Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

{#174.193.2020}

Apetece-me conversar… Se há uns anos, neste mesmo dia, dizia de uma forma quase apática que não me apetecia escrever ou quase comunicar, hoje apetece-me conversar. Não me apetece escrever, não é por aí que tenho vontade de comunicar. Conversar. Cara a cara. Frente a frente. Sem pressa e sem horário, conversa sem rumo pré-definido. Deixar fluir e deixar-me levar pelas palavras.

Falta-me a interacção. Falta-me a conversa presencial. Falta-me a presença do outro. Seja o outro quem for, desde que queira o mesmo que eu: conversar.

Estou cansada do distanciamento… E ainda agora vamos no início, mesmo ao fim de mais de três meses.

Manter a sanidade mental tem sido um desafio. Especialmente desde que entrei em modo “memória de calendário” há uns dias. Por precisar de algum sossego à minha volta e não o ter. Por precisar de lamber as feridas e não estar a conseguir.

Apetece-me o que preciso: conversar. De viva voz.

Não está a acontecer. Nem vai.

{#173.194.2020}

Recolhida. A precisar de sossego. Sem o ter.

Não vai ser fácil. Mas vai ser possível. Vai ter que ser possível.

{#172.195.2020}

É altura de algum recolhimento e tempo de lamber as feridas. Já não estão tão abertas como antes, mas ainda existem. E o calendário insiste em trazer-me todas as memórias. E essas sim, estão sempre bem presentes.

Recolho-me o melhor que consigo, quando tudo o que preciso, para além de lamber as feridas, é de presenças de quem sinto falta. Não sendo possível as presenças, recolho-me. Quando só me apetece dizer bem alto “Estou aqui”.

Sobrevivi aos últimos 6 anos. Como assim, já 6 anos? A dor já não é tão forte, mas ainda dói. As feridas já não sangram, mas ainda existem. E as próximas 6 semanas vão ser de teste. Um teste para perceber o grau de cicatrização do que cheguei a acreditar que não tinha cura.

Mas se sobrevivi aos últimos 6 anos, também hei-de sobreviver às próximas 6 semanas.

Volto ao mantra de antes: um dia atrás do outro atrás do um.

Com calma. Sem pressa. Mas sem tempo para perder Tempo.

{#171.196.2020}

Cansada da agitação dos últimos dias. Gosto muito de ter os Meus Dois por perto, mas há alturas em que me cansam. Como esta semana…

É demasiada confusão para a minha cabeça que, de novo, me pede sossego. Porque há memória de calendário novamente a funcionar. E hoje faz 6 anos que muita coisa, para não dizer logo tudo, começou a mudar. Em mim.

Vai ser um longo caminho até ao fim do ciclo das memórias de calendário, agora que estou fechada em casa porque o trabalho se faz à distância. Vão ser umas longas 6 semanas… E não preciso de as contar para me lembrar de tudo. Cada pormenor. Cada momento. Cada dúvida. Cada certeza.

Muita confusão à minha volta não vai ajudar. E não tenho como fugir.

{#170.197.2020}

À procura de um bocadinho mais de cor de rosa. Faz-me falta para melhorar os dias.

Os próximos meses vão ser longos, sem a interacção que me faz falta. Que durante anos não valorizei, mas que aprendi a reconhecer como sendo importante.

Já passaram 3 meses. Vêem aí mais 6.

Procura-se o cor de rosa. Isso e muito mais que não vai poder ser.

{#169.198.2020}

Parar um bocadinho todos os dias. Para pensar ou simplesmente não fazer nada. Preciso sempre de momentos para mim.

E é nesses momentos que percebo quem me faz falta, quem gostaria de ter ao meu lado nesse tempo.

És tu, claro.

{#168.199.2020}

Dias sem histórias e sem História. Também são importantes para reconhecer a importância dos dias que têm coisas para contar.

Mas cansam. Valem os pequenos nadas, pequenos apontamentos de cor em dias vazios.

Ou como um simples “bom dia” pode fazer a diferença.

{#167.200.2020}

Ter a oportunidade de olhar para cima e respirar.

Tudo se vai arranjar, de uma maneira ou de outra.

Tudo vai correr bem.

Respiro e isso é o mais importante. Junho, aquele mês em que tudo começou, está a ser tranquilo apesar de tudo. O ar entra e sai livremente, sem ansiedade nem traumas.

