Author Archives: Kooka

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Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.

{#319.48.2020}

Aborrecida. A ver o tempo passar.

Cansada de tudo isto e dos dias sempre iguais.

Profundamente aborrecida.

E é só.

{#318.49.2020

Sexta feira, dia 13. Dia de azar, dizem uns. Só mais um dia, dizem outros. Mas foi também a uma sexta feira dia 13 que trabalhei a última vez no escritório. 8 meses depois, os dias passaram a ser todos iguais.

Não sinto falta da presença da equipa de trabalho, mas sinto a falta das rotinas. Ganhei outras rotinas, é certo, mas perdi algumas coisas que me estão agora a fazer falta. Como ver a luz do Sol, por exemplo. De manhã e à hora de almoço. Agora não a vejo, a não ser pela janela enquanto trabalho. Mas falta-me o Sol no rosto, na pele. E o Sol ao fim de semana não me é suficiente. Menos ainda quando o fim de semana que agora chega é de confinamento.

Vai ser mais um fim de semana a ver o tempo passar. Que seja, então.

Como sempre, amanhã será melhor. Amanhã ou quando for.

{#317.50.2020}

Faltam 50 dias para acabar o ano. E ainda estamos longe do fim deste novo tempo, tão estranho e difícil.

A que velocidade correm os dias? Correm depressa sem darmos por eles e ao mesmo tempo devagar por não acontecer nada. Já não sei a que velocidade correm os dias, sei sim que estou cansada de dias sempre iguais. E, também, de noites interrompidas que teimam em se repetir.

Tenho saudades do sorriso fácil. Tenho saudades de me rir. Tenho saudades de tanta coisa. E de tanta gente. Mas sempre ouvi dizer que esperar é uma virtude. Por isso, resta-me esperar por dias melhores.

Como sempre, amanhã será melhor. Por agora vou esperando que seja mesmo.

{#316.51.2020}

Olhar para cima, sempre. Procurar luzes que me guiem.

Dia de pequenos nadas. São apenas isso, nada, mas sabem-me bem. Uma pergunta tão simples e tão importante. E que aconchega. Um pouco.

Menos um dia para as férias e o trabalho que hoje fluiu bem.

Mais um dia igual aos outros, portanto.

Falta muito para o fim de semana?

{#315.52.2020}

Mais um dia, menos um dia. Mais um dia de muito trabalho, menos um dia até às férias.

Frio, claro, como se fosse Inverno. E ainda não é.

Sono, por causa de mais uma noite interrompida às 4h30 da manhã. Não sei até quando vou continuar a aguentar estas noites até sentir as consequências.

E o silêncio. Novamente. Ou será antes sempre? Prefiro pequenos nadas a grandes silêncios.

Por hoje chega. Para variar, não há nada a registar. Amanhã será melhor.

{#314.53.2020}

E novidades, há? Nada.

Mais uma noite mal dormida, mais um dia de trabalho muito para lá da hora de saída, mais um dia igual aos outros.

Continuo a dizer: amanhã será melhor.

Posso continuar a acreditar?

{#313.54.2020}

Dia de ir um bocadinho mais longe, enquanto posso. Ir ver o mar, o pôr do Sol. Que já não via há tanto tempo.

Viver um dia de cada vez, um dia atrás do outro atrás do um. Sempre sem nada a acontecer, sem nada a assinalar, sem nada a registar. Não. Hoje registo o pôr do Sol na praia. Não sei quando voltarei a vê-lo assim. Para já não vai ser possível tão cedo.

Temos que aprender a viver nestes novos tempos de forma segura. E temos que aceitar que tem que ser assim. Para evitar males maiores. Mas há sempre quem não entenda nem aceite. Porque ainda há muita gente a achar que o que se passa só acontece aos outros.

Domingo estranho, este. Em que nada aconteceu, acontecendo ainda assim.

Amanhã, novamente a rotina. Novamente a pressão do trabalho. Novamente um dia de cada vez.

E, como sempre, amanhã será melhor.

{#312.55.2020}

Dia de ver o tempo passar. E, mais uma vez, nada acontece.

Amanhã vai ser melhor. E o tempo, mais uma vez, vai passar a correr sem trazer nada de novo.

