Daily Archives: 04/01/2023

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Quarta feira, dia do meio, dia nim, nem não nem sim. E sinto falta dos rituais. O matinal para começar bem o dia. O nocturno para terminar o dia com um aconchego. Tudo isto me fazia sentido. Tudo isto me fazia sentir bem. Tudo isto me fazia bem. Agora resta-me aprender a não ter nada disso. Começar o dia de forma quase vazia. Ir dormir quase desamparada. Mas, sei agora, foram rituais que duraram cinco anos e só a mim faziam bem. Para o outro lado era indiferente. Sempre foi indiferente. E, quando pensei em terminar com o ritual nocturno há seis meses, perguntei sobre isso e foi transferida para mim a decisão de o fazer ou não. A responsabilidade passou para mim porque, para o outro lado, interessava o que me fizesse feliz. Não foi isso que perguntei, lembro-me de pensar. Mas foi essa a resposta que tive. O politicamente correcto sem querer assumir a responsabilidade de uma situação que era tão simples de resolver. Bastava uma resposta sincera, fosse ela qual fosse.

Mantive o ritual ainda uns meses. Mas forcei-me a acabar com ele quando percebi que, em dado momento, já não estava a ser bem recebido. Acho até que, nesse momento, a minha presença, ainda que simplesmente online, não estava a ser bem recebida. Por isso, forcei-me a afastar-me. Cortei com o ritual nocturno, comecei a espaçar o ritual matinal até que acabei por cortar com esse também. Depois de cinco anos, em que esses rituais foram diários, cortar com eles não foi fácil. E todos os dias tenho vontade de os repetir. Mas não vão acontecer. Não só porque sei que não serão bem recebidos mas também porque sei que, neste momento, já não me vão fazer bem. E agora só me importa focar-me no que realmente me faz bem. Porque, percebo agora, estes cinco anos podem ter-me feito muito bem no início, mas nos últimos tempos só me têm feito mal. E isso eu não quero. Não preciso disso.

Ainda estou a gerir o que sinto sobre a decisão de dizer adeus. Um adeus que foi escrito, mas não foi entendido. Bastava ler nas entrelinhas. Mas, pelos vistos, não foi mesmo percebida a mensagem que quis transmitir. No entanto, vou-me afastando. Mas nem esse afastamento é entendido. Não vou sequer tentar fazer entender nada. Irá chegar o dia em que o outro lado vai perceber que não estou por perto. Não vai mudar nada, eu sei. Mas o que eu queria mesmo era que a leitura nas entrelinhas fosse feita correctamente e a mensagem chegasse ao destino…

Continua a ser tristeza aquilo que sinto. E um vazio pela ausência daqueles rituais diários que durante cinco anos me faziam sentir que havia alguém do outro lado. Hoje não há ninguém. E percebo que, se calhar, há muito tempo que esse alguém do outro lado estava apenas a ser politicamente correcto. E eu não gosto do politicamente correcto. Prefiro uma atitude sincera, doa ou não. Mas já percebi que é assim que o outro lado é. Nada a fazer, portanto…

Foi, portanto, mais um dia vazio. Amanhã não terei com quem realizar o ritual matinal, mas nem por isso o dia deixará de ser um bom dia. Simplesmente porque eu quero que assim seja. E porque a partir de agora só irei procurar o que me faz bem. A despedida foi feita. Entenda quem souber, de facto, ler nas entrelinhas…