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Domingo e mais uma noite interrompida. Acordar de madrugada, à hora a que o despertador toca quando vou para o trabalho em modo presencial. Não ter sono para voltar de imediato para a cama. Pensar na vida, especialmente no que não devo pensar. Voltar para a cama e conseguir dormir até à hora de acordar ao Domingo a tempo de me preparar para a consulta com o terapeuta fofinho.

Ter a consulta e passar boa parte do tempo a evitar pegar no tema que, na verdade, queria pegar.

Reciprocidade. Concordámos ambos nesse ponto. Noutros também, se não mesmo em todos, mas a reciprocidade resume a consulta. Ou a falta dela, neste caso…

É essa falta de reciprocidade que me magoa. E que me faz acreditar, mais uma vez, que o problema sou eu. Fica difícil não pensar nisso. Porque, em todos os casos de rejeição, o denominador comum sou eu.

Por muito que ele me recorde que pode haver tantos factores que podem ter levado a essa rejeição ou simples falta de tempo e disponibilidade, o denominador comum continuo a ser eu.

Continuo ausente, distante, quieta e calada no meu canto, sem tomar iniciativa. Já decidi que não o farei. Não tenho que o fazer. Não tenho que ser sempre eu a fazê-lo. Sei que posso esperar sentada por iniciativa do outro lado. Mas pelo menos não imponho a minha presença a quem não quer saber da minha ausência.

Não, hoje não foi um dia muito bom. Também não foi mau, na realidade. Mas foi dia de mexer onde dói. E esta ausência dói. Muito. E, claro, passei demasiado tempo a pensar no que não devo.

Amanhã é dia de trabalho. Vai fazer-me bem. Não vou ter tempo para pensar na reciprocidade ou falta dela. Mas, mesmo ocupada, sei que vou estar sempre à espera de receber um sinal de que, afinal, a minha ausência é notada. Sei que esse sinal não vai acontecer. Mas vou estar à espera dele.

Até que um dia deixo de esperar…

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