Olho para cima e acredito que não é a olhar para o chão que se avança, apesar de ser necessário saber por onde se avança.

Não importa a que velocidade avanço. Importa apenas que avanço.

Para além de olhar para cima, também olho para trás. Tantas vezes. Não para ver o que ficou lá atrás, mas para me recordar da distância já percorrida.

É importante parar para olhar cima. Mas também é importante saber olhar para trás. E eu olho. Sem receios. Pelo menos agora não tenho receio de olhar para trás.

Foi duro. Mas consegui chegar aqui.

Agora é continuar.

{#166.201.2020}

Aproveitar o sossego. Não fazer nada. Domingo a saber a domingo.

E tanta coisa a passar-me pela cabeça. Mas daquelas que não me inquietam, apenas passam e não ficam muito tempo.

Já lá vai o tempo da inquietude. Daquela inquietação que trouxe comigo tanto tempo que me fazia ter pipocas na cabeça.

Hoje trago apenas borboletas na barriga. Ainda cá andam, as borboletas. Todos os dias as sinto, embora estejam mais presentes menos tempo do que gostaria. Sentem-se mais com os pequenos nadas. Como ontem.

Agora é preparar-me para mais uma semana. Que se prevê agitada e com pouco ou nenhum sossego.

Aproveitem-se os últimos momentos de um domingo que está no fim. Amanhã vai ser melhor.

{#165.202.2020}

Há dias em que me apetece, muito, perder tempo. Que nunca é realmente perdido por ser tempo gasto em momentos de partilha. Como hoje. Hoje apetece-me, muito, a conversa sem rumo nem obrigação de nada. Apenas a conversa pela conversa. Pela partilha de ideias e momentos. Há quanto tempo não tenho um momento desses?

Nunca é tempo perdido, é tempo investido. Porque dessas conversas sem rumo nem obrigação muitas vezes saem novas ideias ou até mesmo formas diferentes de ver as coisas.

E hoje apetecia-me muito uma dessas conversas sem rumo nem obrigações. Numa qualquer esplanada. Sair. Ver gente. Estar com pessoas que me são algo.

Simplesmente viver um bocadinho.

Estou cansada de não o fazer…

{#164.203.2020}

Às vezes sinto novamente a vertigem da queda. Ainda me é fácil voltar a cair? Não sei, mas não quero tentar saber. Por isso olho para cima. E, percebo, é a olhar para cima que relembro que até o menos bom acaba por passar.

{#163.204.2020}

Mais um dia despido de gente. Uma quinta feira com sabor a domingo. Sem história. Sem registo de nada.

Mais um dia igual aos outros, portanto.

É preciso mudar isto. O distanciamento não pode levar a um maior isolamento. Mas o isolamento é-me demasiado natural. É-me até mesmo normal.

Não pode continuar a ser.

{#162.205.2020}

Mais uma volta da Terra sobre si própria. Mais uma volta minha até à beira da praia.

Mais um dia sem História nem histórias.

Mais um dia igual a tantos outros, ainda que sendo feriado a meio da semana.

Amanhã repete.

Até quando é que os meus dias vão continuar a ser sempre iguais?

Às vezes sinto-me como se estivesse em construção. Numa obra sem fim à vista. Mesmo que já não me sinta destruída como há uns anos, sinto que ainda há um longo trabalho pela frente.

Acho que só quando esse trabalho de (re)construção terminar é que vou conseguir fazer algo de diferente com os meus dias. Até lá vou sentindo o que tenho. Nem que seja saudades.

{#161.206.2020}

Terça feira com sabor a sexta, com uma espécie de fim de semana a meio da semana. Para variar, sem nada digno de nota. Mais um dia de trabalho igual a todos os outros.

Preciso de actualizar os meus dias. Voltar a olhar para eles, todos, em busca de um ponto positivo. Por muito pequeno que seja. Já o fiz antes, porque não voltar a fazê-lo? Afinal, há sempre algo de positivo todos os dias. É só saber olhar. E ver.

Como ontem. Quando já dava o dia por terminado, um pequeno gesto fez a diferença. Um pequeno nada, mais um!, mas que me soube tão bem. Pelo gesto, pela forma e pela mensagem. Aconchegou-me. E estava a precisar disso. Volto a agarrar pequenos nadas, que são só o que há. Por muito nada que seja, é algo que agarro por me fazer sentir bem. Especialmente quando estou prestes a desistir e a deixar morrer as borboletas da barriga.

