Monthly Archives: May 2020

{#145.222.2020}

Continua a fazer-me muita confusão a maldade. A má formação. A falta de carácter. Por muitos anos que passem, e já são alguns, há coisas que simplesmente não entendo. E não aceito. Maldade pura.

À parte isso, os meus meninos são os melhores.

Mais um dia, menos um dia. E hoje foi para descansar de um fim de semana de emoções e de matar saudades. Amanhã regressa a rotina em fuso horário de outras paragens. Amanhã será mais um dia a registar. Que seja bom.

{#144.223.2020}

Um dia bom. Azul e outras cores.

Mudar um bocadinho a nova rotina, retomar um pouco da antiga normalidade.

Mas o receio, sempre.

Vai correr bem. Vai correr tudo bem. Tem que correr tudo bem.

{#143.224.2020}

Dia de quebrar todas as regras do confinamento e distanciamento. Abraços e beijos nos Meus Dois, matar saudades de quem já não via desde Janeiro.

Não foi fácil saber que se quebraram as regras. Mas foi necessário para acalmar saudades dos dois lados.

{#142.225.2020}

Dia de regressar onde sou sempre bem recebida e sempre com um sorriso, mesmo que agora esse sorriso esteja por trás de uma máscara. Há muito tempo que não ia até lá, sendo esse lá aqui tão perto. Mas desde o primeiro dia que me recebem assim. Gosto de sítios e pessoas assim.

De resto, mais um dia igual aos outros, como têm sido sempre nos últimos tempos. Sem nada a assinalar. Nada mais digno de registo.

Um dia volto a ter dias mais interessantes. Por agora é o que há.

{#141.226.2020}

Hoje senti-lhe o cheiro e registei-lhe o som. O mar aqui tão perto faz-me acreditar que vai correr tudo bem. Voltarei aqui dentro de pouco tempo, poucos dias. Aproveitar o horário de trabalho em fuso horário diferente para começar a fazer praia rapidamente.

Estou bem. Apesar de tudo estou tranquila e serena. Não estou revoltada com a sociedade, como me perguntaram hoje se ainda estou a. Não estou. Nunca estive nestes tempos estranhos. Aceitei e encaixei e segui o rumo que tinha que seguir. Tive muito receio, de início, que fosse mais difícil. Mas não foi. O isolamento é-me natural. Assusta-me mais o distanciamento e consequente afastamento. E as consequências que traz.

Mas quero voltar ao mar. Rapidamente. Senti-lo na pele. Trazê-lo comigo. Mergulhar e limpar o que é de limpar. Porque estou bem, tranquila e serena.

É ao mar que vou voltar em breve. Porque é só onde me é permitido voltar para já. Onde queria voltar dificilmente voltarei. E também por isso quero mergulhar no mar. Rapidamente.

{#140.227.2020}

Sair um bocadinho da nova rotina para recuperar um pouco da antiga rotina. Voltar a beber um café numa esplanada. Ver gente, ainda que as caras agora se escondam por trás de máscaras.

Chamam a isto o novo normal. Sendo que de normal nada tem.

É preciso um regresso ao exterior. É preciso um regresso a antigas rotinas. É preciso sair de casa.

Mas eu não me sinto confortável para o fazer…

Dizem que, até nisto, o tempo ajuda. Vamos ver como vai ser amanhã.

{#139.228.2020}

Mais um dia, menos um dia. Mais uma noite mal dormida. Neste campo já não há novidades.

E mantém-se a vontade e necessidade de fazer algo mais depois do trabalho. Mas falta a energia e a coragem. E com isso vem a frustração por não fazer nada que se veja.

Tenho que reencontrar essa vontade de criar e fazer acontecer.

Se bem que a vontade seja fazer acontecer algo. Não sei o quê, só sei que a vontade é que algo de bom aconteça.

O gut feeling que tinha há uns meses parece ter desaparecido. As borboletas na barriga estão demasiado adormecidas. Porque o isolamento traz o afastamento. E esse está cada vez mais presente…

É importante, antes de mais, ocupar o tempo que tenho livre. Para ocupar a cabeça com coisas úteis e esquecer um bocadinho esse tal afastamento. Porque não me faz bem ter demasiado tempo livre nas mãos.

