Monthly Archives: May 2022

{#139.227.2022}

Parar todos os dias um bocadinho. Para pensar, para respirar, para observar, seja para o que for, mas parar todos os dias um bocadinho, sempre.

Cansada, claro, mas estranhamente não exausta. É uma quinta feira que me faz sentir numa terça. E as últimas terças sentiram-me sexta, de tão cansada.

O retorno matinal do porto de abrigo, uma breve e rápida espécie de conversa, ou simples troca de palavras, já não sei se lhe posso chamar de conversa quando é tão fugaz… Mas sabe sempre bem ter retorno daquilo que nos sabe e faz bem. Um dia deixa de haver, eu sei. Faz parte. E talvez por isso me agarre ao pouco que tenho que sabe a tanto.

E a tempestade perfeita que ressurge, também de forma rápida, e que justifica a ausência, ou parte dela.

É uma confusão, é o que é. Mas, seja o que for, tanto num caso como no outro as expectativas são as mesmas: zero. Ou um bocadinho menos, até. E é a melhor defesa que posso oferecer a mim mesma. Só assim não me vou magoar. Low expectations. O menos possível. E sempre, sempre!, um dia de cada vez. Porque todos os dias pode haver novidades, alterações ou simplesmente ausências.

É um jogo, o da tempestade perfeita. É um nada, o porto de abrigo. É uma confusão, o que vai na minha cabeça.

O melhor? É não pensar. Porque, sei, se pensar vou acabar por pensar demasiado e vai acabar por sair asneira, daquela asneira tão distante da realidade. O que tiver que vir, venha. Num caso ou no outro. Já desisti de correr atrás seja do que for. Deixo que aconteça o que tiver que acontecer. E, se não acontecer, é porque não era para ser.

Muito cansada. Mas amanhã será melhor, nem que seja só por ser sexta feira. E depois de amanhã vou, finalmente, poder descansar. Porque o porto de abrigo vai estar lá, no sítio dele, e a tempestade perfeita, apesar da distância mais curta, vai de certeza manter-se longe.

Seja. Encolhendo os ombros. E sorrir e acenar. Estou aqui. Quem quiser, sabe onde e como me encontrar. E quem não quiser também.

{#138.228.2022}

Quarta feira e o teletrabalho. E a vontade de continuar a trabalhar em casa. E a não poder continuar… Custa-me, muito, perder três horas por dia em deslocações e dormir menos duas horas do que se trabalhasse em casa. Mas se tenho que voltar ao local de trabalho, seja. Fazer o quê? Ir, apenas.

Trabalhar em casa permite-me, também, ter tempo para um café na esplanada depois do trabalho. A mesa? Continua a ser para um. Nem tempestade perfeita, nem porto de abrigo. Nem presencialmente, nem à distância…

Eu já devia saber que, quando é bom, é de desconfiar…e estava a ser bom. Ou, pelo menos, interessante. Era algo que prometia muito, mas eu já não acredito em promessas há muito tempo. E agora é o que se vê. Ou melhor, não vê. Porque, para se ver, tem que estar presente. E já não está. Se é que alguma vez esteve, na verdade.

Uma relação à distância é possível? Talvez seja. Desde que ambas as partes estejam presentes. Desaparecer não pode fazer parte do jogo. E para mim não faz.

O jogo parou. Se está em pausa ou se acabou? Não sei, o tempo o dirá. E eu não sei se é para continuar, se estiver em pausa.

Vamos ver…

Mas, entretanto e apesar de tudo, continuo a olhar para cima. Não há razão para ter os olhos no chão. Nem vontade, para ser honesta. É olhar para cima e seguir em frente. E manter o foco onde sempre mantive, mesmo que agora já um bocadinho mais distante: no porto de abrigo.

A mesa do café continua a ser para um. Mas há sempre, continua a haver, mais uma cadeira disponível. Senta-se quem quiser. Quem não quiser não é obrigado a sentar-se.

{#137.229.2022}

Terça feira e, não sei se novamente ou se ainda, o cansaço extremo. Um dia recupero…

A reter: no answer is also an answer. Vale o que vale? Pois. Mas o silêncio também fala. E diz muito.

Encolho os ombros mais uma vez. Denominador comum? Eu. A não esquecer. Como poderia? Não dá…

Mas há retorno. Do porto de abrigo, mesmo que de forma quase fugaz. Mas há. E gosto muito que haja.