E o que eu preciso de me sentir bem nestes tempos estranhos…

Preciso de actualizar os meus dias. E pouco a pouco vou começar a fazê-lo.

{#160.207.2020}

Em modo “encolhendo os ombros” por mais um dia que passou. Igual a tantos outros. Sem história e sem histórias.

Mais uma segunda feira, mais uma noite mal dormida depois de algumas, poucas, em que o sono não foi interrompido.

Fica difícil fazer história ou ter histórias para contar quando os dias são passados sempre no mesmo sítio e da mesma forma há quase 3 meses.

Mas preciso de fazer história ou ter histórias para que os dias sejam mais fáceis de suportar. Porque serem sempre iguais custa.

Volto a dizer que preciso de ver gente. Ver pessoas. As minhas pessoas. Aqueles que me fazem bem. Que me fazem sorrir. Que me preenchem e me aconchegam. Que me ouvem, que me escutam. Mesmo quando não digo nada. Ou especialmente quando não digo nada.

Quando é que marco um café com alguém? Talvez quando ganhar coragem para enfrentar os transportes públicos…

Há mais de 3 meses que não vou ter a lado nenhum para estar com alguém, para ver alguém. E isso começa a pesar. Porque a última vez que fui, foi bom e não me importava de repetir. Duvido que volte a acontecer, no entanto. Porque o distanciamento leva ao afastamento. E esse último já se faz sentir. E eu não gosto do que faz sentir…

{#159.208.2020}

Domingo é dia de descanso. E a tarde de hoje foi. Custou-me não sair de casa, mas tive que optar. Optei por descansar.

Os domingos podiam ser um bocadinho mais interessantes, tal como os sábados. Mas agora não há muito que me atreva a fazer para os animar.

As pessoas que gostava de ver vão ter que continuar lá longe. Não tenho coragem de me meter em transportes públicos para ir seja onde for. Fazer seja o que for. Ver seja quem for.

E tudo isso me custa. Muito.

Vou vendo o Tempo passar da minha janela. Lembrando-me que o céu carregado também acaba por limpar e volta a mostrar-se azul.

Nada dura para sempre. Nem este cenário que veio mudar tudo. Até o gut feeling que me acompanhou pouco tempo antes de tudo isto mudar. Também esse gut feeling mudou. E não foi para melhor.

Mas quero acreditar que um dia, não sei quando, tudo vai melhorar.

Porque vai…

{#157.210.2020}

Correio em tempo de pandemia. Sabe-me bem recebê-lo em qualquer altura, mas especialmente agora. É uma forma inofensiva de quebrar o distanciamento social imposto por algo que não se vê, mas que se move e multiplica a uma velocidade assustadora.

Já disse aqui que tenho saudades das minhas pessoas, de as ter mais perto sem medos, sem receios? Já, claro que sim. Mas tenho mesmo. E o correio em tempo de pandemia é uma forma de ter todos por perto.

Está na hora de ser eu a enviar a quem quiser receber. E acreditar que o serviço dos correios vai melhorar.

{#156.211.2020}

Estou cansada de distanciamentos. Preciso das minhas pessoas mais perto.

Na verdade, acho apenas que estou cansada de tudo. Faz-me falta tanta coisa que se foi perdendo nos últimos meses. Especialmente pessoas.

Eu sei que, por norma, sou eu que me afasto. Das pessoas, das situações. Isolo-me. Mas entendo-me com o meu isolamento, o meu distanciamento. O outro, o dos novos tempos, ainda não consegui encaixar. Sei que é necessário. Mas não sei até quando vai ser preciso. E é isso que me deixa com esta permanente sensação de cansaço. A incerteza. A dúvida.

Tenho saudades das minhas pessoas, de as ter por perto. Estou cansada do distanciamento.

É por segurança, dizem-nos. E eu sei que sim. Que é. Mas estou cansada…

{#155.212.2020}

Final de dia em flocos de algodão, num dia que teve tudo para correr mal.

E ainda a digerir a mudança de planos a meio da viagem.

E ainda, ou novamente, a saudade de quem não sabe. Ou sabe. Mas não sabe da saudade.

Amanhã vai ser melhor.