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Sexta feira e as saudades de sorrir. Semana longa e pesada, complexa. Um turbilhão de emoções. Trabalho e pouco mais. Ou, para variar, nada mais.

É difícil silenciar a cabeça nas horas mortas. E, também por isso, aceito sempre quando me pedem para fazer mais horas no trabalho. É só mais uma hora por dia, mas sempre é uma hora em que a minha cabeça está ocupada. E, estando ocupada, não pensa em disparates, asneiras e dores. Porque ainda dói. Muito. Já passaram muitos dias desde aquele murro no estômago. Mas ainda dói.

Já pensei em procurar de novo a tempestade perfeita, agora que perdi o meu porto de abrigo. Talvez me reencontrasse a mim mesma. Mas se uma tempestade perfeita se afasta de um momento para o outro, se se remete ao silêncio e prefere a ausência depois de todos os planos que idealizou, quem sou eu para procurar novamente a inquietação?

Prefiro mil vezes um porto de abrigo que se desfez à instabilidade e incerteza de uma tempestade perfeita.

E a semana passou quando pensei que fosse demorar a passar. E a contagem dos dias até terça feira continua. E sempre aquela sensação de que terça feira vai chegar e não vai passar disso mesmo, mais uma terça feira que não aconteceu.

Espero tanto estar enganada. Quero tanto estar enganada. Quero muito que terça feira aconteça. Não sei para quê. Para uma conversa, eu sei. Mas que conversa? Falar do quê? Do que sinto? Do quanto me doeu aquele murro no estômago? Do quanto ainda me dói a ressaca? Para quê? Não sei… Sei que preciso dessa conversa. E que, se não acontecer agora, não vai acontecer nunca. E isso vai doer ainda mais. E durante muito mais tempo.

Tenho saudades de sorrir. Mas não tenho vontade de o fazer. E depois de terça feira vou continuar desse modo. Porque foram quatro anos e meio de dedicação a nada e a coisa nenhuma mas que me deu algum significado a cada novo dia. E agora essa dedicação fica sem rumo…

Um dia volto a encontrar-me. E volto a dedicar-me a alguma coisa como me dediquei este tempo todo a algo que sempre me fez bem. Sempre me aconchegou. E sinto falta desse aconchego diário. Muita falta.

Mas também a isto vou sobreviver. Não sei como. Um dia de cada vez. E um dia talvez deixe de doer.

Mas bolas…foram quatro anos e meio de algo que sinto de forma intensa, como sinto sempre. Quatro anos e meio de algo que trago comigo, cá dentro, em mim. E que todos os dias fiz questão de fazer presente de alguma forma.

Não foi suficiente. Ou será que eu é que não fui suficiente…? Não sei…

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