Porto de abrigo versus tempestade perfeita? Já não sei o que é melhor. Sei apenas que o silêncio pesa e o retorno sabe sempre muito bem.

É o que é, num caso ou no outro. E seja em que caso for, não me posso esquecer do mais importante: eu. O resto vem depois.

Há retorno fugaz? Há. Há ausência e silêncio? Há. Um dia acerto. E pensava (penso?) que já tinha acertado.

Enfim…demasiado cansada para reflexões que façam sentido. Amanhã será melhor. Agora vou dedicar-me ao mais importante: a mim.

{#136.230.2022}

Segunda feira e começo a semana a, mais uma vez, sair mais tarde do trabalho. Segunda feira e começo a semana, mais uma vez, exausta.

Há muito tempo que não sentia vontade de chorar. Hoje senti. Sem outro motivo que não, apenas e só, o cansaço. Que começa a ser extremo. Por isso hoje desligo cedo.

O porto de abrigo que vai dando um bocadinho de retorno. A tempestade perfeita que, pelos vistos, desapareceu da mesma forma que apareceu: de repente. E eu encolho os ombros e sigo. A custo, mas apenas um custo físico porque o cansaço é muito. Mas sigo. Neste momento já não quero saber. O que tiver que ser, será. E o mais certo é que, num caso ou noutro, não era para ser.

Encolho os ombros. E sigo. Neste momento, o mais importante sou eu e a necessidade absoluta de descansar. Dormir cedo. Dormir já. É cedo? É. Ou é um cedo relativo. Mas é só o que preciso agora. Dormir cedo.

Amanhã? Logo se vê. E volto a encolher os ombros.

{#135.231.2022}

Dia de consulta com o terapeuta fofinho. E hoje posso dizer: que consulta! Há muito tempo que não pegávamos num tópico tão cheio como hoje. Tanto que a consulta foi para lá da hora. E só não foi mais para lá da hora porque ele não podia. Porque sei que, com ele, não é difícil ficar para lá da hora prevista. Ainda me lembro, no início, que chegámos a ter sessões de 2 e até 3 horas. Muito para lá daqueles 50/60 minutos previstos. E horas que não dávamos por passarem. É sempre assim quando a conversa é boa, mesmo que por vezes seja dorida.

Hoje não foi dorida. Ou, pelo menos, não muito dorida. Até porque já foi uma conversa repetida, já tínhamos pegado neste tópico antes. E provavelmente iremos pegar novamente. Relações. E o porquê de eu não as ter para lá da amizade. Porque não passam disso. E, das poucas, raras, vezes que as tive, correram mal. Brinco com esse facto de vez em quando e costumo dizer que é falta de pontaria. Mas hoje, mais uma vez, disse que todas as minhas relações têm um denominador comum: eu.

Sou eu. O problema sou eu. Não sei porquê, não sei sequer tentar explicar. Mas eu sou o único elemento comum. Por isso o problema tem que estar em mim.

Claro que ele diz que não, que numa relação há sempre duas pessoas, yadda yadda yadda. E eu sei que tem razão em muita coisa do que me diz. Mas depois páro, olho, analiso e lá estou eu. Numa relação? Não. Sozinha. Porque cada vez mais acho que, de facto, o problema sou eu.

E estou cansada disso. De estar sozinha e de ser o problema, o denominador comum.

Se calhar é o cansaço a falar mais alto. Já o disse antes: o cansaço deixa-me mais frágil e vulnerável. E os pensamentos intrusivos aproximam-se e entram e instalam-se e incomodam. Mas aliado ao cansaço vêm também os factos, os dos últimos quatro anos e meio e os dos últimos dias. Nem porto de abrigo, que já sei que não leva a lado nenhum e que é o que é, nem tempestade perfeita que se foi aproximando e de repente desapareceu… Haverá motivos para isso, não duvido. Mas, lá está, tanto num caso como no outro, há um denominador comum: eu.

E se num caso luto todos os dias para me ir afastando devagarinho, no outro estava a gostar da aproximação. E via alguma coisa lá mais à frente. O quê, não sei. Mas cheguei a acreditar que alguma coisa iria acontecer de bom e diferente, mesmo com o factor distância pelo meio.

Não sei…se calhar são filmes na minha cabeça. Eu, borderline, a fazer filmes na minha cabeça desde sempre. Porque é que neste caso havia de ser diferente?

