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Não sair de casa o dia todo nem sempre é bom, nem sempre faz bem. Especialmente quando se está de férias. É um dia perdido. E eu não gosto de perder dias.

Para minimizar o estrago, faço render o meu tempo da melhor forma. A retomar velhos hábitos usando velhas ferramentas.

Hoje foi dia de voltar às costuras para fazer algo que há já algum tempo queria fazer. Troquei o calor da praia pelo calor na varanda enquanto cosia.

Mas nem durante esse tempo me esqueci que há silêncios que me doem.

Dou espaço aos silêncios, todos eles. Têm razão de existir e a mim resta-me aceitá-los e respeitá-los. Gostava que não existissem, é verdade. Mas não me posso esquecer que o silêncio também é uma resposta. Poderosa. E é essa resposta que me custa a aceitar. Mas aceito porque já conheço as regras do jogo, aquele jogo que perdi logo à partida.

Talvez um dia deixe de jogar. A derrota já aconteceu, não sei porque insisto em querer jogar.

Talvez um dia me distancie de vez. Por agora vou dando espaço, mesmo que a ausência não seja notada, não faça diferença.

Tudo isto custa. E por isso tento ocupar-me de forma a conseguir ocupar a cabeça, já ela preenchida com memórias e o calendário sempre numa presença que grita.

Estamos em Julho. Já não era fácil lidar com Julho. Agora tenho que lidar também com os silêncios que me doem.

Amanhã vai ser melhor. Vou obrigar-me a sair de casa. Vou até à praia. Vou jogar o corpo no mar. Sentir o sal e o Sol na pele. Vou tentar ocupar a cabeça de outra maneira. Porque o que fiz hoje na máquina de costura ficou concluído. Só me resta procurar novas formas de me ocupar e não desperdiçar os dias de férias que ainda tenho.

Amanhã vai ser melhor. Vai ter que ser melhor.

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