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ansiedade

(an·si·e·da·de)


nome feminino

1. Comoção aflitiva do espírito que receia que uma coisa suceda ou não.

2. Sofrimento de quem espera o que é certo vir.

“Ansiedade”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2024, https://dicionario.priberam.org/Ansiedade.

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Sair de casa de manhã cedo para mostrar, no braço, o resultado de um exame. Chegar à paragem do autocarro e perceber que é dia de greve dos autocarros… Ligar para o CDP, explicar porque não consigo comparecer e fazer uma brevíssima descrição do local do teste. Ouvir do outro lado “se está assim é porque tem aí alguma coisa, tem mesmo que ser vista”… Para mim, não seria mais do que uma leve reacção à picada. Não está vermelho. Praticamente não está inchado, apenas tem um ligeiríssimo alto que mal se nota, só passando o dedo. E mesmo assim…! Claro que não fiquei descansada com as palavras da enfermeira. “Venha cá amanhã, sem falta. Tem que ser vista!”

Merda, pensei. Claro que consultei o Dr. Google. Sei que não devia. Afinal, o Dr. Google pode ter muita informação, mas não é clara nem acessível para quem não estudou o assunto.

Já meti na cabeça, entretanto, que será um resultado positivo. À partida, e na ausência dos restantes resultados de raio-X e análise ao sangue, a ser positivo deverá ser algo latente. Tem tratamento, claro. Mas é um resultado que não quero…

Tirando a greve dos autocarros que me obrigou a adiar o resultado do teste e um atendimento na Segurança Social, o dia foi bom. Visita dos meus tios para almoço com entrega de um polvinho de peluche que eu tinha pedido só porque sim, conversa e risota ao almoço sabem sempre bem. A tarde? Foi completamente apagada no sofá. Como sempre. Mas a última noite não foi fácil… Adormecer, com calor, depois das 2h da manhã para acordar às 7h para apanhar o autocarro que não havia, claro que me deixou de rastos. Ainda consegui dormir um bocadinho de manhã até à chegada dos meus tios, mas não foi suficiente. Já sei que na noite a seguir ao Yoga Nidra tenho que dormir muito. E, normalmente, no dia seguinte acordo sempre muito tarde. Desta vez, não houve tempo para isso.

Mais uma vez digo: eu não sei fazer resumos. E tinha combinado com o professor de Yoga enviar-lhe uma mensagem com a descrição do que senti durante a experiência de relaxamento profundo de ontem. Que, mais uma vez, foi uma daquelas experiências que poucos entendem ou, sequer, aceitam. Mas ele entende. E, claro, foi uma mensagem extensa e detalhada. Que só terminei de escrever às 2h da manhã. Eu preciso mesmo de aprender a fazer resumos. Porque não sei mesmo escrever pouco…

Não interessa. O dia passou, eu apaguei no sofá e só depois disso é que comecei realmente a perceber a ansiedade que se instalou em mim depois de falar com a enfermeira. E a ansiedade não é nada de agradável. Custa senti-la. Mas custa ainda mais ter que lidar com ela. E eu tenho que o fazer…

Amanhã de manhã vou mostrar o meu braço à enfermeira e saber o resultado. O resultado final só dia 22 na consulta com a médica de Infecciologia que, para além do resultado deste teste, já terá também o raio-X e o resultado das análises. E aí sim, saberei com 100% de certeza se tenho ou não alguma coisa latente… Era só isto que me estava a faltar agora…

Não vou pensar mais nisso agora. Já é tarde, amanhã é dia de sair de casa cedo outra vez e eu não posso deixar que a ansiedade tome conta de mim como já tomou tantas vezes.

Por hoje chega. Tenho um polvinho e uma corujinha de peluche à minha espera para passar a noite. Um par improvável? Talvez. Mas que, de certa forma, retrata um bocadinho da minha realidade. E se não posso ter a companhia do meu Polvinho, então que tenha um polvinho de peluche.

E amanhã? Vai ser uma manhã corrida. Ir ao CDP logo cedo para lá estar às 9h30m, voltar para casa a correr, almoçar às 11h10m para ter o transporte dos Bombeiros para a fisioterapia antes do meio dia à minha porta e só iniciar o tratamento às 14h para estar de volta a casa às 15h30m. E só aí vou conseguir parar. Se apagar no sofá apaguei. Já é o costume. Mas o importante agora é desligar a cabeça e parar a ansiedade.

O resto? Amanhã logo se vê.

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