Cansada. De estar sozinha. Cansada fisicamente. Mas com vontade de esclarecer hoje essa súbita ausência. Não vai acontecer, de certeza. Mas fica a vontade. Para saber em que pé estou e o que esperar daquilo que nem eu sei se quero mas cuja aproximação me agrada e me obrigou a agir.

Sei exactamente o que quero: não estar sozinha. Mas também sei o que não quero: estar sozinha.

E estou.

Denominador comum: eu.

Um dia talvez fique melhor. E talvez sozinha seja o que me espera mesmo…

{#134.232.2022}

Estou cansada de estar sozinha. De me sentir sozinha.

E o porto de abrigo é isso mesmo, é sentir-me sozinha. Porque o estou, de facto.

Talvez por isso me esteja a deixar levar pela descoberta da tempestade perfeita.

Mas, esta semana, até essa descoberta, essa tempestade perfeita, me deixou novamente a sentir sozinha. Sei também que, no que tem sido planeado, que é maior que eu, a promessa é que não fico sozinha. Sei que, por um lado, isso é verdade, nunca mais estaria sozinha, mas por outro lado é provável que ficasse mais sozinha do que nunca, especialmente por ser algo que se deseja acontecer a dois.

Sim, sozinha é como me sinto. Sozinha é como estou. E desconfio que é sozinha que estarei sempre. E não gosto de sentir isso. Estou cansada de estar sozinha. De me sentir sozinha.

Deixarei algum dia de sentir-me assim? Não sei. Sei apenas que é algo que sinto desde sempre e que conheço tão bem. Tão demasiado bem. E nunca gostei de o sentir…

Amanhã é dia de consulta com o terapeuta fofinho. E irei voltar a pegar neste tema que já falámos mas não aprofundámos. Gostava tanto de entender porque é que este sentimento é tão recorrente… Ou será que é apenas o reflexo da realidade?

Porto de abrigo não me leva a lado nenhum e faz-me sentir sozinha. Tempestade perfeita tem um potencial de destruição muito grande mas promete mudanças…mas nem por isso deixo de me sentir sozinha.

Se calhar é o cansaço a falar, mais uma vez. Porque continuo muito cansada apesar do dia ter sido muito tranquilo e lento, praticamente parado. Mas o cansaço deixa-me mais frágil e vulnerável. E os pensamentos intrusivos, como este da solidão, entranham-se em mim mais facilmente. E não podem.

Sei que não devia, ou não devo, não posso, depender de ninguém para me sentir bem, para me sentir melhor. Tem que partir de mim. Mas também é de mim que parte este sentimento de solidão. E a solidão só se extingue com a acção dos outros. Não com a reacção, mas com a acção. E, voltando a comparações que não deviam existir, o porto de abrigo não é mais do que reacção enquanto a tempestade perfeita é acção.

E eu quero muito deixar-me levar pela acção…

{#133.233.2022}

Sexta feira. À noite. Sem necessidade de ligar o despertador para amanhã. Aquele momento por que eu tanto esperei esta semana.

Muito cansada. Comecei a semana assim, cansada. À terça feira já estava exausta. Como não estar cansada à sexta depois disso?

A semana, ainda assim, passou a correr. Tão a correr que agora mesmo cheguei a pensar, enquanto escrevia, que não podia ser sexta, de certeza que ainda era quinta… Mas não, é mesmo sexta feira e amanhã o despertador não toca. Sei que o mais certo vai ser acordar cedo, como tem vindo a ser hábito ao sábado. Vou acordar com fome, claro. Mas depois de tomar o pequeno almoço volto para a cama. Está prometido a mim mesma.

Planos para o fim de semana? Descansar o mais possível. Estudar o que conseguir. Ficar em casa porque sim e porque não me apetece ir a lado nenhum. Fazer do Sábado, o dia mais aborrecido da semana, um Sábado de recuperação. Porque preciso, muito, de descansar…ou não vou aguentar.

Afasto-me um bocadinho. A tempestade perfeita e o porto de abrigo podem esperar. Seja como for, não vai fazer diferença. Tanto num caso como no outro.

A distância pode ser tramada, porque leva a que a ausência tenha outro sabor. Leva à dúvida, à insegurança. A minha insegurança, claro. Quando nem devia haver lugar para ela. Não quando as regras do jogo são claras. Mas a insegurança alimenta-se da ausência. Tanto num caso como no outro. E não devia. Eu já devia saber lidar melhor com ausências. Mas não sei, continuo a não saber.

