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Há dias em que a vontade é de baixar os braços e quase voltar a olhar para o chão. Recuso-me, no entanto, a voltar a olhar para o chão, mesmo que baixe os braços por momentos.

Hoje é um desses dias.

Já sabia que estes novos tempos não iam ser fáceis. Os mais fáceis foram os primeiros dias de confinamento, em que o factor novidade ainda prevalecia. Mas agora o distanciamento já pesa. E se a isso juntar a minha memória de calendário, Julho que se aproxima a passos largos promete vir a ser duro.

Já o disse antes, várias vezes, mas repito: estou cansada. E sinto-me demasiado sozinha. Não o estou, mas sinto-me assim. Sozinha. Sem ver ninguém que não os vizinhos habituais. Fazem-me falta os outros, mais ou menos assíduos, mais ou menos presentes, mais ou menos próximos.

Preciso de encontrar fórmulas para superar mais este desafio. Não está a ser fácil. Mas vou ter que o superar.

Por enquanto tento dar a volta de todas as formas que me lembro. Mesmo que a vontade seja a de baixar os braços e desistir.

Não me vou permitir descarrilar. Mas pouco falta. Por vezes apetece chorar baixinho e em silêncio, mesmo sem ter motivos para chorar. Mas a vontade aparece de vez em quando.

Não posso. Não posso deixar de acreditar que vai correr tudo bem. Porque tem que correr bem.

Agora é esperar que a vontade de baixar os braços e olhar para o chão desapareça e que a vontade de deixar cair uma lágrima não se instale.

Já sobrevivi a desafios mais difíceis. Vou ter que sobreviver a este também.

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