Monthly Archives: June 2022

{#175.191.2022}

Sexta feira e as saudades de sorrir. Semana longa e pesada, complexa. Um turbilhão de emoções. Trabalho e pouco mais. Ou, para variar, nada mais.

É difícil silenciar a cabeça nas horas mortas. E, também por isso, aceito sempre quando me pedem para fazer mais horas no trabalho. É só mais uma hora por dia, mas sempre é uma hora em que a minha cabeça está ocupada. E, estando ocupada, não pensa em disparates, asneiras e dores. Porque ainda dói. Muito. Já passaram muitos dias desde aquele murro no estômago. Mas ainda dói.

Já pensei em procurar de novo a tempestade perfeita, agora que perdi o meu porto de abrigo. Talvez me reencontrasse a mim mesma. Mas se uma tempestade perfeita se afasta de um momento para o outro, se se remete ao silêncio e prefere a ausência depois de todos os planos que idealizou, quem sou eu para procurar novamente a inquietação?

Prefiro mil vezes um porto de abrigo que se desfez à instabilidade e incerteza de uma tempestade perfeita.

E a semana passou quando pensei que fosse demorar a passar. E a contagem dos dias até terça feira continua. E sempre aquela sensação de que terça feira vai chegar e não vai passar disso mesmo, mais uma terça feira que não aconteceu.

Espero tanto estar enganada. Quero tanto estar enganada. Quero muito que terça feira aconteça. Não sei para quê. Para uma conversa, eu sei. Mas que conversa? Falar do quê? Do que sinto? Do quanto me doeu aquele murro no estômago? Do quanto ainda me dói a ressaca? Para quê? Não sei… Sei que preciso dessa conversa. E que, se não acontecer agora, não vai acontecer nunca. E isso vai doer ainda mais. E durante muito mais tempo.

Tenho saudades de sorrir. Mas não tenho vontade de o fazer. E depois de terça feira vou continuar desse modo. Porque foram quatro anos e meio de dedicação a nada e a coisa nenhuma mas que me deu algum significado a cada novo dia. E agora essa dedicação fica sem rumo…

Um dia volto a encontrar-me. E volto a dedicar-me a alguma coisa como me dediquei este tempo todo a algo que sempre me fez bem. Sempre me aconchegou. E sinto falta desse aconchego diário. Muita falta.

Mas também a isto vou sobreviver. Não sei como. Um dia de cada vez. E um dia talvez deixe de doer.

Mas bolas…foram quatro anos e meio de algo que sinto de forma intensa, como sinto sempre. Quatro anos e meio de algo que trago comigo, cá dentro, em mim. E que todos os dias fiz questão de fazer presente de alguma forma.

Não foi suficiente. Ou será que eu é que não fui suficiente…? Não sei…

{#174.192.2022}

Perdi o meu sorriso. E, com ele, a vontade de sorrir.

Sempre fui uma miúda de sorriso fácil. Hoje não sou. Não tenho vontade de sorrir. Nem encontro, mesmo com retorno, motivos para sorrir.

Aquele murro no estômago foi tão mais do que um simples murro. Foi demasiado violento para ser só isso. Arrancou um pedaço de mim. Um pedaço grande, imenso, como acho que nunca me tinham arrancado.

Mas dizem-me que também a isto vou sobreviver. Não sei como o vou conseguir, mas é a única opção.

O tempo ajuda, sempre ouvi dizer. E já sei que sim, por experiência. Mas não invalida que não era nada disto que eu queria para mim.

Não outra vez…

{#173.193.2022}

Busy hands quiet the mind. E é disso que eu preciso agora. Nem que para isso fique, como fiquei, com bolhas nos dedos. De tanto queimar fios, queimo-me a mim também. De alguma forma, disfarça a outra dor que sinto…

Se é saudável? Não, não é. Se é intencional? Não. É resultado de um pedido de ajuda ao qual não soube dizer que não. Quando quem precisa de ajuda também sou eu. Ajudo no que posso, como posso. Queimo-me porque o trabalho assim o dita. Mas dói menos queimar os dedos do que um murro no estômago…

…que ainda dói e que me roubou o sorriso e a vontade de sorrir.

Amanhã continuarei a queimar os dedos. E, pelos vistos, continuarei também a falar sozinha. Como hoje. E eu não gosto de falar sozinha…

Mas falar sozinha é algo a que terei de me habituar, pelos vistos. E entretanto vou contando os dias até à próxima terça feira, já sem saber muito bem que hoje é quarta pensando que ainda é terça e logo a seguir sexta. Ando perdida nos dias, novamente. Não é bom sinal, mas não é nada que me admire. Porque, na verdade, é perdida que me sinto. É perdida que estou. Um dia volto a encontrar-me.

