Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

{#245.122.2020}

Acordar de madrugada, por nada, motivo nenhum, e receber mais uma amostra de pequenos nadas. São coisas tão simples e tão pequeninas que para muita gente não significam nada, mas que para mim têm um peso grande.

Mas não passam disso mesmo, pequenos nadas. Ainda assim roubam-me um sorriso ensonado e ajudam a voltar a adormecer mais aconchegada.

Agora faço por ficar quieta no meu canto novamente. Provavelmente não por muito tempo, porque não sei ser de outra forma. Mas fico quieta com um sorriso. Pequenino, quase imperceptível, mas que está cá.

Porque há coisas pequeninas que me sabem bem. Como estes pequenos nadas que de vez em quando aparecem. E me roubam sorrisos.

E, entretanto, chegou Setembro. Mas, enquanto puder, vou fazer de conta que ainda não chegou. Não estou preparada para ele. E, neste ano que parou a meio de Março, tudo é possível. Como fazer de conta que Setembro não está já cá. Vou prolongar o Verão enquanto puder.

{#244.123.2020}

Sonhar acordada e sonhar sonhando. O sonho é o mesmo: o regresso a um projecto que durou pouco porque já se sabia temporário mas que foi bom e soube bem.

Gostava muito que esse sonho passasse a ser real. Dificilmente o será, já sei.

Procuro, no entanto, não desanimar demasiado com o projecto que é real e que detesto. Não há como fugir dele, por isso resigno-me e aguento o que não gosto.

Vou buscando aqui e ali pequenas coisas para compensar. Nem que seja um pouco de gelado ao final do dia.

E, entretanto, Agosto chegou mesmo ao fim. Setembro está à porta e eu não estou preparada para ele.

{#243.124.2020}

E 38 dias depois, Agosto terminou. Foram dias cheios. De tudo. Coisas boas e coisas menos boas. De espaço ocupado e rotinas interrompidas. De falta de sossego e animação constante.

Foram 38 dias antecedidos por várias semanas alternadas. Sempre em alta.

Por muito que este tempo passado a 5 seja importante, já estava cansada de me sentir invadida no espaço e nas rotinas.

38 dias depois, Agosto terminou. Agora é tempo de recuperar o meu espaço e recompor rotinas.

{#242.125.2020}

Começar o dia ao final da tarde. É só mais um dia perdido. Mas que era preciso perder.

E Agosto a chegar ao fim.

{#241.126.2020}

Diário de bordo, ano 2020, entrada 241.

Podia ser um qualquer episódio de uma série de ficção científica. Mas não é. É só mais um dia nesse estranho ano que é 2020.

Hoje falou-se no novo normal. Que temos que nos habituar a ele. Mas como é que nos habituamos a algo que só nos traz coisas más?

Faz-me falta a antiga normalidade. Por muito que o isolamento já me fosse algo de normal, faz-me falta o poder fazer coisas e estar com pessoas sem grandes preocupações.

Mas agora temos que nos habituar a isto. A algo tão difícil de explicar e sintetizar. E tão difícil também de gerir emocionalmente.

Dia 241. Ainda faltam 126 dias para acabar o ano. E o próximo lote de 365 dias ainda não promete muito.

E eu estou cansada… Tanto. Deste novo normal.

{#240.127.2020}

Aproveitar todas as oportunidades para sair do bairro e ir um bocadinho mais longe. Como ir a Lisboa ao fim do dia.

E a confusão à minha volta que continua instalada.

E acompanhar de perto o evoluir dos novos tempos sem saber exactamente o que esperar.

E o silêncio…o que me dói é o silêncio. Mesmo que não haja razão para mais do que isso mesmo, silêncio…

Enfim…Não é fácil estar dentro da minha cabeça. E, por vezes, até eu gostava de sair dela.

{#239.128.2020}

Prestes a chegar ao meu limite. Há muito tempo que não me sentia tão perto de me perder.

Há coisas que mexem comigo de uma forma que só eu sei, mesmo que não entenda. Porque as sinto intensamente, como todas as outras coisas. Sinto-as, apenas. E tenho que lidar com o que sinto. Mas há coisas com as quais não sei lidar.

Daí até ao ponto de rotura é um instante. E estou quase lá.

Mas Agosto está a chegar ao fim. Depois disso regressa a normalidade que tanto preciso.

{#237.130.2020}

Correm os dias a que velocidade? Ainda não percebi se correm depressa, demasiado depressa, ou devagar. Penosamente devagar.

Já sei a que sabem 6 meses. Não preciso de passar por eles novamente. Mas, como sempre, um dia de cada vez. Até haver um novo momento de presença física, quando a outra acontece praticamente todos os dias.

Mas, nos dias que correm, até essa presença física está limitada a um distanciamento que se impõe. E fica a faltar o contacto, por muito pouco que fosse.

Por isso, repito: um dia de cada vez. Um dia atrás do outro atrás do um. Vai correr tudo bem. E também a esta distância vou sobreviver.

{#236.131.2020}

Domingo com sabor a domingo, mais uma vez. E Agosto a chegar ao fim.

Continuo na ressaca da totozice. E não consigo deixar de pensar que é uma estupidez ficar assim, totó, mas não consigo evitar. Talvez um dia fique melhor, só não sei como. Até lá, vou tentando não o ser nas palavras escritas. Nessas, consigo estar um pouco mais à vontade.

