{#156.210.2022}

Ainda de ontem: depois do jantar de miúdas, já em casa, ainda houve tempo para alguma conversa com o outro lado…não muita, porque a minha vontade era de chorar e não de conversar. Até porque, e já lhe disse, há conversas que são para ser faladas e não escritas. Entendeu e aceitou.

Sei que há um esforço daquele lado de manter as coisas como estavam, como eram antes do último Domingo. Serão para manter, mas preciso do meu tempo. Preciso de sentir tudo o que estou a sentir, aprender a lidar com a dor – porque dói, muito mais do que imaginei possível – e com tempo voltar ao que era. Porque a amizade é para ser mantida. E se fui eu que o pedi há dois anos quando me expus, agora esse pedido vem do outro lado.

Será sempre um porto de abrigo. Será sempre uma boa amizade. Por muito que o que trago comigo, cá dentro, em mim quisesse mais. Já sabia não ser possível, mas agora não há sequer a hipótese de deixar o meu estúpido gut feeling sussurrar-me ao ouvido.

Não, ainda não consegui chorar. Nem na consulta desta manhã com quem sabe arrancar-me o choro cá de dentro como ninguém… E eu não quero chorar na terça feira. Não ali. Não com ele.

Não consigo chorar, mas também não consigo sorrir. Não tenho vontade de sorrir. Não tenho força. E há muito tempo que não sentia isto. E não gosto de me sentir assim. E tenho medo. Muito medo de voltar ao lugar escuro onde já estive. E neste momento sinto que é para lá que vou caminhando a passos largos.

Uma semana. E foi o suficiente para me enterrar fundo. Dizem-me que não, não estou lá embora possa parecer. E que agora tenho outros apoios e outras ferramentas. E que sou mais forte do que penso. Sim, tenho apoios hoje que não tive em 2014. E as circunstâncias são muito diferentes, embora o que sinto seja muito semelhante. Mas não sei usar essas tais ferramentas. Não sei onde ir buscar a força que me dizem que tenho. E por isso me sinto perdida.

Não quero sentir-me assim. Não gosto de me sentir assim. Mas tenho que sentir tudo para poder avançar.

E a única pessoa que poderia fazer-me querer sair de onde estou, como já fez sem saber, não está comigo…

Dói. Chega a doer fisicamente como nunca pensei ser possível. Dói por dentro, dói por fora, dói apenas. E dói demais.

Terça feira está quase aí. Mas, como sempre, só irei acreditar quando de facto acontecer. Porque estou sempre à espera de alguma coisa de última hora para que não aconteça. Mas terça feira está quase aí. E eu ainda não chorei.

Aconteça o que acontecer, não posso chorar na terça feira.

Amanhã? Trabalhar a partir de casa, estudar depois do trabalho, ocupar a cabeça e tentar ter um dia melhor do que o fim de semana. Foram dois dias muito maus. E eu não posso deixar que os dias maus se instalem confortavelmente como parecem estar a instalar-se…

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