{#329.37.2019}

Tenho, muitas vezes, vontade de escrever como noutros tempos. Mas não me saem as palavras como saíam.

Sou hoje mais tranquila. Ou estou? Há diferença entre ser e estar e ainda não percebi onde me posiciono nesse campo neste momento. Sei, sim, que as palavras hoje me custam a sair.

E por um lado ainda bem. É sinal que já não ando no carrossel montanha russa que não precisa de moedas e que me fazia vomitar palavras no éter.

Sempre fui de palavras. Sempre fui de escrever. E por isso me custa quando elas, as palavras, não me saem ou saem vazias, quase banais.

Um dia de cada vez. Até aqui, na escrita. Quem sabe um dia não escrevo uma carta bonita para dizer o que guardo comigo, já que está tão difícil de conseguir falar? E só de pensar que tenho que o dizer falando a vontade de o escrever aumenta.

Sim, talvez um dia escreva uma carta. Mesmo que não chegue a enviá-la.

Por agora vou tentando escrever o nada que são os meus dias, sempre iguais, sempre vazios de emoções porque são chatos.

Sim. Vou escrevendo os meus dias. Porque às vezes esqueço-me que até o dia mais vazio pode trazer algo de bom e é ao escrever que me recordo disso. Por isso mantenho a tentativa de escrita diária.

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