Mais um dia, menos um. Mais uma noite mal dormida. Sem novidades, portanto. E a precisar tanto de coisas boas a acontecer…

{#138.229.2020}

Desconfinamento. Hoje, dia de sair de casa até um pouco mais longe. Andar um pouco mais do que apenas uma volta ao quarteirão.

Ver o mar, que há muitos meses não via. Desde antes destes novos tempos. Mesmo com o mar aqui tão perto.

Sentir o sol tocar na minha pele como há muito tempo não sentia. Recarregar um pouco de vitamina D. Activar um pouco a melanina.

Curiosamente não me lembro de ouvir o som do mar… Nem de sentir o seu cheiro. Só me lembro de estar preocupada com a quantidade de gente que estava no paredão.

Vai ser um estranho Verão, o que se aproxima. Como, aliás, têm sido os últimos dois meses.

Agora, é tentar aproveitar os dias de semana depois do trabalho que acaba cedo para desconfinar gradualmente e tentar ganhar coragem para voltar ao paredão. Voltar a ver o mar. E captar-lhe o som e o cheiro. E, quem sabe, até senti-lo em breve.

Vai correr tudo bem. Tem que correr tudo bem.

{#137.230.2020}

Um dia azul lá fora, um dia perdido cá dentro. Voltar a acordar em fuso horário dos dias de semana, várias horas antes do despertador tocar e uma dor de cabeça que se instalou logo ao acordar e ficou até ao fim do dia.

Mais um dia perdido, mas de necessário descanso.

Dizem que amanhã também será azul. E será melhor do que o dia de hoje.

{#136.231.2020}

Os dias são todos iguais. Mas depois há pormenores que marcam a diferença.

Como o correio em tempo de pandemia. Um postal peregrino que demorou 2 meses a chegar ao destino, mas que chegou finalmente. E era o mais esperado. Outro postal que chegou de surpresa mas ainda assim demorou 2 semanas, mesmo em correio azul, para me lembrar quem sou. Quem já fui. Quem era. Quem, no fundo, ainda sou.

Sim, os dias são todos iguais. Mas os pequenos pormenores fazem toda a diferença.

{#135.232.2020}

Um dia o corpo tinha que ceder ao cansaço do acumular de noites mal dormidas e despertares a horas impróprias. E esta tarde cedeu.

Felizmente o fim de semana está a chegar. É aguentar até lá para poder descansar.

Estou tão cansada… De tudo.

{#134.233.2020}

Tenho que conseguir sair da minha zona de conforto e começar a fazer diferente nos finais de dia… O marasmo é demasiado confortável e, consequentemente, perigoso.

Por outro lado, tenho saudades de ter a casa cheia com os Meus Dois, os Meus Tudo.

Sinto-me demasiado cansada… Seja para o que for.

{#133.234.2020}

Uma sombra. Do que fui ou do que serei? Só o Tempo o dirá.

Por agora tento seguir o meu caminho, um dia atrás do outro atrás do um. Vivendo o aqui e agora. Porque se antes não valia a pena ter pressa, agora não há sequer motivo para a ter.

Mas eu tenho alguma… Tenho pressa no regresso à normalidade, mesmo sabendo que isso nunca irá acontecer.

O que serei daqui a um tempo não sei. E às vezes penso que não sei o que sou agora. Sei apenas que tudo isto me assusta e preocupa.

E sei, também, que o meu isolamento habitual não me preparou para o distanciamento. E tudo aquilo que o distanciamento leva. Porque trazer, não traz nada de bom.

Um dia. Atrás do outro. Atrás do um. Sem pressa. Mas com tanta vontade de fazer acelerar o Tempo. Para descobrir o que guarda a sombra de hoje.

{#132.235.2020}

Estou cansada do isolamento imposto, do confinamento, da quarentena, do que lhe quiserem chamar. Tenho saudades da vida normal, mesmo que não fosse assim tão diferente do que é agora.

Estou cansada de não ter uma noite de sono inteira, sem acordar porque sim.