E, de repente, volto a não saber que dia é hoje…

{#172.194.2022}

Terça feira. E corpo que continua muito dorido. E a ansiedade a fazer-se presente.

E, do outro lado, a pergunta se estou melhor. Não sei a que parte se referia, porque o corpo físico pode estar ligeiramente melhor apesar de manter as dores, mas o corpo emocional não está melhor. Respondi que continuo com dores, que se aplicam tanto ao corpo físico como ao emocional. Porque continua a doer. Tanto num como no outro, continua a doer.

Tento manter-me serena. Mas a ansiedade aparece sempre quando não estou a trabalhar, quando não tenho a cabeça ocupada. Como agora, à noite. A noite, juntamente com o final do dia, é sempre uma porta aberta para pensar no que e o que não devo. Felizmente a ansiedade ainda me deixa adormecer com alguma facilidade. Mas, descobri esta noite, faz-me acordar de madrugada sem motivo.

Fico curiosa com o motivo da pergunta se estou melhor. Pode ser uma pergunta genuína, pode ser uma pergunta simplesmente desinteressada para fazer conversa. Não sei, nunca saberei. Mas sabe bem.

Sinto falta do aconchego que o porto de abrigo me dava. E hoje sei que não posso olhar para esse porto de abrigo e esse aconchego da mesma forma. Mas não posso evitar dizer que sinto falta. Porque sempre me soube bem. Sempre me fez bem. E hoje faz-me tanta falta…

Se eu queria estar assim como estou? Não. Se eu sabia que isto podia acontecer? Sabia. Se alguma vez imaginei que fosse doer tanto e deixar-me no estado miserável em que estou? Nunca. Mas estou. E não sei como vou conseguir sair disto.

Dizem-me que hei-de sair mais forte. Mas mais forte do que o quê e para quê? Não era nada disto que eu queria quando dei aquele primeiro passo há 4 anos e meio. Também não queria apaixonar-me. E deu no que deu. Que é muito mais para lá do que uma simples paixão. É algo mais forte e intenso do que uma simples paixão. E mais bonito também.

Enfim. Não queria nada disto. E sinto isto como uma perda das grandes. Muito, muito grande. Como se, com aquele murro no estômago, tivessem arrancado um pedaço de mim.

E, de certa forma, arrancaram. Só me resta agora aprender a viver sem esse pedaço que me arrancaram. Por muito que agora doa, um dia vai abrandar. E talvez um dia deixe de doer tanto. E, quem sabe, talvez um dia simplesmente deixe de doer.

Mas, por agora, dói.

Muito…

{#171.195.2022}

A capacidade de reacção do corpo é impressionante. Tenho dores no corpo como há muito tempo não tinha. Como se aquele murro no estômago de há três semanas tivesse sido, de facto, físico. Não foi. Mas logo naquele momento o meu corpo reagiu. Foi uma reacção demasiado física para algo que foi um choque emocional.

É a somatização. A forma como o corpo físico reage a um peso emocional. Não me lembro de alguma vez ter reagido assim. Aliás, sei que nunca reagi assim. Não bastava o desânimo, a tristeza, a depressão. Também tinha que vir a somatização.

Acho que a forma como estou a reagir diz muito do que sinto, muito do que trago cá dentro, comigo, cá dentro. Eu sabia que o que sinto é muito forte. Não sabia que ia reagir desta forma a algo que sabia que podia acontecer.

Continuo sem conseguir chorar. E isso assusta-me. Sei que, se conseguisse chorar, iria aliviar a pressão que sinto, a ansiedade iria diminuir, a somatização iria abrandar. Mas não choro. E, no dia em que finalmente conseguir fazê-lo, não vai ser fácil.

Já tive resposta. Já existe uma nova data. Mas continuo a só acreditar quando chegar o dia e realmente se concretizar. Quero muito acreditar que à terceira é de vez. Quero muito que aconteça na data programada, ainda a uma semana de distância. Sei que, até lá, a ansiedade vai aumentar todos os dias um bocadinho. Mas vou ter que lidar com ela. E vai-me dar tempo para regular um pouco mais as emoções e chegar à data marcada menos zangada. Até porque já tive resposta. E sei que, até lá, continuarei a ter retorno. Como tenho tido. Mesmo que, por vezes, seja ignorada, o retorno acaba por acontecer.

Ansiedade em alta, mas um pouco mais tranquila hoje. Tirando as dores no corpo todo, foi um dia mais sereno. Porque já tive uma resposta. Às vezes é tão simples parar uma bola de neve. Basta haver vontade. E ontem, pelos vistos, houve.

Hoje durmo mais serena. Não necessariamente melhor. Apenas mais serena. E com saudades de me sentir aconchegada pelo habitual porto de abrigo que, já sei, não posso dizer que seja meu. Porque não é.

