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E depois perguntam-me, sabendo-me totó, como é que consigo viver assim. Ou antes “assim”. E eu, que sinto sempre tudo intensamente, simplesmente encolho os ombros e respondo “não sei”.

Quando na realidade sei. Porque acho sempre que mereço menos do que aquilo que desejo, fruto de uma auto-estima baixa e que me leva a refugiar-me na desculpa de ser totó quando não o sou.

Sei que vou vivendo e sentindo e esperando e desejando e fazendo de conta que não se passa o que todos os dias sinto em mim. É assim que vou vivendo quando podia estar a viver toda uma outra realidade, seja ela a que secretamente desejo, seja ela a realidade dos pontos nos is.

É assim que se vai vivendo quando se acredita na verdade distorcida da baixa auto-estima. E é assim que se continua a ser totó mesmo não o sendo inteiramente.

Mereço o que desejo. Sim. E um dia ainda vou acreditar que sim. Até lá, encolho os ombros e sigo à espera não sei do quê.

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