Estou cansada disto tudo. Mas ainda agora começou…

Tenho saudades de participar em algo colectivo, mas um colectivo com proximidade social. Não este colectivo de confinamento e distância social.

Estou cansada. E um dia quebro. Não hoje, não agora. Mas um dia irei quebrar.

Até quando irei aguentar a distância…? E o que é que a distância ainda vai trazer? Mais afastamento? Mais “nadas”?

Estou cansada.

Muito cansada.

{#131.236.2020}

Chegaram os pesadelos.

Mais uma noite mal dormida, mais um dia estranho. Mas que deu, pelo menos, para descansar.

{#130.237.2020}

Acordar em fuso horário de trabalho a um sábado, 3 horas antes do despertador. Ninguém merece.

Lá fora, chuva e vento. Num momento o Sol a tentar espreitar.

Voltar para a cama 5 horas depois de acordar, conseguir dormir 2 horas.

Sair de casa, agora com Sol, para uma volta no bairro e uma ida à mercearia.

Voltar para casa para não fazer nada.

Um dia perdido, sem fazer nada de jeito. Eu detesto perder dias. É o mesmo que perder tempo. E eu não tenho tempo para perder Tempo.

Amanhã será melhor. Espera-se uma noite melhor. Ou, pelo menos, deseja-se uma noite melhor.

Já as tive piores. Em que não dormia, ou dormia demasiado tarde. Agora durmo cedo e acordo várias vezes.

O não dormir uma noite inteira é o que mais me tem incomodado nestes novos tempos. O não sair de casa não me faz muita diferença. Faltam-me apenas duas coisas: algumas pessoas e uma noite inteira de sono sem acordar.

Amanhã será melhor. Irei fazer com que o dia não seja perdido completamente. Ou, pelo menos, irei tentar.

De resto, foi só mais um dia. De tempo perdido. E eu não tenho tempo para perder Tempo.

{#129.238.2020}

Sexta feira. O dia que tardava em chegar. O dia em que, noutros tempos, me deitava mais tarde. Mas agora a acordar mais cedo não há corpo que aguente o ficar acordado até mais tarde.E o que fica do dia de hoje? Nada, mais uma vez. Digno de registo, pelo menos, porque houve direito a alguma risota entre duas pessoas que sabem brincar. E isso é tão importante, especialmente nos dias que correm. É preciso brincar e rir para esquecer por momentos que o Mundo inteiro está seriamente doente. E que pouco ou nada voltará a ser como antes.Continuemos a brincar e a rir. É isso que faz os dias valerem a pena.

{#128.239.2020}

Sem nada a registar, apenas mais um pequeno nada que de tão pequeno não passa disso mesmo: nada.

O distanciamento vai levar ao afastamento, cada vez tenho menos dúvidas disso. Porque o normal não vai voltar e nada vai voltar a ser como antes. Não vão voltar os cafés nem as esplanadas nem os jantares. Nem vão voltar tão cedo as actividades que já foram minhas e que recuperei de certo modo nos últimos anos.

O distanciamento vai trazer o afastamento. Como já está a fazer. E isso vai custar-me mais do que algumas pessoas possam imaginar.

Vai correr tudo bem? Não, não vai. Vai correr como tiver que correr. Mas pouco ou nada voltará a ser como antes.

Pedi tanto para que ninguém soltasse a mão de ninguém. E houve quem não tivesse ouvido.

{#127.240.2020}

Mais um dia. Menos um dia.

Igual aos últimos. Sem me dedicar a nada de especial para lá do trabalho.

Os dias já eram todos iguais, agora são ainda mais iguais por muito diferentes que sejam.

Dizem que é o novo normal. E eu, que não sou normal, não gosto do normal. Fora da norma, sempre. Mas não era preciso ser tão fora.Um dia talvez isto melhore, porque passar nunca vai passar. Agora é aprender a viver com a nova realidade, que ainda me custa a acreditar que seja realmente real. Ainda não me habituei. Não sei se algum dia me irei habituar.

Agora é viver o momento. Voltar ao mantra de há uns anos: o aqui e agora. Amanhã? Logo se vê. E quem sabe sequer se lá chego.