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As pessoas e os pequenos poderes. Todas elas que têm, como função, fazer-se valer de pequenos poderes devem ter no CV obrigatoriamente mestrado e pós graduação em Total Desumanidade com especialização em Falta de Empatia. Dá-se preferência a quem desconheça por completo o que é Empatia.

Pequenos poderes. Desde sempre que não posso com eles, não os aceito e não sei lidar.
E, pelos vistos, na Segurança Social eles andam por lá. Nunca me tinha cruzado com estas criaturas antes. Hoje foi a estreia. Das vezes anteriores eu tinha autorização para falar e até entregar toda a documentação clínica disponível. Hoje? Não demorei 2 minutos no gabinete, não fui autorizada a abrir a boca para dizer fosse o que fosse, foi recusada toda a informação clínica que levava. Foi-me exigido um relatório que ainda não existe porque o diagnóstico ainda não foi fechado. Assisti ainda a um momento de pura adivinhação quando uma das criaturas me fechou, logo ali, o diagnóstico e assumiu que eu, sendo funcionária de um call center, estava mais do que em condições de fazer outras coisas que não atender telefonemas, quando, num call center, as funções são unicamente atender telefonemas.

Gente desumana, sem qualquer tipo de empatia e muito feliz pelos pequenos poderes que tem em mãos. Penso que, também por isso, toda a gente, e foram muitos, que entrou naquele gabinete antes de mim não demorou mais do que 2 minutos.

Pequenos poderes. Há quem não viva sem eles…

………

Por outro lado, há aquelas pessoas que passam por nós brevemente e que, quando o trabalho assim o exige, se vão embora deixam uma espécie de vazio. Foi isso que aconteceu esta tarde com os estagiários de fisioterapia que tão bem me acompanharam desde o primeiro dia. Deixaram, logo desde o início, que eu fosse tal e qual aquilo que sou e que várias vezes lhes repeti e eles, juntamente comigo, riam sempre: “sou um bocadinho palerma e meio pateta”. Isto tudo porque tenho levado sempre os tratamentos a rir e a brincar mesmo quando trabalhávamos forte. Havia sempre tempo e disponibilidade para rir. E eles já sabiam também que eu optava sempre pelo mais difícil, mesmo em exercícios aparentemente mais fáceis. Disse-lhes várias vezes que não gosto do caminho mais fácil. E ia sempre um bocadinho mais além.

Tantas vezes, em exercícios com bola no chão, parecíamos miúdos no recreio da escola a jogar à bola.

Hoje houve despedida. A custo. Mas houve bolo a que também tive direito, houve beijinhos e abraços. Houve, da parte deles, agradecimento pela confiança no trabalho deles. Respondi que eu é que agradecia pelo trabalho que tiveram comigo.

Provavelmente nunca mais nos cruzaremos. Mas deixei-lhes o recado: riam! Muito! Ajuda em tudo!

Sei que, para o estágio deles, sou um Estudo de Caso. E espero, sinceramente, que no meio de tanto disparate, o resultado do estágio seja muito bom. Não peço menos que isso.

E, ao vir-me embora, ainda tive tempo para lhes dizer: “desejo-vos tudo de bom, seja a nível pessoal, seja a nível profissional”…

Dizem eles que segunda feira chegam dois novos estagiários também bem dispostos e que lhes iriam passar o testemunho. Acredito nas palavras deles. Mas nada vai substituir estes dois meninos, provavelmente por terem sido os primeiros ou simplesmente por serem como são. Nunca saberemos. Segunda feira conheço os novos estagiários. Let’s wait and see.

Agora, e depois de um dia longo, surreal e de emoções à flor da pele, está mais do que na hora de enroscar e aninhar. Amanhã há Yoga logo cedo. E à tarde o telemóvel deve tocar. Por isso é hora de, finalmente, descansar. Amanhã há mais.

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