Amanhã? Vamos ver como vai reagir o meu corpo. Espero que com menos dores, apesar de toda a pressão que ainda sinto.

Eu não merecia isto…mas é isto que tenho que passar agora. E sentir tudo. Até que um dia deixe de doer.

{#170.196.2022}

Domingo que começou com uma aproximação que teve retorno. Ao contrário dos últimos dias. Mas que continua sem uma resposta a uma pergunta tão simples.

Domingo dorido. Consulta de manhã, como sempre acontece aos Domingos e que tem sido tão necessária nas últimas três semanas. Onde falo, questiono, digo tudo o que sinto. E onde vou filtrando o que posso e o que não posso dizer quando chegar a altura. Ou pelo menos a forma como o farei.

Manter um canal de comunicação aberto. Não quero eu outra coisa. Mas cada vez parece mais um canal unidireccional, uma vez que só eu faço um esforço para que a comunicação se mantenha. Mas sei que não fui eu a primeira a dizer que esperava que as coisas não mudassem muito. Porque, disse-me, há amizades que são para manter.

Novamente, de manhã, a pergunta. Que irei manter até ter resposta. Seja ela qual for, vai ter que haver uma resposta. Porque também não fui eu quem sugeriu um jantar para conversarmos. Nem foi por minha causa que, já por duas vezes, esse jantar foi desmarcado. Não quis, ele, chamar desmarcado mas sim adiado. Da primeira vez foi, de facto, adiado. Mas da segunda parece que foi mesmo desmarcado. Porque, até ver, não há uma nova data.

E a bola de neve vai aumentando. E era tão fácil de a travar. Eu não quero ser um problema para ninguém, nem para mim mesma. E neste momento estou a ser um problema para mim. Porque o corpo manifesta já fisicamente o que sinto cá dentro e que teima em não ser resolvido. A ansiedade que aumenta todos os dias um bocadinho, as dores no corpo, a indisposição, as náuseas. A somatização, no fundo.

Era tão fácil parar isto. Nada que uma simples conversa não resolva. Mas é uma conversa que não sai. Tenho noção que poderá ser desconfortável para o outro lado. Mas também não é confortável para mim. E a cada dia que passa se torna ainda mais desconfortável.

Não quero, para mim, o papel da que insiste. Mas não vejo outra forma de resolver este problema. E estou cansada. Tão cansada…

Um dia vai ter que haver essa conversa. E é bom que aconteça rapidamente. Porque eu não estou bem e a tendência está a ser piorar a cada dia. E não quero voltar para aquele lugar onde já estive. Mas é para aí que estou a voltar…

{#169.197.2022}

Estou cansada. De me sentir mal. De me sentir triste. De me sentir magoada.

Mas estou ainda mais cansada de me sentir ignorada. Porque estou, de facto, a sê-lo.

Merecia mais do que isso. Nem que fosse apenas por uma questão de respeito pelo que sinto.

Mas cada um sabe de si. E, mais uma vez o digo, quem quer chegar a todo o lado, não chega a lado nenhum. E acaba por (se) perder.

Amanhã? Logo se vê se tento novamente a aproximação. Para ser novamente ignorada, claro.

{#168.198.2022}

Sei quando estou a ser ignorada. Não entendo o motivo quando, quem me ignora, é a mesma pessoa que me disse esperar que nada mudasse. Corre o risco de mudar se o problema não for enfrentado e resolvido, se simplesmente continuar a ser ignorado.

E, neste momento, é isso o que me custa mais: ser ignorada e ver o problema, tal como uma bola de neve, a crescer a olhos vistos. E não depende de mim fazer essa bola de neve parar.

Já sei que, mais cedo ou mais tarde, me irão apontar a mim o tamanho do problema, been there, done that. Mas não fui eu quem criou o problema. E sozinha não o resolvo. E quero, muito, resolvê-lo de forma a não se perder tudo. Porque, disse-me, há amizades que valem a pena porque é bom.

Não está a ser.

Quando há vontade, não custa olhar para a agenda. Quando há vontade, não custa enfrentar o problema que se criou e resolvê-lo. Adiar a resolução só o vai aumentar e pode levar a um ponto sem retorno. E não é isso que eu quero. Não é isso que eu mereço.

Já o disse tantas vezes: o que trago comigo, em mim, é bonito. Mas está a começar a ficar feio. E eu não quero isso. Quero manter a amizade. Quero que continue um sentimento bonito. Mas, neste momento, para além de magoada pelo murro no estômago, estou zangada. Porque estou a ser ignorada sem motivo e a ver o problema a aumentar e a ser eu a suportar o estrago.