E a distância…uma mais perto, a outra realmente longe. Uma que facilmente podia ser quebrada, e aposto que quebro a distância longínqua mais depressa. Lá está, promessas. Daquelas que não passam de palavras que não são sentidas. Daquelas em que já não acredito há muito tempo. Mais depressa se aproxima a tempestade perfeita que vem de longe do que se faz presente o porto de abrigo que está tão perto.

Enfim. É o que é. Sei que mereço mais que as ausências e as distâncias. Mas gosto que aconteçam, é sinal de que existem. São reais. E dão algum sentido aos meus dias que são apenas de trabalho e não deviam.

Muito, muito cansada. Não posso, quando estou assim, pensar muito. Porque o muito transforma-se em demasiado. E eu sou naturalmente uma overthinker. Cansada consigo ser ainda pior. Mas desligar o chip não é fácil. E por isso mesmo para hoje já não espero nada…ou, pelo menos, é o que repito para mim mesma enquanto continuo à espera de uma presença que encurte a distância.

Mas, pelo adiantado da hora, o melhor mesmo é já não esperar nada e ir dormir. Porque o sono é muito e preciso tanto de o fazer.

Mas não quero…quero esperar “só mais um bocadinho”. Para nada, já sei. Mas espero mais um bocadinho.

Amanhã? Logo se vê. Mas a prioridade é descansar. O mais possível. Amanhã a prioridade sou eu.

{#132.234.2022}

Quinta feira e a semana quase no fim. Cansada, claro. Já não sei estar de outra forma. Mas Sábado está quase a chegar.

A tempestade perfeita que se fez presente, o porto de abrigo que deu sinal. E eu que já não sei o que fazer. Se me deixo ao sabor do vento ou se permaneço sem sair do lugar…

Mas hoje já não vou pensar mais nisso. Deixo para amanhã. O importante agora é pôr-me em condições para mais um dia.

{#131.235.2022}

Quarta feira, dia do meio, dia nim, nem não nem sim. E o cansaço. Muito cansaço. Mas ligeiramente melhor que o estado de exaustão de ontem.

Retorno matinal do meu porto de abrigo. Até ver, silêncio e distância da tempestade perfeita.

E é isto. É basicamente a isto que se reduzem os meus dias para lá do trabalho. Mas o que me está a preocupar realmente é o estado de cansaço extremo em que ando. Eu sei que durmo mal, sei que acordo muito cedo, passo mais de três horas por dia só em deslocações, adormeço mais tarde do que devia. Mas mesmo assim… Não gosto de me sentir assim e muito menos sem perceber porquê. Será, talvez, a minha hipocondria a falar, claro. Mas mesmo assim…

Já só faltam dois meses para as minhas merecidas férias. Vamos ver como corre esse tempo até lá. Vai ter que correr bem. Vou ter que reajustar horário de ir dormir, por muito interessante que a conversa possa ser. Simplesmente porque, por algum motivo, não aguento o cansaço que carrego.

Hoje volto ao ritual nocturno, há muito tempo que não me dedico a deixar uma simples mensagem de boa noite. Não porque não me faça sentido, apenas porque decidi, com a aproximação da tempestade perfeita, afastar-me um pouco do porto de abrigo. E não posso. Corro o risco de perder o pouco que ainda tenho, e isso não quero.

Não sei no que vai dar esta confusão da tempestade perfeita, só sei que não posso perder a tranquilidade do porto de abrigo. Aconteça o que acontecer, não posso. Nem quero.

Se o ritual nocturno vai ter retorno? Curiosamente acho que não. Mas é o que é. E fica o meu gesto registado. E só isso me importa. Porque me faz sentido. E me faz bem.

Hoje chega. O cansaço é muito. O sono também, especialmente por ter acordado uma hora antes do despertador tocar depois de mais uma noite interrompida. E depois acho estranho o cansaço…enfim. Encolho os ombros e sigo para mais uma noite que logo se vê como vai correr.

Amanhã será melhor. Mais cansada, provavelmente. Mas será melhor. Simplesmente porque eu quero que assim seja.

{#129.237.2022}

Começo a semana cansada e sem saber muito bem porquê. Afinal, não adormeci demasiado tarde, não fiquei na conversa até depois da hora, descansei no fim de semana, a noite não foi muito diferente das anteriores, apenas acordei meia hora mais cedo do que era suposto.