Quem sabe um dia as coisas mudem. O meu gut feeling latente desta vez não se pronuncia, talvez pela minha, também latente, insegurança. Mas quero muito acreditar que as coisas ainda vão mudar. Mesmo que esta minha fé mais não seja do que wishful thinking.

Quem sabe? A única coisa que sei é que tenho que deixar de ser totó. Ou de ficar totó quando menos o deveria ser.

De resto, foi mais um domingo com sabor a domingo. E Agosto a chegar ao fim.

{#235.132.2020}

Ainda na ressaca do final do dia de ontem. Do facto de ser tão totó. Como é que é possível?

Um dia supero essa insegurança. Até lá vou sentir-me sempre mal com tanta totozice em tão pouco tempo.

{#234.133.2020}

It is what it is. Mas, 6 meses depois, foi bom rever quem cheguei a pensar que não voltaria a ver. Pelo menos não tão cedo.

Continuo a ser totó? Continuo. E só tenho a perder com isso.

Mas foi bom. Soube bem. Espero que não passem mais 6 meses até à próxima vez.

{#233.134.2020}

Hoje não me apetece escrever…por nada, simplesmente não me apetece. Há 6 anos que o faço todos os dias. Sem excepção. Como um ritual de fim de dia.

Escrever todos os dias ajuda-me a pôr as coisas em perspectiva. A relativizar. Já me serviu para exorcizar o que quase me destruiu. Agora só serve mesmo para relativizar.

Um dia deixo de escrever. Mas quando o fizer vou ficar com um vazio por preencher.

Por isso mantenho a escrita diária. Até nos dias em que não me apetece escrever. Como hoje.

{#232.135.2020}

Melhor do que seguir as recomendações do terapeuta fofinho para ir ao sushi, só mesmo ir ao sushi com o próprio terapeuta fofinho.

E mesmo com as regras do distanciamento social que nos é imposto, é possível partilhar abraços, desde que usando máscara.

Hoje foi assim, dia de repôr endorfinas. Melhor do que ter um amigo que por acaso é terapeuta, só mesmo ter um terapeuta que se transformou em amigo.

Já são 4 anos de acompanhamento. De muito trabalho de parte a parte e com grandes resultados à vista. Hoje foi dia de matar saudades pessoalmente. E aproveitar para partilhar um bom sushi. Em jeito de jantar de aniversário de uma relação que começou como sendo apenas profissional mas que seguiu o caminho da amizade.

Não tenho dúvidas, tenho ali um amigo. Que por acaso é o meu terapeuta.

{#231.136.2020}

Em contagem decrescente para receber um abraço. Parece pouco, mas sabe a tanto. E nem mesmo o distanciamento que se impõe me vai impedir de receber a minha dose de endorfinas. A última já foi há um ano…

{#230.137.2020}

Acordem-me quando Agosto terminar… Até lá aguento até ao meu limite. Sem poder fugir, fugindo ainda assim.

Estou cansada de tanta agitação à minha volta, quando preciso de sossego e estabilidade para me aguentar.

Os últimos 5 meses têm sido um desafio. Dos grandes. Que, a dada altura, pareceu ser mais fácil de manter do que inicialmente julgava. Mas agora não está a ser fácil. Preciso de sair daqui, ver gente que me faz bem, novamente o querer ver gente, desta vez apenas para fugir à confusão à minha volta.

Gosto muito dos Meus Dois, mas preciso do meu espaço de volta. Porque o meu espaço é também sinónimo do meu sossego. Da minha paz. E é disso que estou a precisar.

Falta muito para Agosto terminar?

{#229.138.2020}

Há coisas com as quais não sei lidar. E, mesmo não sendo minhas directamente, também implicam de alguma forma a minha intervenção.

Não sabendo lidar, fecho-me e afasto-me. Pode passar a imagem de que não me importo, mas importo-me. Porque também me afectam, de uma forma ou de outra.

Mas não sei lidar com algo que se traduz no poder que algumas pessoas conseguem ter sobre outras por pura maldade. Nunca soube. Mas vou ter que aprender. E rapidamente.

{#228.139.2020}

Fazer o que realmente gosto não tem preço. Só é pena já não ter tanto tempo para isso.

Por outro lado, ainda faltam 15 dias para acabar Agosto. Não que esteja desejosa que chegue Setembro, porque não estou. Acho até que não estou preparada para isso. Mas o meu espaço está demasiado ocupado e só fica mais leve no final do mês…

Acho que nesses 15 dias que ainda faltam vou ter que arranjar tempo para mim à frente da máquina de costura. Aí sei que estou bem. E sabe-me bem. E faz-me bem.

Vão ser longos 15 dias. Como têm sido as últimas 3 semanas. Mas vou tentar fazer com que valham a pena o espaço ocupado.

{#227.140.2020}

Mais uma semana que termina. Com tanto e nada a acontecer.

Venham dois dias longe do trabalho que não gosto, com tempo suficiente para voltar ao que gosto mesmo, os tecidos.

{#226.141.2020}

Gosto de ter como máxima o mote “se é para fazer, é para fazer bem feito”. Por isso mesmo dou o melhor que consigo, posso ou sei em tudo a que me proponho.

Mas também sou a primeira a admitir quando tenho dificuldade em fazer algo que não gosto… Aí continuo a tentar o melhor, mas sei que não é suficiente.