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Relembrar velhas máximas: se um dia foi menos mau, então já foi um dia bom. Relembrar que os que nos mói acaba também por nos doer. Relembro não para mim, mas para quem precisa neste momento. E, felizmente, já não sou eu.

É-me fácil pôr-me no lugar dos outros quando são os outros a precisar de alguma luz. Porque já lá estive. Já contei os dias. Já os comparei de um dia para o outro só para perceber se um dia tinha sido bom, menos bom, menos mau ou mesmo mau. Já fiz isso tudo. E não podendo ajudar de outra forma, conto com a minha memória para alinhavar pequenas ajudas que me são possíveis.

Nada disto é fácil. Mas se nos conseguirmos pôr no lugar do outro quando o outro nos chama a precisar de uma luz, certamente que o caminho fica mais leve. Para ambos os lados.

Posso não conseguir fazer muito. Porque às vezes não posso mesmo, por muito que queira. Mas o já ter estado lá onde tudo é negro é a luz que posso oferecer. Porque posso garantir que passa. É doloroso e dá trabalho. É um processo lento. Mas acaba por passar.

Eu? Vou continuando a saborear as borboletas na barriga e os finais de dia em tons de cor de rosa. Estou tranquila (quando podia não estar) e serena, de bem com a vida ainda que cheia de situações que não posso resolver porque não consigo.

Mas estou bem. E isso, ao fim de todo este tempo, é só o que importa.

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