mantenho em silêncio do que revelo o que guardo desde praticamente o primeiro dia.

Na dúvida, diz. Na dúvida, faz. Passo a filosofia a quem tenha maior segurança que eu.

{#128.238}

Quando começas a ficar mais tempo no trabalho do que é suposto, isso é fugir.

Não é?

{#127.239}

Já devia saber. Já devia saber que não adianta uma pessoa esconder-se do Mundo. Porque o Mundo encontra-nos sempre. Mesmo que com um dia de atraso.

E, por favor, se eu vos disser que hoje é um dia menos bom, não me digam “vai ter que passar”. Há-de passar quando e como for. Mas não me exijam o que não vos posso dar. Não hoje.

{#125.241}

Em pausa e a querer esconder-me por um bocadinho… Mas só mesmo um bocadinho. Porque já deixei de me esconder. Mas por agora quero esconder-me do mundo até 2ª feira… Porque 2ª feira já isto passou. Já domingo passou…

{#124.242}

Dar sempre um bocadinho mais de mim. Ficar depois da hora ou emprestar um ombro por mais uns minutos. Dar sempre mais.

Porque sou de dar, simplesmente. Nem sempre recebo em troca. Dizem-me que a reciprocidade é precisa, mas não sei ficar à espera. Apenas vou dando de mim.

Por vezes far-me-ia bem não dar esse bocadinho extra sem retorno. Marcaria uma posição. Mas não sei ser assim. Que sei eu, afinal? Apenas sei dar mesmo sem saber receber.

Mas dou. Continuo a dar. E já não espero para perceber se é possível receber de volta.

Que sei eu, afinal? Apenas dar. De mim.

{#123.243}

Sair da rotina. Estar com amigos, daqueles que vêm de longe no tempo e na distância. Sair dos horários normais, mesmo que a quebra na rotina não seja fácil. Ser presente, estar presente.

E o que será feito do Pedro? Este ou outro Pedro. Tudo são nomes, referências, memórias mais presentes ou mais distantes. Histórias passadas, desejos presentes. O que será feito de mim?

{#121.245}

Sair e estar. Sair de casa e estar com amigos.

Mesmo quando cada passo é doloroso por uma qualquer inflamação que se instalou, sair e estar.

Mesmo que não se vá ao jardim habitual, sair e estar.

Mesmo que de manhã a vontade fosse pouca por causa das dores, sair e estar.

E acreditar que também estas dores irão passar e que caminhar será mais fácil novamente em passo firme.

Sair e estar. E, acima de tudo, acreditar que tudo vai melhorar.