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#day380

Meus Amores, um dia vocês vão descobrir que o Mundo é um lugar feio. Muito feio e doente.
Onde meninos e meninas da vossa idade e adultos da idade da tia, mais novos ou mais velhos, não têm tanta sorte como vocês, como eu, como nós.

Até esse dia chegar quero fazer tudo para vos ensinar essa coisa do Amor. Para que, quando esse dia chegar, vocês possam ser melhores do que nós, os que já descobrimos há mais tempo. Porque, meus pequeninos, meus enormes, meus imensos, o Mundo que é feio e está doente precisa de algo tão simples como apenas mais um bocadinho de Amor.

Amo-vos muito, meus Dois, meus Tudo.

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#day379

Setembro, não estava preparada para ti. Não me despedi de Agosto nem tampouco o desfrutei como devia.

No regrets. Na verdade, apesar de longo, Agosto foi tranquilo. Muito mais que o anterior. Talvez por isso hoje não te veja, Setembro, como o início de um novo ano como sempre te vi. Vejo-te, sim, como continuidade de um processo de aprendizagem e crescimento e melhoramento.

Não estava preparada para ti, Setembro. Mas, agora que já chegaste, acolho-te e sinto-te e aceito-te.

Continuemos, então.

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#day378

Sair de casa para comprar um castelo. Não daqueles de príncipes e princesas, reis e rainhas. Mas uma peça de uma torneira que se avariou e que de visão romântica de castelos não tem nada.
Pouca vontade de voltar para casa porque o meu espaço está preenchido demais, carregado de mais.

O castelo não serve na torneira. Afinal não é nenhum sapatinho de cristal em Cinderela.

Voltar a sair. Devolver. Querer trocar. Não temos, só este tamanho. Não serve, procuro amanhã noutro lado.

Não ter vontade de sair da loja. Arrastar-me pelos corredores das torneiras. Passar pelos tecidos. Fixar-me nas molduras e quadros. Estas molduras são muito giras, tão simples e com um preço simpático. Crio na minha cabeça um conjunto de molduras numa parede do meu quarto. Sem fotos, porque a ideia é outra. Procuro temas, papéis de fundo. Estes papéis são muito giros, mas não sei… Estes são lindos, mas demasiado grandes e cortá-los é um desperdício.

{o telefone toca. Não, não têm outro tamanho. Já sei onde procurar. Não me demoro, já vou jantar, até já.}

Não me apetece voltar para casa. O meu castelo, que não é de príncipes e princesas, reis e rainhas, o meu espaço que julgava, queria, sagrado foi invadido.

Volto a atenção placas de madeira daquelas tão na moda com frases batidas. Fraquinhos. As mensagens e o design. Mas as molduras. As molduras de cor. Sete cores. Será que têm as sete cores que preciso? Têm mas não são exactamente bonitas. E são do formato tradicional, rectangulares. E o preço não compensa a qualidade.

{não me apetece voltar para casa…}

Os quadros fraquinhos, demasiado vistos, as telas que não dizem nada. Falta-lhes essência, acima de tudo.

Olho para o telemóvel. Notificações sobre o debate da tarde. As mulheres independentes assustam os homens. Sim ou não? Tu assustas por seres quem és, disseram-me uma vez. Fiquei sem perceber se isso era um elogio ou antes pelo contrário. No debate não há grandes desenvolvimentos. A conversa dispersou-se. Respondo quando chegar a casa.

{não quero voltar para casa…}

Pouso os papéis de fundo, volto a olhar para as molduras. Aquela verde menta em forma de casa ficava lá bem. Não. Não vou levar.

Recebo o reembolso do castelo que não {me} serviu.

Não. Decididamente não me apetece voltar para casa. Outra vez. Se dúvidas ainda existissem, hoje desfaziam-se. É um cenário impossível. Já teve o seu lugar no Tempo e no espaço.

Não quero voltar para casa. Mas volto. Porque há dois príncipes no meu castelo à minha espera. E esses dois príncipes são quem me faz respirar fundo e suportar mais um dia e meio que ainda tenho pela frente de invasão e regresso ao passado.

Eles fazem-me bem. Eles fazem-me melhor.

E por ser melhor ausento-me para uma volta ao quarteirão para ver a minha Lua. Que já não está Cheia. Que já não é Super. Mas que é linda. É minha. E está lá sempre. Mesmo quando o meu castelo é invadido.

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#day377

Agosto, tão diferente do último, está no fim e ainda não vi a praia.

Agosto, tão mais sereno que o último, com 5 cinco fins de semana, demorou a passar.

Agosto, com sol, calor e trabalho.

Agosto, sem chuvas nem tempestades.

Agosto sem fugas. Agosto tranquilo.

Posso fazer as malas para Setembro?11986966_10153277910843800_5235111300565016041_n

 

#day376

Hoje: há Lua Cheia e Super Lua. Há, também, uma vontade grande de ir ver a Lua.

Mas há também um cansaço enorme. E dinossauros.

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#day374

De vez em quando lembro-me que existem personagens no meu livro que, por norma, me esqueço.
Porque são personagens que faço por não ter presente nas minhas histórias, ainda que façam parte da minha História.