{#311.56.2020}

Mais uma noite mal dormida. E novidades? Novidade será quando conseguir dormir uma noite inteira sem interrupções.

As manhãs de trabalho custam muito a passar com o sono. Especialmente quando passo essas horas sozinha. Eu na sala e a gata no quarto, fechada porque não me deixa trabalhar.

Hoje não há grande reflexão. Não há nada sobre o que reflectir. Porque, mais uma vez, foi um dia igual a todos os outros dias. Faz-me falta haver alguma coisa a acontecer, mas por outro lado ainda bem que nada acontece. Sou pessimista o suficiente para só esperar coisas más. Pessimista? Sim, se calhar é isso mesmo, embora acredite que coisas boas também acontecem. Mas estou demasiado habituada a surpresas menos boas.

Por falar em surpresas, já tenho saudades de receber um postal na caixa de correio. Desde o Verão que não recebo nada. Também não tenho pedido. Mas sinto a falta de abrir a caixa de correio e ter lá alguma coisa que não apenas contas para pagar.

Preciso tanto de uma noite tranquila e sem interrupções… Só assim consigo manter o ânimo para esperar coisas boas. Que não acontecem. Porque, nos tempos que correm, simplesmente nada acontece. Não pode acontecer. O distanciamento imposto não o permite.

Vai ser mais um fim de semana a ver o tempo passar. Sem nada a acontecer.

Vou dormir…estou cansada. Tenho sono. E nada mais vai acontecer por hoje. Amanhã? Amanhã logo se vê.

{#310.57.2020}

Mais um dia, menos um dia. Sozinha, grande parte do tempo. Custa-me estar sozinha, mesmo que esteja a trabalhar.

Mais um dia igual aos outros todos, para variar. Sem grande coisa para reflectir. Sem História e sem histórias.

E um pequeno nada que me aconchegou como aconchega sempre que surge. Uma simples pergunta que me disse tanto mesmo significando nada. Soube bem, pronto.

Por hoje chega. E amanhã é mais um dia que se prevê igual aos outros: sem História e sem histórias.

{#309.58.2020}

Dever de recolhimento domiciliário. E eu saio à rua ao final do dia. O trabalho hoje correu melhor, mas precisei de desligar o chip fora de casa.

Os números assustam. Claro que sim. E faço por não me colocar em risco desnecessário. Mas aqueles breves minutos fora de casa são necessários para manter um pouco a minha sanidade mental. Estar sempre em casa não é fácil e não é bom. E são já muitos meses sempre em casa…

A vontade já não é de sair de casa. Mas imponho-me essa rotina. Mesmo que os dias já estejam mais curtos e cada vez mais frios, pouco apetecíveis para sair.

As noites continuam curtas e mal dormidas. Interrompidas a meio do sono, por breves momentos, é certo, mas interrompidas ainda assim.

O lado positivo? Falta menos um dia para chegar a 15 dias de férias.

E as saudades…sempre as saudades. Quanto a isso, nada a fazer. É sentir e seguir como sempre, de cabeça erguida, como se nada se passasse.

Tudo normal, portanto. Já nem posso dizer que é só casa trabalho, trabalho casa, porque agora o trabalho é em casa. É só casa, ponto.

E eu estou cansada. Há tanto tempo que digo o mesmo, que estou cansada. E não gosto disso. Mas é o que é.

Amanhã logo vejo se saio ao final do dia. Sendo que a vontade de sair de casa é cada vez menor. Só uma coisa me faria querer sair. Mas não vai acontecer.

Será melhor. Todos os dias digo que amanhã será melhor. E é nisso que tenho que acreditar, para que de facto seja melhor. E vai ser.

{#308.59.2020}

Não tenho medo do trabalho, mas o volume das últimas semanas tem sido assustador. Como hoje em que tive que deixar para amanhã o equivalente a meio dia de trabalho. Amanhã vamos ver como corre.

De resto, já entrei em contagem decrescente para as férias. Que só chegam no final do mês, mas que vão chegar em menos de nada.

E por falar em nada…hoje um pouco mais que ontem. Mas ainda não chegou a ser um pequeno nada. E sinto falta desses pequenos nadas.

