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Sábado e o estudo intenso. Óptimo para ocupar a cabeça, que disparou sempre que parei o estudo e está a disparar outra vez, agora que é de noite e são horas de se soltarem os meus demónios…

Terça feira novamente na agenda. Mas não a quero ver como promessa porque não acredito em promessas. Nem plano porque deixei de fazer planos há muito tempo. Especialmente por saber que as promessas não são cumpridas e os planos não se realizam.

Se estou bem? Não. Não estou. Claro que não. Há duas semanas que não estou. E esta espera por uma conversa que não sei como vai ser não me está a fazer bem nenhum.

Tenho medo. De tanta coisa. Do que vai ser falado. De como vai ser falado. De como vou reagir. Do resultado…

Se quero que terça feira chegue depressa, também quero que não chegue para não me magoar ainda mais.

Tenho tantas perguntas…mas não sei se vou conseguir fazer uma sequer…

Está um ambiente estranho nas poucas mensagens que trocamos. Sei que em parte sou eu que o torno estranho, porque tento distanciar-me para me proteger. Porque tenho que me proteger e porque não pode continuar a ser o que era. A minha vontade, admito, é que continue a ser como era. Mas não faz sentido ser uma intrusa.

Ainda não chorei. Quero muito chorar, mas ainda não consegui. Sei que irá acontecer um dia. Não sei quando. Sei, sim, que enquanto não choro a pressão vai aumentando. E isso pode ser prejudicial na terça feira. Se a terça feira se concretizar…

Era bom conseguir chorar amanhã na consulta. É o momento certo para o fazer.

Não gosto de me sentir como sinto. Não gosto das sombras dentro da minha cabeça. Não gosto de sentir tudo intensamente como sinto. Mas também não consigo evitar tudo isto. Sou borderline, vivo tudo intensamente. E é em momentos como este que essa característica se acentua. E só me faz mal.

Não quero voltar àquele lugar escuro onde já estive e de onde demorei muito para sair. Mas é para aí que me sinto a voltar. E não quero. E se houve uma pessoa que me ajudou a querer sair de lá, hoje é essa mesma pessoa a responsável pelo caminho que estou a tomar de regresso a esse lugar feio.

Não sei como reagir. Fingir que está tudo bem, quando não está, não é opção. Só sei que sinto tudo intensamente e tenho que o sentir. Tenho que o sentir…não há outro caminho.

Já não me lembro como é que se sai desse lugar escuro. Sei que não saí sozinha. E sei que não estou sozinha. Mas falta-me uma peça fundamental que me fez agir e querer ficar bem.

E não, hoje não estou bem…

Amanhã? Logo se vê…enquanto estiver com a cabeça ocupada sei que vou estar bem. Mas até lá ainda há uma noite para passar… E os meus demónios já acordaram…

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