Perdi o meu porto de abrigo. E estou a ganhar algo que é exactamente o oposto e não sei como lhe chamar. E não estou a gostar nem um bocadinho.

Não me sinto bem. Já passei por isto antes e não me lembrava como podia mexer fisicamente. Ou, se calhar, por serem situações tão diferentes, nunca senti o que estou a sentir ao ponto de o sentir de forma tão física. Dói. Muito. No corpo todo. E faz com que não me sinta bem. Fisicamente também.

Se eu queria estar aqui outra vez? Não, não queria. Mas é aqui que estou novamente. E, mais uma vez, só preciso de uma conversa. Não peço muito. Especialmente depois de nunca ter pedido nada. Mas estou a ser ignorada… Até quando? Não sei. Mas sei que vou insistir pelo menos mais uma vez. Depois disso, fica no ar a mensagem. Que faça com ela o que quiser. Mas, se há amizades que são para manter, neste momento não parece…

Sim, estou triste. Mas também estou magoada e, acima de tudo, zangada. E não gosto.

Nem quero…

Mas de uma coisa eu sei: quem quer chegar a todo o lado, não chega a lado nenhum. E acaba por (se) perder. E é pena.

{#167.199.2022}

Quinta feira e o feriado que finalmente tive. Hoje não consegui estudar. Precisei de descansar e de ter tempo para mim. E percebi que, quando não tenho a cabeça ocupada, ainda me dói. Muito. Ao ponto de me fazer doer o corpo todo. Como se o meu problema fosse físico, como se tivesse sido espancada. Afinal, foi um murro no estômago. E, por muito que seja uma imagem metafórica, foi real e doeu. Dói.

Continuo à espera de uma abertura de agenda. Há 7 dias numa semana. 30 ou 31 dias num mês. Só não quero relembrar que há 365 dias num ano. Só quero uma data livre. Porque é preciso conversar. Para evitar perder mais do que já perdi.

Continuo a não chorar… E isso não é bom. Tenho vontade, mas a apatia instalada não deixa que caia uma única lágrima. E, já sei, quando cair a primeira, vai doer muito…

Não queria nada disto. Não queria, nem quero, o caminho que está a tomar. Mas não depende só de mim. E, por não depender só de mim, a ansiedade aumenta e a distância também… E eu não quero a distância. Sei que ainda tenho que aceitar o que aconteceu, mas também preciso de aceitar e entender o porquê de ter acontecido como aconteceu. E é por isso que preciso de conversar.

Quando existe uma amizade que se preza é preciso fazer tudo para a manter, desde que seja sincera. Mas, neste momento, parece que o esforço parte só de mim. E isso também aparenta dizer tanto. Mas que tem que ser conversado para evitar mal entendidos, como também sei que podem acontecer…

Amanhã relembro que há uma agenda que precisa ser consultada. E relembro (e explico) que há uma conversa que é necessária. Hoje fiz o que tinha que fazer, fiz a minha parte.

Se continuo zangada? Sim. Enquanto não houver essa conversa, continuarei zangada. Porque não quero perder uma amizade, muito menos desta forma. Não quero perder um amigo…

Não quero…

{#166.200.2022}

Faltam 200 dias para acabar o ano…e a questão que se impõe é: quantos dias faltam para o jantar que teima em não acontecer?

“Tenho que olhar para a agenda”, dizem-me. Pois que olhe. E, para variar, eu que espere.

Quem quer chegar a todo o lado, ou não chega a lado nenhum ou perde(-se) pelo caminho. E eu aposto na segunda parte.

Estou zangada. Não queria, mas estou. E tenho todo o direito a estar. Sei o meu lugar na lista de prioridades, mas também sei que neste momento merecia um bocadinho mais. Nem que fosse um bocadinho mais de respeito. Pelo que sinto e pelo tempo que passou desde o primeiro dia. E o tempo, para mim, é muito importante. E o outro lado sabe da importância que dou ao tempo. Ou devia saber…

Zangada. Muito. Tanto. Como há muito tempo não estava. Com quem nunca pensei estar. Mas estou. E triste com tudo, mas acima de tudo triste por estar zangada.

Sei que mereço mais. Apesar de tudo, mereço mais.

Um dia, quem sabe, acerto. Hoje ainda não foi o dia.

{#165.201.2022}

Terça feira começa a ser aquele dia que não aconteceu… Tal como na semana passada. E não aconteceu porquê? Porque alguém quer chegar a todo o lado e, obviamente, não consegue. Claro que não.

Sei que não sou uma prioridade. Nunca fui. E agora pareço ser ainda menos. Para quê combinar alguma coisa que já se sabe que não vai acontecer?