Devia deixar ir. Mas não posso. Porque mesmo não sendo nada, faz-me sentir bem. Dá-me algum alento em tempos tão duvidosos. Não me faz bem nenhum, mas ao mesmo tempo faz-me tão bem. É estúpido? É. E é ambíguo e por isso mesmo é estúpido. Mas há coisas que não se controlam. Simplesmente se sentem.

Como isto. E também isto vai melhorar. E, mais uma vez, amanhã vai ser melhor.

{#307.60.2020}

Nada.

Nada de nada.

Nem um pequeno nada.

Simplesmente nada.

E, por isso mesmo, sempre a ideia de que o problema sou eu. Gostava de estar enganada. Mas duvido que o esteja. Porque nada. Silêncio. E só silêncio…

{#306.61.2020}

Fazer diferente. Sair de casa de manhã, como há muito tempo não acontecia. Ir aqui e ali, voltar depois de almoço.

Tarde de ronha, preguiça e mantas.

No fundo, um dia não muito diferente dos outros. Domingo, claro. E só por isso diferente, ainda que todos os dias sejam sempre iguais.

Amanhã, regresso à rotina de trabalho sem sair de casa. Talvez saia ao final do dia para um café, como tem sido habitual. Logo se vê.

De resto, deixo-me ficar. Quieta no meu canto novamente, como vai acontecendo de tempos a tempos. Não posso estar sempre em busca de pequenos nadas, embora estes pequenos nadas me aconcheguem. Não posso porque não é justo para mim. E por isso, de vez em quando, deixo-me ficar quieta. E sossegada. No meu canto.

Mais uma vez, a vontade é de fazer acontecer. Mas não faço nada. Porque não há nada que possa fazer. It is what it is. E está tudo bem. Por isso, não mexo para não estragar.

Amanhã voltará a ser melhor. Por hoje, fecho o dia cansada. Foi longo. Mas não foi completamente mau. Foi apenas diferente.

{#305.62.2020}

Sair um bocadinho todos os dias. Enquanto ainda podemos.

Apanhar os últimos minutos de Sol, num dia que foi cinzento por dentro por causa da dor de cabeça que se instalou ontem à tarde.

Ver o tempo passar mais uma vez. E, novamente, a vontade de fazer acontecer. Mas que, já sabemos, não pode ser.

Estranho ano, este. E o tempo que demora a passar e ao mesmo tempo passa tão rápido.

Um dia volta a ser possível fazer acontecer. Não se sabe quando. Mas um dia. E nessa altura tenho que me recordar desta vontade que vou tendo sem poder fazer nada. Porque corro o risco de me esquecer e habituar demasiado a esta coisa do “não pode ser”.

Amanhã tento agarrar o Sol novamente. Mas mais cedo, para poder aproveitar o momento. Enquanto ainda é possível sair de casa.

{#304.63.2020}

Mais uma noite mal dormida. Mais um dia de trabalho longo, para lá do horário de saída. Mais uma dor de cabeça que se instalou.

Tudo na mesma, portanto. Felizmente é sexta feira, o fim de semana vai ser para melhorar o que os últimos dias estragaram.

E as saudades? Essas ninguém mas tira. Valem-me os pequenos nadas. Quando os há.

Por hoje já chega… Lua quase cheia e véspera de halloween. Que seja uma noite de sono bem dormida. É só o que peço.

{#303.64.2020}

Mais uma noite mal dormida, mais um dia que custou a passar.

Mas sair ao final do dia para um café e ser recebida por uma Lua Cheia linda já fez o dia valer a pena.

Não lhe tenho dado muita atenção, à minha Lua. Não tenho tido muita oportunidade. Por isso mesmo, quando a vejo sinto-me bem.

Hoje recolho-me mais cedo. Adormecer, durante a semana, depois das 2h da manhã não é recomendado. E foi isso que aconteceu e fez com que o dia tenha sido tão difícil de suportar. Preciso das minhas 8 horas de sono para conseguir funcionar. E já me bastam as noites interrompidas a meio, não preciso de noites em que adormeço tarde…

Por hoje já chega. Gosto sempre de reflectir sobre alguma coisa nos meus posts diários, mas hoje nem isso consigo.

Mais um dia, menos um dia. Amanhã será melhor. Novamente.

