Daily Archives: 01/08/2022

{#213.153.2022}

Ainda bate. Todos os dias, a cada segundo, confirmo que sim, ainda bate. Já foi partido várias vezes, ainda está partido… Já foi até espezinhado. Mas ainda bate.

Dia de regresso ao trabalho depois das férias. Não foi fácil. Tive momentos em que a vontade era de desligar e dizer “já chega”. Mas também tive daqueles momentos em que digo para mim mesma “é disto que eu gosto”.

Voltar hoje ao trabalho e começar logo a sair mais tarde. Para amanhã entrar mais cedo e voltar a sair mais tarde. Não sou obrigada a fazê-lo, mas também não consigo dizer que não.

E, do outro lado, o início de um novo desafio. Que, sei, vai correr bem. Não só porque é merecido mas também porque sei que é um bocadinho como eu: se é para fazer, é para fazer bem feito. E só por aí já sei que vai correr bem.

Ontem não foi um dia fácil. E a noite não foi melhor. Fiz um pedido que não sei até que ponto foi atendido ou até entendido, mas que me deixou de lágrimas nos olhos e nó na garganta. Porque, percebo-o todos os dias, ainda me dói não ter o meu filho.

Um dia talvez venha a entender o propósito de tudo isto. Mesmo sabendo que tinha tudo para ser diferente. Mas não foi. Talvez um dia venha a entender. E talvez um dia venha a perdoar-me a mim mesma…

É tarde. O dia foi longo. Algo pesado. Mas não consigo perceber se estou cansada ou não… É tão estranho estar assim. Sei que me apetecia mais um bocadinho de conversa. Que não vou ter. Mas sim, vou ter o ritual nocturno. Porque não me faz sentido não o ter. Mesmo que sem retorno nocturno, não consigo (ainda) afastar-me e terminar com algo que me faz sentir bem e que, já percebi, é bem-vindo do outro lado.

Um dia deixo de o fazer. Quando deixar de fazer sentido. Mas esse dia ainda não chegou. Por isso, repito o ritual de todas as noites.

E ainda bate. Partido, mas bate. E por esse retorno que vou tendo continua a bater. Até um dia em que comece a bater mais longe do retorno que me faz bem…