O corpo, esse, está cansado. E dá sinais de que algo não está a 100%. Talvez seja apenas o início da mudança…

Há mudanças que não podemos evitar, por muito que não as queiramos. Porque são biológicas. Mais do que apenas físicas. São daquelas mudanças inevitáveis, que sabemos que vão acontecer mas para as quais nunca se está preparada. Eu sei que não estou…mas desconfio que essa mudança está mais próxima do que eu gostaria.

Não estou preparada hoje, como não estava preparada há 35 anos aquando da primeira grande mudança. São etapas, dizem. São marcos. Sei que não sou grande fã de mudança, mas desta em especial não sou mesmo. E não a quero. Não já. Não ainda…

Logo agora que há planos, que há sonhos que não sei se quero seguir, logo agora…agora não. Não quero isto que nem sei se já está, de facto, a chegar. Simplesmente não quero.

Quero continuar a ser uma miúda, com tudo o que isso implica. E sinto-me a ser obrigada a crescer à força.

Não, não estou preparada. Nem quero estar, apesar de saber que tenho que me preparar. Pelo menos psicologicamente tenho que me preparar. E não sei como fazê-lo.

Se estou assustada com tudo o que essa mudança implica? Estou. Já tinha sido chamada a essa realidade, a essa proximidade e não gostei. Lembro-me que na altura não gostei nada por achar que ainda estaria longe. Mas hoje, porque algo me faltou e falta há uns dias, caiu-me a ficha de que, afinal, pode estar mais perto do que esse longe que eu quis que fosse verdade.

Não. Não estou preparada. Não quero esta mudança. Mas não a posso evitar…e isso, a simples ideia da proximidade, não me está a fazer bem. Está a deixar-me muito desconfortável porque estou a ver o tempo passar demasiado depressa e o meu tempo a terminar…

Não. Não está a ser fácil. Não agora. Não já. Não ainda…

Não quero. Mas não há como evitar…

{#128.238.2022}

Domingo com sabor a Domingo? Mais ou menos…

De manhã, a consulta semanal com o terapeuta fofinho. Almoço com os sobrinhos. Descansar um bocadinho entre a consulta e o almoço, depois de ter acordado duas horas antes do despertador tocar. Ganhar coragem para me dedicar ao estudo…

Conseguir terminar um capítulo monótono, daqueles cheios de alíneas, que são demasiadas até para as contar, de um assunto que tenho que ficar a conhecer mas que me vai servir de zero.

De manhã, um retorno que surpreende apesar de ter sido eu a quebrar o silêncio. Surpreende apenas pela iniciativa de, mais uma vez, me falar num jantar que tarda em acontecer. Mas já não espero ou antecipo. Só quando estiver de facto marcado é que as borboletas na barriga se devem manifestar. Por agora é só mais uma promessa. E eu não acredito em promessas embora cumpra as minhas. Mas é o retorno possível de um porto de abrigo que não leva a lado nenhum…

E a ausência da tempestade perfeita. Que não incomoda mas, percebo agora, gera alguma ansiedade. Ansiedade que não tem razão de existir porque não existem borboletas na barriga neste caso. Mas existe, sempre e em qualquer caso, o medo da rejeição. Que aqui não faz sentido, a menos, claro, que se tenha uma perturbação de personalidade borderline. E eu tenho. E, mesmo não acreditando em promessas, neste caso há muitas. E planos que não faço, não quero fazer, mas que estão a ser feitos por mim sobre algo que me é sensível e é maior do que eu. E muito maior do que um simples jantar…

Enfim…o fim de semana terminou e eu continuo cansada. Vai ser uma longa semana outra vez. Mas vai ser boa. Porque eu quero que o seja. E é isso que importa.

O resto? O retorno ou as ausências? O porto de abrigo ou a tempestade perfeita? São o que são e não posso permitir que me condicionem.

A vida segue. E eu estou a dar uma oportunidade à vida. Vamos ver como corre…

{#127.239.2022}

Sábado, dia de sobrinhos e calor. Manhã de praia, claro. Primeiro dia de pé na areia e Sol na pele. Não houve coragem para corpo no mar.