Pelo menos desta vez deixei claro o que vai deste lado. Que não, não estou bem. E fui surpreendida com a resposta “não podes estar”… Não estou, claro que não estou. Mas é bom saber que é evidente. Não para que tenha pena, mas para sentir um bocadinho do estrago que fez.

Não desisto, ainda assim, da conversa que preciso de ter. Porque acho que a mereço. E vou arriscar a querer combinar alguma coisa. Mas vou ser eu a ditar as regras…

Amanhã? Logo se vê como será o dia… Por hoje já chega, foi um dia mau. E continuo sem chorar. Mas agora estou, finalmente, zangada…

{#164.202.2022}

Esperar. É tudo o que tenho feito nestes 4 anos e meio. Desde o primeiro dia. Esperei sempre. E hoje continuo a esperar. Por uma resposta, apenas. Que era tão simples e rápida de responder. Mas continuo à espera.

Amanhã? Vai depender dessa resposta. Resposta que vai confirmar (ou não…) que as terças feiras existem. Ao contrário da semana passada em que a terça feira, que era para ser, não aconteceu.

Continuo à espera. À espera que não aconteça, na verdade. Porque não acredito em promessas há muito tempo e planos deixei de os fazer há muitos anos.

Só vou acreditar quando acontecer. Especialmente quando a resposta demora a chegar.

Continuo sem conseguir chorar. Continuo apática. E continuo a sonhar acordada. Nada disto me faz bem. Consome-me todos os dias um bocadinho. Mas não sei como afasto de mim isto que sinto. Aprendi, com os anos, que não conseguimos evitar o que sentimos. E muito menos conseguimos desligar. E se não o conseguimos fazer, temos que aprender a viver com o que sentimos e a lidar com o turbilhão de sensações e emoções. E eu só consigo, só sei, lidar assim: sentindo tudo intensamente.

Se é fácil? Não. Não é. Mas é a única forma que eu conheço de sentir.

Amanhã? Hei-de esperar novamente. Já sei que sim. Isto, claro, se a resposta for positiva e confirmar mesa para dois.

Até lá espero… Mais uma vez espero. Como sempre, desde o primeiro dia.

{#163.203.2022}

Domingo. E o peso da apatia. Sem capacidade de reacção. Sem conseguir, ainda, chorar. Nem a consulta desta manhã ajudou.

Simplesmente apática. Conversa de manhã e perceber que, como sempre, do outro lado está tudo bem como está sempre. E com a sensação de que, de acordo com o outro lado, eu não devia estar como estou.

Mas a verdade é que estou. Mal. Como não pensei ser possível. Mas é.

Para além do peso da apatia, da incapacidade de reacção, ainda a dor. Da perda. Porque é disso que se trata, uma perda. Do quê, não sei porque não havia nada para perder, mas é isso que sinto, como se tivesse perdido algo ou alguém muito importante.

Duas semanas depois e ainda não chorei. Sei que chorar não resolve nada, mas alivia este peso que se apoderou de mim. É a apatia instalada. É um bloqueio. E que tem que ser derrubado. Porque não reagir ao que sinto não me faz bem. Consome-me todos os dias mais um pouco.

Vou ter que reagir, mais dia menos dia. Mas quanto mais o tempo passa, mais medo tenho da minha reacção. Que vai ter que acontecer em casa, não com ele. Não perto dele. Não em frente a ele. Não pode. Já vai bastar ver e perceber (ou não) como estou.

Se vai ser fácil? Claro que não. Vou ter que fazer um esforço enorme para tentar passar a imagem de quem está melhor do que realmente está. Mas eu não sei fingir. E fingir emoções não sei mesmo.

Tenho um bloqueio emocional? Tenho. Daí continuar sem reagir para além da apatia, que também é uma reacção. Mas não estou a conseguir reagir de outra forma…

Amanhã, dia de trabalho. Vai ajudar a ocupar a cabeça. A passar o tempo até saber se terça feira acontece ou não. E já não sei se quero que aconteça ou não. Porque, lá está, tenho medo de como irei reagir.

Enfim…podia continuar aqui a noite toda a falar do peso da apatia, da dor, de tudo o que sinto. Não iria adiantar de nada. Porque eu não queria ter razões para escrever sobre nada disto. E era tão mais fácil de encaixar se o outro lado fosse um canalha…mas não é. E com boas pessoas, pessoas boas, eu não sei lidar quando me magoam. Porque é isso que estou: magoada. Triste. Doída. E magoada.

Amanhã? Logo se vê. Um dia de cada vez. Mesmo que haja quem ache que eu não tenho que estar no estado em que estou porque do outro lado está sempre tudo bem… Mas eu não sou assim e preciso de sentir tudo. Especialmente o que é mau para valorizar o que é bom. E foi bom durante tanto tempo. Até ao dia em que levei um murro no estômago.

