{#257.109.2022}

Quarta feira, dia do meio, dia nim, nem não nem sim. E cansada como se fosse sexta.

Dia 16 de uma contagem que não queria, nem quero!, fazer. Mas que se faz sozinha. Afinal, se há um ano as tradições ainda eram para manter, hoje parece que já não são.

Continuo a falar sozinha, mesmo que agora já não diga nada. E continuo a insistir na ideia de que quem quer saber, pergunta. Quem quer estar, está. E neste momento nem pergunta nem está.

Encolho os ombros. E encolho-me toda também para ficar pequenina e procurar um aconchego que, até há relativamente pouco tempo, encontrava num ritual nocturno que mantinha desde o primeiro dia. Hoje sinto falta desse aconchego. Mas, pelos vistos, só eu sinto. Assim como também sinto falta do ritual matinal, onde um simples “bom dia” fazia a diferença.

Tenho que procurar novos rituais. Que me aconcheguem. Mas especialmente à noite, para terminar o dia com a certeza que valeu a pena.

Fazes-me falta…nunca to direi, nunca o irás saber. Mas fazes-me falta. Habituei-me demasiado a algo que, no fundo, era nada. Estava bem assim. Mas sei que não me fazia bem continuar a alimentar, para mim, a ilusão de que um dia as coisas iriam mudar. Porque insisti em alimentar, também, aquilo que sempre chamei de gut feeling e, afinal, não era mais do que wishful thinking.

Sozinha. É assim que tenho estado. É assim que estou. Não é assim que quero estar. A solidão é uma companhia filha da mãe que, por muito que queiramos longe, insiste em ficar por perto.

16. Amanhã? Dificilmente termina a contagem. Mas também não serei eu a interrompê-la.

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