Author Archives: Kooka

About Kooka

Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

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Na hora das gaivotas. Mesmo que sem elas, não importa.

Fechou-se um ciclo. Que comece outro. Em bom.

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A sentir-me um bocadinho adolescente à descoberta.

E é tão bom.

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O meu momento favorito do dia? Quando o sol começa a surgir.

Um novo dia, um novo começo.

Uma nova oportunidade. Que aceito e agarro.

E deixo fluir.

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“Isso que acabou de dizer é um sinal enorme de quem está melhor.”

Mais centrada. Mais aqui e agora. De acordo com o diagnóstico, suspeito desde o segundo dia. De “PPB?” a simplesmente “PPB” sem interrogações.

Agora? Continuar o trabalho dos últimos 14 meses. Focada em sinais e na aprendizagem de como travar. Sei que voltarei a cair, mas hei-de aprender a não cair tão fundo e tão negro.

“Parabéns!”, terminou ela. Havemos de nos encontrar novamente daqui a 2 meses. Já com a certeza da redução dos “contentores”.

Um dia volto a caminhar sozinha, sem muletas. E se há um ano achava impossível hoje estar onde e como estou, hoje olho para trás e vejo o quanto já caminhei primeiro a dois e agora a três.

Não é fácil. Mas, dizem, dizem-me, somos muito mais fortes do que pensamos ser. E, olhando para trás, hoje tenho que concordar.

Agora? Olhar para a frente. É assustador mas tudo o que é desconhecido o é. Olho para a frente sem expectativas demasiado altas (faz parte da aprendizagem) mantendo-me sempre no aqui e agora.

E vou descobrindo o que houver para descobrir.

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“Vai com calma…”, dizem-me. Vou, respondo. Ou talvez não vá porque sou mesmo assim e por ser assim não sei ir de outra forma.

Mas vou. Quando prometi a mim mesma não ir por ali. Vou. Quando decidi seguir os conselhos dele mesmo que algo indirectos.

Vou. À descoberta. Acima de tudo de mim mesma. Mas, pelo menos, vou. Um dia atrás do outro atrás do um.

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“Há forças inexplicáveis”…

Há. E por não se explicarem o melhor é deixar fluir.

O que for, será. O que não for, também.

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A redescobrir algo que já não me lembrava como era. E a ter que me lembrar da minha condição Borderline e a identificar sinais.

É estranho. Mas é bom.

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Porque é que insistes em esquecer-te de respirar…?

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“Tu sentes assim porque és muito sensível. E isso é bom. És muito humana.”

Não sei até que ponto é bom. Não é bom quando o telefone toca e do outro lado está alguém que perdeu tudo e sinto um murro no estômago, um nó na garganta e os olhos a ficarem molhados quando estou apenas a fazer o meu trabalho. E o telefone toca outra vez e novo aperto. E outra vez e o ar que não entra. E toca mais uma vez e pela localidade de onde ligam já sei que vem novamente um soluçar na minha voz.

Não. Não sei se ser assim tão sensível é bom. Às vezes gostava de conseguir ser indiferente. Mas não consigo. Porque não sou.

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“Saudade Para Um Tempo Longe”.

Saudade, é só o que fica. Umas vezes violenta. Outras, como agora, mais serena.

Presença Para Um Tempo Perto, contraponho. E é a presença que procuro agora. Chega de ausência. Chega de saudade.

Presença, a mesma da luz. A que acompanha. Que está perto. Que está cá.

Procuro “Um Tempo Perto”. Não mais “Um Tempo Longe”.

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Entrar mais cedo, sair mais cedo. Pode meia hora ser uma hora de diferença? Pode.

Aproveitar o tempo para mim. Aproveitar o tempo, ponto. Recuperar algum tempo por aí.

Preciso voltar a escrever em papel……

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“Tens que começar a sair. E a reforçar a tua rede.”

E hoje saí e reforcei. Tenho que fazer isto mais vezes.

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Às vezes gosto, muito, de ser como sou. Mesmo que não me encaixe. Ou especialmente por isso.

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Primeiro, os factores de protecção. Só depois os factores de risco e as memórias que magoam.

Ainda há muito trabalho pela frente.

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Às vezes gostava de ser de crenças. De fé, se assim lhe quiserem chamar. De poder atribuir a uma vontade superior tudo o que acontece. Mas, acima de tudo, sentir aquela espécie de segurança, aconchego?, de que tudo vai correr bem simplesmente porque alguém sabe-se lá onde assim o quer. Mesmo que tudo à volta se desmorone.

Às vezes gostava de sentir essa segurança, mesmo sabendo que maioritariamente só depende de mim. E é só comigo que posso, devo?, contar para seguir o meu caminho. Porque, por muito que me digam para não ter medo e que vão estar sempre por perto, a verdade é que só eu estarei sempre presente para mim mesma.

Às vezes gostava apenas de não ter medo.

Às vezes gostava apenas de ser diferente.

Às vezes gostava apenas de ser melhor.

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Não sabia ser possível ter saudades da última pessoa que se quer ver à frente.

Até hoje.

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…onde estás…?

“Nada vai mudar. Nada precisa de mudar.”

…onde estás…?

“O Sol continua a nascer e a pôr-se todos os dias.”

……………onde estás……?

“Funny how you’re the broken one but I’m the one who needed saving…”

…não estás…claro que não estás. Porque estarias?