{#162.204.2022}

Sábado e o estudo intenso. Óptimo para ocupar a cabeça, que disparou sempre que parei o estudo e está a disparar outra vez, agora que é de noite e são horas de se soltarem os meus demónios…

Terça feira novamente na agenda. Mas não a quero ver como promessa porque não acredito em promessas. Nem plano porque deixei de fazer planos há muito tempo. Especialmente por saber que as promessas não são cumpridas e os planos não se realizam.

Se estou bem? Não. Não estou. Claro que não. Há duas semanas que não estou. E esta espera por uma conversa que não sei como vai ser não me está a fazer bem nenhum.

Tenho medo. De tanta coisa. Do que vai ser falado. De como vai ser falado. De como vou reagir. Do resultado…

Se quero que terça feira chegue depressa, também quero que não chegue para não me magoar ainda mais.

Tenho tantas perguntas…mas não sei se vou conseguir fazer uma sequer…

Está um ambiente estranho nas poucas mensagens que trocamos. Sei que em parte sou eu que o torno estranho, porque tento distanciar-me para me proteger. Porque tenho que me proteger e porque não pode continuar a ser o que era. A minha vontade, admito, é que continue a ser como era. Mas não faz sentido ser uma intrusa.

Ainda não chorei. Quero muito chorar, mas ainda não consegui. Sei que irá acontecer um dia. Não sei quando. Sei, sim, que enquanto não choro a pressão vai aumentando. E isso pode ser prejudicial na terça feira. Se a terça feira se concretizar…

Era bom conseguir chorar amanhã na consulta. É o momento certo para o fazer.

Não gosto de me sentir como sinto. Não gosto das sombras dentro da minha cabeça. Não gosto de sentir tudo intensamente como sinto. Mas também não consigo evitar tudo isto. Sou borderline, vivo tudo intensamente. E é em momentos como este que essa característica se acentua. E só me faz mal.

Não quero voltar àquele lugar escuro onde já estive e de onde demorei muito para sair. Mas é para aí que me sinto a voltar. E não quero. E se houve uma pessoa que me ajudou a querer sair de lá, hoje é essa mesma pessoa a responsável pelo caminho que estou a tomar de regresso a esse lugar feio.

Não sei como reagir. Fingir que está tudo bem, quando não está, não é opção. Só sei que sinto tudo intensamente e tenho que o sentir. Tenho que o sentir…não há outro caminho.

Já não me lembro como é que se sai desse lugar escuro. Sei que não saí sozinha. E sei que não estou sozinha. Mas falta-me uma peça fundamental que me fez agir e querer ficar bem.

E não, hoje não estou bem…

Amanhã? Logo se vê…enquanto estiver com a cabeça ocupada sei que vou estar bem. Mas até lá ainda há uma noite para passar… E os meus demónios já acordaram…

{#161.205.2022}

Fins de semana grandes, em tempo de crise como agora, costumam ser perigosos. Demasiado tempo livre para pensar e sentir. Sempre intensamente, claro.

Hoje, feriado, sexta feira, valeu-me ter que me dedicar ao estudo. Foram mais de 6 horas dedicadas a essa coisa que é o curso e que está quase aí. Não deixei de pensar completamente, nem de sentir, mas pelo menos estive ocupada.

Tentei, ainda, marcar o que foi desmarcado. Ainda não consegui. Mas não desisti. Porque há uma conversa que tem que acontecer. E rapidamente ou deixa de fazer sentido e eu entro por um caminho que não quero.

Sou paciente. Sempre fui. Desde o primeiro dia que espero sempre. Seja para o que for, calha-me a mim a espera. Mas desta vez não quero esperar. Não muito. Torço para que as notícias na segunda feira sejam as melhores para que essa conversa possa acontecer rapidamente, mas quero ter já uma data.

Se vou insistir? Vou. Se gosto de o fazer? Não. Mas neste momento impõe-se que o seja. Há quem me esteja a dever uma conversa. E se teve que ser adiada, eu só tive que aceitar. Mas não posso continuar a aceitar tudo.

Parei o estudo há uma hora e meia e a cabeça já disparou. Não pode. Por isso vou perguntar o que tenho a perguntar e vou-me agarrar aos manuais até o sono chegar. Voltar a ocupar a cabeça. Talvez ainda hoje tenha resposta.

Mas o mais certo é não ter… E ainda hoje é sexta feira……..

{#160.206.2022}

Dizem que é quinta feira. A mim soa-me a quarta. Mas amanhã é feriado, por isso é como se fosse sexta. Mas ando completamente perdida nos dias…

Tem-me valido o trabalho para me ocupar a cabeça. E os próximos três dias de fim de semana têm tudo para correr mal. Porque é muito tempo sem trabalho…

Mas, com o curso para fazer, vou dedicar-me a sério ao estudo e tentar não pensar. Não pensar e, acima de tudo, não sentir, que é a parte mais difícil.