{#302.65.2020}

Sonhar faz parte do processo de sono. Nem todas noites sonho, ou não me lembro do que sonho. Mas esta noite, algures entre acordar a meio da noite e voltar a adormecer, sonhei. Um sonho repetido que, apesar de não ser um sonho mau, foi mais uma vez um sonho que preferia não ter ou recordar.

Voltei a sonhar que estava grávida. E, desta vez, sonhei também com a presença do pai. Coisa que não aconteceu nas vezes anteriores que tive este sonho. E, ao contrário do que seria de esperar tendo em conta a minha história, foi uma presença positiva e agradável. Porque era uma presença presente, que queria de facto ali estar.

Mas foi novamente um sonho que preferia não ter. Porque ainda custa pensar sobre isso, sendo que falar então é uma questão que não acontece porque não consigo.

Já sei que os sonhos fazem parte do processo de sono. E é algo que não se pode controlar. Mas preferia não me lembrar. Porque nos sonhos também sentimos, e foi, novamente, medo o que senti. Apesar de ter uma presença positiva ao meu lado, foi medo o que sobressaiu.

Mas lembro-me, também, do olhar dele. O pai. Um olhar feliz, sem lágrimas. E as mãos, o toque na minha barriga já grande, e a certeza que houve nesse toque. A certeza de que o lugar dele era ali, ao meu lado, ao nosso lado, meu e do meu filho.

Esta noite voltei a sonhar que estava grávida. Sei que não vai passar disso mesmo, um sonho que nunca será real. Mas tudo o que senti foi real: medo. Como quando realmente engravidei. Nessa altura, foi medo que senti. E, talvez por isso mesmo, talvez por só conhecer esse sentimento relacionado com a gravidez, transferi-o para o meu sonho. Mesmo que a presença do pai me dissesse para não ter medo porque “está tudo bem”.

E essa frase, “está tudo bem”, tem para mim uma importância que não se explica, apenas se sente.

Sei que os sonhos fazem parte do processo de sono. Mas, ainda assim, há sonhos que preferia não ter.

Como este.

{#301.66.2020}

As minhas noites são uma animação. Continuo a não conseguir dormir uma noite inteira. Ao ponto de acordar de manhã como se tivesse passado a noite na borga e tivesse que enfrentar uma ressaca sem tamanho.

Rio-me disso quando partilho a experiência, mas estou cansada de não conseguir descansar.

Já passei por isto há uns meses. Até que deixou de acontecer no Verão, para voltar em Setembro… Estou cansada…

Deito-me sempre cedo. Felizmente já não tenho dificuldade em adormecer, esse tempo já passou. Mas custa-me tanto acordar tantas vezes durante a noite.

Um dia passa novamente. Um dia volto a dormir uma noite inteira. Não sei quando, mas um dia vai passar.

{#300.67.2020}

Da importância de nada mudar: uma vez disse “espero que as coisas não mudem, não têm que mudar”. Passado uns anos, tudo tinha mudado. Ao relembrar o que tinha sido pedido e que não tinha sido cumprido, responderam-me: “mas nada mudou, o Sol continua a nascer e a pôr-se todos os dias”. E naquele momento caiu-me tudo, começando pelo queixo. Porque percebi que essa resposta, apesar de sincera, era tudo menos honesta. Era tudo menos correcta. E, naquele momento específico, era tudo menos humano.

Talvez por isso, passados todos estes anos, ao dizer novamente e por motivos diferentes “espero que as coisas não mudem, não têm que mudar”, disse-o a medo. E do outro lado ouvi uma resposta que me serenou. E, realmente, desta vez as coisas não mudaram. Porque de facto não têm que mudar.

Mantém-se tudo igual. E isso é, para mim, o mais importante. Independentemente do Sol nascer e pôr-se todos os dias, é-me mais importante manter a normalidade das relações depois de um momento de partilha e exposição como o que aconteceu há 8 meses e meio.

Também assim se percebe quem são as pessoas que valem a pena e as que não valem nada.

E assim acolho e abraço a constância que me recorda alguma estabilidade que tanto preciso. É bom poder contar com alguma estabilidade. E é bom ter por perto pessoas que valem a pena.