Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

{#143.223.2019}

À espera que uma luz se acenda sem que eu acenda a minha primeiro… Quieta e sossegada no meu canto. Até ao momento em que não aguente mais ficar às escuras.

{#142.224.2019}

Sossegada no meu canto. Novamente. Porque acção -> reacção. Mas a acção não pode ser sempre do mesmo.

Um dia isto muda. Um dia mudo eu. E deixo de ser totó.

{#141.225.2019}

Às vezes é preciso olhar e ver de fora para um problema que é nosso para perceber que, afinal, não é nenhum bicho de sete cabeças. A depressão é um bicho feio, sim, é uma doença mental, sim, mas não é nenhuma situação impossível de entender ou superar.

Há muito tempo que não falo da depressão. Simplesmente porque estou hoje melhor do que há dois anos, ou até mesmo um ano e esse bicho está controlado. Mas não desapareceu. A sintomatologia está cá ainda e a querer mostrar-se e fazer-se mais presente. Mas não posso permitir que a depressão vença após tanto tempo e tanto trabalho que lhe tenho dedicado.

Continuam as consultas semanais com o terapeuta fofinho que puxa por mim mais do que eu mesma. Continua a medicação hoje já em doses menores do que há dois anos, um ano. Continua o trabalho para que a doença não me leve novamente para aquele lugar escuro onde já estive. É possível que esse trabalho seja algo que fique para a vida, pelo menos o trabalho interno. Mas tem valido a pena o esforço.

Os dias menos bons já são aqueles dias banais em que nada acontece e não aqueles dias em que tinha vontade de desistir. E isso já é uma vitória.

Que continue assim, no bom caminho. A doença, que é mental, também se pode vencer. E aos poucos tenho chegado lá.

{#140.226.2019}

“Está bom assim” é um conformar que só faz sentido quando se arruma a mobília numa sala. Nem o conteúdo das estantes se conforma porque está sempre sujeito a alterações.

Por isso porque é que eu hei-de me conformar com este “está bom assim” quando sei que podia estar melhor?

Há que deixar cair as inseguranças e deixar de ser totó rapidamente. Porque sim, está bom assim, mas pode sempre melhorar. Pior não fica de certeza. No mínimo sairá de cima de mim um peso que sufoca por não dizer o que trago cá dentro.

Está bom assim. Mas não me chega. Quero mais. E para isso tenho que me mexer e chegar-me à frente. Assumir que trago comigo tanto para dar a quem me deixa assim, totó.

Está tão bom assim… Mas tenho que sair desta zona de conforto e passar para um novo patamar de “está bom assim”.

{#139.227.2019}

Domingo sem pressas. Sem história. Sem nada que valha a pena assinalar.

Já sinto falta de dias com história. Mesmo que seja um domingo preguiçoso.

{#136.230.2019}

De todas as rotinas, a melhor é a de voltar para casa. Voltar ao tempo que é meu, para mim. Mas é esse tempo que eu preciso de reaprender a aproveitar. É esse tempo que eu preciso de reaprender a valorizar. Não pode ser só voltar para casa. Tem que ser algo mais. E agora está tempo para viver esse tempo de outra forma. Seja um café ao fim do dia numa esplanada, seja de outra forma qualquer. Tenho que dar a volta a isto.

Porque insisto que não tenho tempo para perder Tempo, mas não faço nada por isso.

Não pode ser. Não posso continuar em modo sobrevivência. Tenho que reaprender a viver todos os momentos. E a aproveitar cada momento como se fosse único. Porque é de facto.

Novas paragens, precisam-se. Não pode ser só voltar para casa.

{#133.233.2019}

Rotinas são sempre necessárias.

Esquecer-me do que digo, quando não é importante, faz parte. Porque de resto, o que é realmente importante, lembro-me de tudo. O que digo e o que fica por dizer. O que me dizem e o que ainda não foi dito. Lembro-me demasiado de demasiadas coisas e algumas até desnecessárias.

É assim a personalidade borderline. Ou também é assim.

Ficam ainda algumas coisas por dizer. Mas dessas não me esquecerei que as disse depois de o fazer. Porque fazem parte do rol das coisas importantes.

Até lá, vou mantendo as rotinas. De manhã ou ao fim do dia, já fazem parte e fazem sentido. Porque as rotinas têm que fazer sentido ou serão apenas coisas que se repetem aleatoriamente.

Ficam as rotinas. Ficam, para já, coisas por dizer.

{#130.236.2019}

Sou uma sonhadora. Mas também vejo a realidade como ela se apresenta. E hoje apresentou-se, mais uma vez, de acordo com aquilo que vou sonhando ainda em segredo. Por isso sim, mantenho-me sonhadora. Não posso estar assim tão longe do que é realmente.

Importante é deixar de ser totó. Aí sim, posso olhar para a realidade e aceitar o que me trouxer.

Até lá, vou mantendo os sonhos adolescentes que alimentam as borboletas.

{#129.237.2019}

Não importa a quantidade, importa a qualidade. Mesmo em conversas telegráficas, importa que existam apenas.

Um dia escrevo sobre isso. Hoje apenas deixo o apontamento para não me esquecer que muitas coisas pequenas fazem uma grande. Como as conversas. Conversas que não são mais do que presenças. E isso é bom.

Nada disto parece fazer muito sentido para quem está por fora. Mas para mim é importante não esquecer.

Gosto destas coisas assim pequenas. Mas claro que gostaria delas em grande. Mas é o que há agora. É o que é. É o que pode ser. Por agora. Quem sabe se um dia não é diferente…

{#128.238.2019}

Cansada, novamente, do frio. Da chuva. Dos dias cinzentos.

Preciso de fazer acontecer, mesmo com frio, mesmo com chuva. As borboletas não se mantêm sozinhas.

Deixar de ser totó e dar o passo que já esteve mais longe.

Mesmo com frio, mesmo com chuva, se fizer acontecer os dias ganham outra cor.

Vou dar esse passo. Muito em breve vou dar esse passo. E se dependesse apenas de mim dava-o já hoje. Mesmo que não fosse da melhor maneira, da forma mais correcta, dava-o já hoje. Agora.