A vontade? É manter tudo como estava. Mas neste momento não consigo. Ainda não consigo. Quero que o outro lado perceba o que vai cá dentro e sinta que não, não estou bem. Porque não estou. Pode ser egoísta da minha parte, mas neste momento tenho que o ser para tentar lidar com o que sinto. E o que sinto não é para ficar escondido.

Nunca escondi o que sinto, o bom mas especialmente o mau. Não é agora que isso vai mudar.

Amanhã tenho um telefonema para fazer, um pedido de ajuda técnica. Não sei se vou ter coragem para o fazer…

Logo se vê…

O importante é o agora. Como estou agora. E, por não ter tido muito tempo para pensar e sentir, estou um bocado adormecida. Por isso amanhã logo se vê.

Por agora esforço-me para não cair no ritual nocturno. Porque já não faz sentido acontecer…

Amanhã? Será melhor…

{#159.207.2022}

Mais um dia perdida em mim. O mais difícil? Manter a cabeça ocupada depois do trabalho. E evitar a troca de mensagens.

Perdida é como me sinto. Em mim. Sem saber como me reencontrar no meio desta confusão de sentimentos da última semana e meia.

Não devia fazer-me presente. Devia afastar-me. Devia estar sossegada no meu canto de onde nunca devia ter saído. Mas especialmente agora, agora devia mesmo manter-me longe. Fazer-me ausente, distante.

Não consigo. É uma quebra de rotina muito grande, especialmente quando se fala de rituais, matinais e nocturnos, que desde o primeiro dia me faziam bem. Me faziam sentir bem. Mas que agora não fazem sentido.

Se me fazem falta? Muita. E por isso me custa tanto fazer-me ausente, distante.

Mas não é possível alguém ter o melhor de dois mundos e eu não ter nada. Por isso, por muito que me custe, vou ter que arranjar força para me fazer ausente, distante.

É uma merda, é o que é. Às vezes a ignorância é uma bênção, e hoje preferia continuar na ignorância. Mas já sei. E enquanto não acontecer a conversa que é necessária, sei que não vou conseguir avançar. Não sei como vai correr nem como vai ser depois disso. Sei que não vai ser fácil. E sei que não quero perder mais do que já perdi. Não quero perder um amigo.

Era tão mais fácil se estivesse a falar de um canalha… Mas não estou. Muito pelo contrário. E isso custa muito mais do que um canalha. Porque com um canalha há a possibilidade de me zangar e canalizar a raiva da desilusão. Mas não estou a falar de um canalha…

E isso custa tanto…

Quarta feira da segunda semana. E ainda não chorei. E preciso tanto de o fazer… Mas ainda não foi hoje.

Um dia isto acalma. Um dia isto passa.

Um dia. Mas não hoje. Não ainda. Não já…

{#158.208.2022}

Podia descrever o dia de hoje como a terça feira que não aconteceu…

O jantar que estava programado, porque necessário, não aconteceu. What else is new…?

Nada que não esperasse. Sei que não foi intencional. Foi um imprevisto. Mas ainda assim…

Terça feira que não aconteceu. Há-de acontecer noutro dia qualquer. Não sei quando. Sei apenas que, para mim, é urgente que aconteça. Mas vai depender de vários factores que nenhum dos dois pode controlar.

Como sempre, desde o primeiro dia, entro em modo sitting, waiting, wishing. Tenho esperado sempre, desde o primeiro dia, porque não hei-de esperar agora também…?

Enfim…encolho os ombros e peço ao universo que me traga algo de positivo com esta nova espera. O jantar vai ter que acontecer. A conversa também. E, o que devia acontecer depressa, vai-me deixar em sofrimento mais tempo…e eu vou ter que aguentar.

{#157.209.2022}

Segunda feira e ainda não foi hoje que chorei.

E a ansiedade a instalar-se em força. Porque amanhã está mesmo aí a chegar. Já há hora. Já há menu. Só não há coragem. Minha. Porque tenho a sensação de se estar a encerrar um ciclo de forma muito similar ao seu início. E é por isso que a ansiedade está já presente.

Não quero um fim. Porque não tem que ser um fim. Não pode ser um fim. Mas sinto-o como tal. E quero tanto estar errada nisto…

O trabalho ajuda a manter a cabeça ocupada. Hoje foi dia de ficar mais uma hora e ainda de estudar depois do jantar para o exame. E também isso me está a provocar ansiedade. E eu não tinha saudades nenhumas deste desconforto da ansiedade. O ar que não entra. Nem sai. E toda a somatização que a ansiedade traz é muito mais do que desconfortável. É simplesmente algo horrível, especialmente quando já não nos lembramos de como se controla esse bicho.

