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De fingir e fugir.

Finjo que fujo do que tenho que enfrentar. Afasto-me por um momento para ganhar força e então aí sim, enfrento. Seja o que for, como for. Os últimos anos têm sido prova disso mesmo. Nunca fugi nem nunca fingi, especialmente quando mais me doeram.

Finjo que fujo. Mas na realidade estou lá. Finjo que fujo e até finjo que finjo. Finjo o que sinto às vezes, quando me tento convencer que o que sinto não pode ser. Mas não finjo quando sinto tudo intensamente. Porque aí não há como fingir (como agora), porque não sei fingir aquilo que faz de mim o que sou: sentir.

É confuso. Mas não fujo nem finjo. E se, por acaso, der por mim a fingir alguma coisa é certo que irei fugir à minha maneira do que estiver a acontecer à minha volta: afasto-me, faço de conta por um momento que não se passa nada, para logo de seguida enfrentar com outro ânimo.

Todos fugimos. Todos fingimos. Mas eu não gosto nem de uma coisa nem de outra, fugir ou fingir.

Mas, admito, neste momento estou num processo de fuga. Fuga ao que sinto e que já não sei fingir. Mas essa fuga não vai durar muito porque não se foge para sempre. E um dia destes paro e retomo onde fiquei quando iniciei o processo de fuga e enfrento e digo tudo.

Até lá, já se sabe, vou fugindo sem fingir. Cansei-me de fingir noutros tempos não tão longínquos como isso. Resta-me cansar-me de fugir.

Porque não fujo realmente. Nem finjo.

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