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E tu, lembras-te onde estavas há um ano a esta hora?

Eu lembro-me. A esta hora ainda estava em casa, à espera do final de um jogo de futebol. À espera, como sempre. Começou a ser hábito, logo desde o primeiro dia. Mas nunca me queixei por essas esperas, ainda que algumas tenham sido ao frio, muito frio.

Há um ano esperava para poder ter a conversa prometida poucos dias antes. Conversa que era necessária e que foi muito bem vinda. Porque me aconchegou depois de me ter exposto. E que me garantiu que nada iria mudar. E, um ano depois, posso garantir que nada mudou.

Foi também nessa conversa que o meu gut feeling começou a dar sinais mais fortes de que as coisas ainda vão mudar. Para melhor, claro. Porque para pior já sabemos que não mudaram nem mudam. Logo nessa altura me dizia, quase num sussurro de alma, que iria demorar algum tempo até mudar. Nunca pensando que pouco tempo depois teríamos que nos fechar em casa e esquecer a presença física do outro… E só com essa proximidade é que é possível as coisas mudarem. Ou, pelo menos, avançarem nesse sentido.

Sinto, um ano depois, que realmente as coisas não mudaram para pior. Aliás, sei que não. Mas há dias em que quase parece que avançam. Devagarinho, porque não dá para ser de outra forma. Mas sim, quase parece que vão avançando. Só falta mesmo a proximidade, a presença física.

Já passou um ano e há uma pergunta que ficou por fazer. E que já não faz sentido ser feita. Mas há uma certeza que fica: é por ali o meu caminho. Ainda vai demorar, claro. Mas é por ali o meu caminho.

Sim, é por ali. E ali vou ser feliz. Ali onde, na realidade, já sou feliz. Só porque ali existe. E só isso já é tão bom. E sim, ainda tenho borboletas na barriga.

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