Mas a ansiedade do exame ainda tem tempo para evoluir para algo mais tranquilo. Já a ansiedade por amanhã não tem tempo para acalmar. Não tem tempo para ser controlada de outra forma que não à base de químicos. Seja, então.

Amanhã vai ser um dia muito longo. E vai ser difícil de conseguir acalmar a ansiedade. Já hoje a falta de paciência esteve presente. Amanhã logo se vê.

Por agora tento desligar, não pensar, não sentir. Enquanto isso espero pelo efeito dos químicos para acalmar a ansiedade e diminuir a somatização.

Amanhã só não quero chorar. Tive uma semana inteira para o fazer. Não pode ser amanhã que vai acontecer. Dê por onde der, não vai poder acontecer. E é disso, também, que tenho medo.

Na verdade, para amanhã tenho medo de muita coisa. Tanta coisa que não sei por onde começar a riscar aquilo de que não preciso de ter medo.

Sinto sempre tudo intensamente. O bom e o mau. E assim como tenho sentido de forma intensa o bom destes 4 anos e meio, agora também sinto intensamente esta coisa que aconteceu e me deixou neste estado que não sei descrever de outra forma que não seja profundamente deprimida. Triste. Dorida. Perdida.

Enfim…vamos ver como corre o dia amanhã. Mas especialmente como corre a noite…

Felizmente sei que não estou sozinha. E que basta um sinal para ter quem me dê a mão. E isso diz-me que suportar tudo isto vai ser mais fácil. Principalmente por não estar sozinha e por ter quem não me deixe cair.

Amanhã. Vai correr bem. Vai ter que correr bem.

Logo se vê…

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Ainda de ontem: depois do jantar de miúdas, já em casa, ainda houve tempo para alguma conversa com o outro lado…não muita, porque a minha vontade era de chorar e não de conversar. Até porque, e já lhe disse, há conversas que são para ser faladas e não escritas. Entendeu e aceitou.

Sei que há um esforço daquele lado de manter as coisas como estavam, como eram antes do último Domingo. Serão para manter, mas preciso do meu tempo. Preciso de sentir tudo o que estou a sentir, aprender a lidar com a dor – porque dói, muito mais do que imaginei possível – e com tempo voltar ao que era. Porque a amizade é para ser mantida. E se fui eu que o pedi há dois anos quando me expus, agora esse pedido vem do outro lado.

Será sempre um porto de abrigo. Será sempre uma boa amizade. Por muito que o que trago comigo, cá dentro, em mim quisesse mais. Já sabia não ser possível, mas agora não há sequer a hipótese de deixar o meu estúpido gut feeling sussurrar-me ao ouvido.

Não, ainda não consegui chorar. Nem na consulta desta manhã com quem sabe arrancar-me o choro cá de dentro como ninguém… E eu não quero chorar na terça feira. Não ali. Não com ele.

Não consigo chorar, mas também não consigo sorrir. Não tenho vontade de sorrir. Não tenho força. E há muito tempo que não sentia isto. E não gosto de me sentir assim. E tenho medo. Muito medo de voltar ao lugar escuro onde já estive. E neste momento sinto que é para lá que vou caminhando a passos largos.

Uma semana. E foi o suficiente para me enterrar fundo. Dizem-me que não, não estou lá embora possa parecer. E que agora tenho outros apoios e outras ferramentas. E que sou mais forte do que penso. Sim, tenho apoios hoje que não tive em 2014. E as circunstâncias são muito diferentes, embora o que sinto seja muito semelhante. Mas não sei usar essas tais ferramentas. Não sei onde ir buscar a força que me dizem que tenho. E por isso me sinto perdida.

Não quero sentir-me assim. Não gosto de me sentir assim. Mas tenho que sentir tudo para poder avançar.

E a única pessoa que poderia fazer-me querer sair de onde estou, como já fez sem saber, não está comigo…

Dói. Chega a doer fisicamente como nunca pensei ser possível. Dói por dentro, dói por fora, dói apenas. E dói demais.

Terça feira está quase aí. Mas, como sempre, só irei acreditar quando de facto acontecer. Porque estou sempre à espera de alguma coisa de última hora para que não aconteça. Mas terça feira está quase aí. E eu ainda não chorei.

Aconteça o que acontecer, não posso chorar na terça feira.

Amanhã? Trabalhar a partir de casa, estudar depois do trabalho, ocupar a cabeça e tentar ter um dia melhor do que o fim de semana. Foram dois dias muito maus. E eu não posso deixar que os dias maus se instalem confortavelmente como parecem estar a instalar-se…