Muito cansada. Duas horas de cama depois de almoço para recuperar de uma semana intensa e preparar-me para estudar. Há muitos anos que não estudo, não sei se ainda sei como se faz para além de ler manuais. Mas desta vez, mesmo que não apeteça entrar em Ordenamento Jurídico que dá muito sono, vai ter que ser. Dia 12 de Julho vai ter que correr bem. Só pode correr bem, não há outra hipótese. Se mexe com a ansiedade? Mexe. Muito. Já sei, por experiência, que quanto mais próximo da data, mais vai mexer. Por isso mesmo tenho em papel um curso inteiro que é para fazer online no local de trabalho. Sendo que em horário laboral não dá para aprender muito, porque as condições são perfeitas para me desconcentrar. Se até em casa, em papel, me desconcentro, online e com demasiado ruído à minha volta não dá para assimilar tudo o que preciso de saber. Vamos ver…

Ainda o silêncio do porto de abrigo, que me faz falta e deixa saudades. E me entristece. Mas, não posso esquecer-me, é o que é. A lista de prioridades está bem definida e aceite e eu não faço parte dela. Siga. Um dia destes quebro o silêncio, só porque sim e para confirmar que está tudo bem.

A tempestade perfeita um bocadinho mais ausente também. Mas essa ausência não me preocupa nem entristece. Simplesmente sinto falta dessa presença que tem sido constante nas últimas semanas. Mas não cobro nem ressaco.

Enfim. É tudo muito “é o que é”. E é só isso mesmo. Um dia aprendo a lidar com isso. Hoje ainda não é o dia. Mas um dia chego lá.

Ainda é cedo, mas sinto-me cansada e não sei se volto ao Ordenamento Jurídico para adormecer mais depressa ou se opto por pegar nele amanhã com a cabeça mais fresca para conseguir avançar. Sei apenas que me apetecem retornos de porto de abrigo que não tenho…

Amanhã será melhor. Ainda hoje é sábado, amanhã é dia de consulta com o terapeuta fofinho, vai ser um bom dia.

Por hoje chega…

{#126.240.2022}

Sexta feira e pensei que nunca mais cá chegava. Tão cansada…não posso continuar a ir dormir tarde todas as noites. Mas é mais forte que eu…

Sexta feira e nem porto de abrigo nem tempestade perfeita. Sem sinais de nenhum dos dois jogos. Silêncio. E é tão estranho esta espécie de vazio. E se o silêncio da tempestade perfeita não magoa, no caso do porto de abrigo dói. Muito.

Enfim. É o que é. Tanto um caso como o outro, apenas é o que é. E tenho que me habituar a isto. Ao silêncio. À ausência. E à distância, mesmo que sejam duas distâncias tão distintas, tão diferentes.

Aproveito para descansar. E preciso tanto de o fazer.

Amanhã será dia de sobrinhos que ainda chegam hoje. E para eles preciso de ter alguma energia. Para os sentir e saborear. Por eles? Tudo. Para eles? Tudo também.

Mas o silêncio das distâncias bem que podia ser quebrado…mas não o será por mim.

{#125.241.2022}

Mais um dia muito cansada…dormir mal, culpa de noites interrompidas, mesmo quando adormeço relativamente mais cedo, não está a ser bom. O corpo exige descanso e não tem. Ou horas de sono recuperadoras. Que não existem. Falta muito para sábado?

Continuo com saudades, claro, mas mantenho a distância. Disponível, sempre, mas mais ausente. Se quiserem, sabem onde me encontrar. Afinal, não mudei para o outro lado do mundo. Continuo exactamente no mesmo sítio. E tão fácil de encontrar hoje como desde o primeiro dia há 4 anos e meio. Um dia alguém vai dar pela distância, pela ausência. E a minha resposta vai ser que continuo no mesmo sítio… Quem quiser que se toque.

Não estou chateada, porque não há motivos para isso. Triste? Talvez um pouco, fruto das minhas próprias expectativas. Altas, como sempre. E isso não é bom para ninguém.

Por outro lado, a tempestade perfeita continua por perto. Como se nada fosse, mas com planos que eu sempre quis fazer. A dois, quando os fiz tantas vezes sozinha, durante tanto tempo. Até que correu mal, ou correu como correu. Encolho os ombros para já. Mais para a frente logo se vê.

Deixei de fazer planos há muito tempo. E agora que há quem os faça e queira fazê-los comigo é para mim novidade.

