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Tenho muitas saudades tuas.

Faz hoje 2 anos que me despedi de ti, uma despedida dorida e pesada para mim que me derrubou mais um pouco numa altura em que nada me era simples.

Ainda sinto por entre os dedos a fragilidade do teu corpo naquele dia, fragilidade que durante tanto tempo não quis ver. Mas tu estavas no teu limite e tive que te deixar ir.

Chorei muito durante muito tempo. Muitas noites chamei por ti mesmo sabendo que já não vinhas acompanhar-me. Ainda hoje chamo baixinho mesmo sabendo que a gata que agora mora cá em casa não és tu…

Não foste substituída, como nunca o é nenhum grande amor. Apenas preenchi um espaço vazio. Que mesmo assim continua um bocadinho vazio por não seres tu.

Tenho tantas saudades tuas… Desses olhos verdes e amarelos únicos, das tuas patinhas e barriga brancas num resto de corpo preto. Da maneira como dormias encaixada na minha cintura ou de como te enroscavas no meu colo.

Eras doce e meiga, mas acima de tudo tranquila. Brincavas comigo. Davas-me marradinhas. Ronronavas no meu peito.

Sinto falta desses momentos, sabes? Quem cá está agora é tão diferente de ti. Também tem, claro, as suas particularidades, mas não és tu.

Chorei-te tanto. E é com esforço que não choro agora ao recordar-te. Foste e serás sempre a minha menina mais doce. Passem 2 anos, passem 20. Tenho saudades tuas. Muitas. Mas sei que deixar-te ir foi o melhor para ambas, mas sobretudo para ti que não estavas bem.

Amor também se sente pelos animais e por isso posso dizer que te amo muito ainda hoje, dois anos depois.

E tenho muitas saudades tuas. Tantas que ainda chega a doer procurar por ti e ver que não és tu quem encontro.

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