Daily Archives: 03/01/2023

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Cansada de sair mais forte das situações. Porque implica ter que passar pela perda. Já devia estar habituada a perder, mas acho que nunca nos habituamos.

Já não estou (tão) zangada. Estou triste. Porque o fim está aí, se é que não veio já. A verdade é que já me despedi. Mas essa despedida não foi percebida. A mensagem seguiu, extensa. Onde estava tudo dito. Era só ler nas entrelinhas. Mas, ou as minhas entrelinhas são ilegíveis, ou então a mensagem não foi mesmo percebida.

Triste. É assim que me sinto. Mas sei que, agora, o tempo irá ajudar a amenizar o que sinto. E tudo o que sempre precisei foi de tempo. E não o tive. Tempo para deixar de ser o que sou: bicho do mato. Para poder sentir confiança em mim para conseguir mostrar-me como e quem sou. Tempo. Nunca pedi mais do que isso. E, na verdade, não o tive…

Mas agora terei esse tempo. Todo o tempo que for preciso para deixar de me sentir assim. Porque eu preciso desse tempo. E vou dar-me essa oportunidade. Depois de cinco anos, acho que mereço ter tempo para mim. Para lamber as feridas. Para recuperar. Para reerguer a cabeça. Para não me preocupar com mais ninguém que não eu mesma.

Um dia deixo de ser bicho do mato. Um dia, não sei quando nem como, deixo de ter medo de me dar a conhecer. Até lá, vou mantendo a armadura que carrego comigo. Aquela armadura que tenho desde sempre e que, nos últimos anos, se tornou quase impenetrável depois de tantas pancadas. E é dessa armadura que tenho que me desfazer se quero deixar de ser alguém que se esconde ao mínimo sinal de tentativa de aproximação.

Sim, preciso sempre de tempo. E desta vez não me deram o tempo que precisava. Foram cinco anos? De presença online sim. Mas de presença ao vivo foi apenas uma curta viagem que não me permitiu mostrar-me, não me permitiu ir despindo a armadura, dar-me a conhecer.

Sei que o fim está a chegar. Ou já chegou. Sei que a última vez até já deve ter acontecido, embora gostasse de ter um último momento para, de certa forma, me despedir. Já me despedi da única forma que me é permitido despedir. Mas essa despedida não foi percebida. Por isso, que aconteça essa última vez para poder definitivamente dizer adeus.

Triste. Posso sentir-me triste. Mas, com esta despedida, há uma coisa que eu sei: no fim não serei a perder. Já perdi o que tinha a perder, não posso perder mais. Por isso não serei eu quem sairá a perder. Porque há quem me vá perder a mim. Mas ainda não o percebeu…

Não sou perfeita, estou muito longe disso. Sou, estupidamente, bicho do mato. Mas não serei eu quem sairá a perder…