Mas por hoje não quero pensar nisso. Estou demasiado cansada. Quero apenas desligar, enroscar e descansar. Amanhã? Logo se vê se volto a pensar nisso. Nisso tudo que me tem preenchido os últimos dias. E é tanto…

Logo se vê… Por hoje? Por hoje já chega. Amanhã também é dia.

{#124.242.2022}

Quarta feira, dia do meio, dia nim, nem não nem sim. E o teletrabalho. Temporário, porque amanhã já não há, é dia de regresso ao escritório. Mas eu gosto mesmo é de trabalhar em casa. Não perder 3 horas por dia em deslocações, não andar metida nos transportes públicos, não ter que madrugar. Mas não pode ser, por isso siga.

E ainda a ressacar da segurança do porto de abrigo. Ausente eu, ausente o outro lado também. Se calhar faz parte. É mesmo assim que tem que ser, passar pela ressaca para finalmente desintoxicar. Não que alguma vez tenha sido algo tóxico, nunca foi. Muito pelo contrário. Eu é que tenho que desapegar, deixar ir. Como um vício, vai ser preciso tempo para a desabituação. Não está a ser fácil. Mas um dia de cada vez vou conseguir. Até porque (e não me posso esquecer) um porto de abrigo traz segurança, mas não leva a lado nenhum…

A tempestade perfeita está instalada. E, para além do inicialmente previsto, está a tornar-se algo mais sério. Com grandes implicações futuras, se isto se concretizar. Grandes mudanças para as quais não sei se estou preparada. Mas que já quis muito. Hoje não sei se ainda quero. Tenho medo? Claro que sim. Do que pode correr mal e até do que pode correr bem. É algo maior que eu e já sei, por experiência noutro tempo, que não posso passar por isso sozinha. Dizem-me que não ficarei sozinha. Mas a distância a isso obrigaria. E eu não sei…não sei mesmo se quero avançar ou sequer se consigo passar por isto que me está a ser proposto.

Enfim…num caso não posso fazer nada, no outro está nas minhas mãos. E eu estou no meio. Perdida, claro. Desorientada. Sem saber o que fazer. E sem conseguir falar com ninguém. Porque é algo demasiado meu. E a magnitude que tem assusta-me. Gostava tanto de uma conversa de raparigas para esclarecer ideias…

Vamos ver. Ainda vou a tempo de voltar atrás. Ainda é possível recuar. Mas a questão é: será que quero recuar…?

{#123.243.2022}

Às vezes, tenho saudades do porto de abrigo. Como agora.

Mas deixo que a tempestade perfeita se aproxime. Já sei o que me pode levar a algum lado. E não é a segurança do porto de abrigo…

Dar uma oportunidade à vida. Porque a vida segue…

{#122.244.2022}

Set boundaries. Criar limites. Valorizar-me. É necessário sempre. Mas especialmente no meio de uma tempestade perfeita.

Hoje foi o dia.

{#121.245.2022}

Dar uma oportunidade à vida. Aceitar o que a vida me dá.

Mas e quando o que a vida me dá é muito, quase demasiado, de uma forma absolutamente inesperada? Assusta. Muito.

Conheço as regras do jogo. Mas não sei se consigo jogar. Sei que não existe um prémio no final do jogo, mas o que me está a ser oferecido assim parece. Um prémio, uma recompensa. Ou será apenas uma troca? Não sei. E não sei se gosto de todas as regras.

Sei, sim, que está tudo a ficar demasiado pessoal. Quando não era suposto, começa-se a entrar em campos demasiado pessoais e sensíveis. E o que sinto sobre isso é tudo menos pacífico e claro. Estou confusa, muito confusa. Com vontade de dizer sim, já o tendo dito. Com vontade de esperar. Com vontade nem eu sei de quê.

Sei que uma tempestade perfeita mexe com muita coisa. Nunca pensei que mexesse com tanto. Só tenho medo, muito medo, do potencial de destruição que uma tempestade perfeita pode trazer.

O porto de abrigo? É só isso mesmo, um sítio de protecção. Mas que não leva a lado nenhum. E também ele, a outro nível, tem potencial destrutivo pela estagnação.

Enfim…nunca pensei estar onde estou hoje. E não sei mesmo se quero avançar ou recuar. Não sei mesmo. E é isso que me está a incomodar e a consumir. Porque uma tempestade perfeita tem tudo para correr mal.

Mas não pode…