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Está a ser difícil olhar para cima… A vontade é não tirar os olhos do chão. Outra vez. Sei que não pode ser. Sei que não me faz bem nenhum. Mas a vontade é essa. Assim como permanecer calada ao pé dos outros. Não só porque não tenho nada para dizer como também simplesmente não me apetece falar.

A falta de paciência. Para coisas pequeninas. Para pessoas. Simplesmente a falta de paciência. E de tolerância…

Já vi este cenário antes. Já vivi este cenário antes. E não foi bom. Ainda me lembro daqueles três dias no Verão de 2014 em que não falei. Porque não quis falar. Porque não tinha nada para dizer. Porque não me apetecia falar.

Está cá tudo outra vez. Não quero isto para mim de novo. Mas está cá tudo. Outra vez. E eu não sei como parar este carrossel.

Às vezes não saber é a melhor defesa. Mas agora sei. E é por saber que dói. Preferia não saber. Estava bem assim. Mas agora sei. E não posso voltar atrás, não é possível voltar atrás.

Dói? Muito. Mais do que alguma vez pensei que pudesse doer. E sei que também a ausência e o silêncio ajudam a que doa mais. Mas, já o disse antes, não serei eu a quebrar o silêncio. Não agora. Não ainda. Não tão cedo.

Ainda não chorei. Preciso de o fazer, mas não consigo. Sei que não resolve nada. Mas alivia a pressão que sinto no meu corpo. Porque também o meu corpo me dói. Porque estou a somatizar tudo.

É…é uma merda. Pode ser que um dia fique melhor e não doa tanto. Mas agora, neste momento, dói demasiado.

Sei que sou responsável por boa parte dessa dor, pelas expectativas que criei ao longo dos últimos 4 anos e meio. Porque acreditei naquilo que não existia. Porque só eu via o que não estava lá para ver.

Mas volto a dizer: o que trago cá dentro, comigo, em mim, é bonito. Porque é puro. Desinteressado. É bonito, porra. E merecia ser correspondido. Mas, agora sei, não o é. E isso dói. Mas não é isso o que dói mais. O que dói mesmo é saber que não sou eu quem lá está…

Não, hoje ainda não foi um bom dia. Vale-me o trabalho que me tenta ocupar a cabeça mesmo que esta disperse facilmente. E eu estou sem paciência até para o trabalho. E não pode ser. Mas não consigo sentir o dia como algo bom. Especialmente quando o silêncio me grita…

Amanhã…? Logo se vê… De novo olhos no chão e grande dificuldade em olhar para cima… Logo se vê…

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