E, quando essas personagens ressurgem, faço, tento, esforço-me por ignorar. Ainda que por dentro essa presença me revire e revolte. Porque são assim, como são. E por serem como são, assim, mais reforçam a minha certeza da necessidade de distância. Porque há quem nunca mude. Nem aprenda. E nunca saberá o que é a humildade de reconhecer o percurso errado das suas histórias que, directa ou indirectamente, influenciam outras histórias.

Perde-se Tempo, tanto Tempo. Que me é escasso, que me é preciso, que me é precioso. Perde-se Tempo quando é invadido um espaço que é meu. Já não imaculado.

Perde-se Tempo. E eu não tenho Tempo para perder Tempo. Por isso, recupero agora o Tempo perdido e volto a mergulhar no trabalho. Porque só isso importa. Nada mais.

Um dia volto a tirar os olhos do trabalho. Para já vou debitando palavras que só precisam de fazer sentido para mim. Porque é para mim que escrevo. Porque sou eu quem as lê. E relê. E entende.

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#day373

Passar o Tejo de barco é uma espécie de fuga. Fuga ao trânsito, aos caos, à confusão. Ao pensamento.

{(…)”Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…“}

Mergulhar em exclusivo no trabalho é, também, um mergulho de fuga. Um escape. Que não me permite, que eu não permito, usar o Tempo que não tenho Tempo para perder Tempo a pensar demais. Existe isso, pensar demais?

{“O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…“}

Porque, seja para onde for que olhe, vejo sempre o mesmo. Sinto sempre o mesmo.

{“Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,“}

Sempre o mesmo não. Sinto em crescendo. E penso no que sinto. E tento não sentir. Tento não pensar. Tento, acima de tudo, não descodificar, não traduzir o que não é para ser traduzido.

{“Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…“}

E fujo ao que penso. Quero fugir ao que penso. Preciso fugir ao que penso. E ao que sinto.

{“Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar…”}

E percebo que é impossível fugir ao que penso e ao que sinto. Porque a inocência ficou lá atrás com todas as respostas que o Tempo me foi dando. E com as respostas que eu fui dando ao Tempo, verdadeiras ou não.

É impossível fugir. Mas não é impossível tentar. A fuga, pelo menos.

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#day372

Ainda preto no branco, branco no preto.
Porque as coisas são como são, não como gostaríamos que fossem.

Clichés atrás de clichés, é certo. But then again, life is one big cliché.

Zangada comigo. Por ser como sou. Por ser quem sou. Por sentir como sinto. E se sinto!
Resta-me aceitar o que sinto e os clichés acima e seguir em frente. Sem stress porque não vale a pena stressar. Sem reprimir o que trago cá dentro (e é tanto e é bom e é bonito), mas guardando para mim.

Porque tantas vezes é melhor guardar e aceitar e fazer de conta. Porque tantas vezes é melhor assim. E esperar que passe. Porque já não tenho 2 anos sem filtros e carregada de inocência. Porque, aos 38, é preciso saber medir as palavras. Mesmo (ou especialmente…) as bonitas.

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#day371

Numa espécie de entrançamento. Ou entrelaçada em alguma coisa que não consigo desfazer. Ou não sei. Ou não quero.

Um dia. Um dia deixo de fazer de conta que não e assumo que, afinal, sim.

Não. Hoje não.

De resto? Sobrinhos, mini-mano, poucas horas dormidas, muito trabalho. O que importa, portanto.

O resto fica para outra altura.

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#day370

Se estou contente com o meu trabalho?
Muito. E, agora, é só isso que me move. O resto? Quando for Tempo do resto.

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#day369

3 palmos acima do chão.
Um andar que é flutuar.
A vertigem.
As borboletas na barriga.

Não quero {mais}.

Pés assentes no chão. Descalça. Ligada.

Não quero a vertigem, quero a ligação.
Não quero as borboletas, quero a serenidade. A estabilidade.

Preto no branco. Branco no preto. Só assim. Sem mais.

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#day368

Gosto de cor. Mas também gosto do preto e branco. Em modo preto no branco, branco no preto.

Gosto das variantes do cinzento, também.

Mas hoje, por hoje, fico-me pelo preto no branco, branco no preto. Porque as coisas são como são. Não adianta procurar variantes de cinzento onde não existem. E as cores, essas, não é ali que as vou encontrar.

…ou então estou só cansada. Muito. Tanto. Cansaço no corpo moído e dorido. Cansaço na mente que procura ver o que na verdade não está lá para ser visto.

Mas é mesmo assim. Eu sou mesmo assim. Gosto de pessoas. Gosto de gostar de pessoas. E gosto de cores. E gosto de ti, onde vejo cores que, afinal, são preto no branco, branco no preto.

…se calhar devia ir dormir…

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#day367

Adormecer muito para lá das 2 da manhã.

Despertador a tocar desde as 4 e ouvi-lo só às 4h45m.

Sair de casa às 5h40m.

Estacionar em Cacilhas às 6h05m.

Barco às 6h37m, sair do táxi em Santa Apolónia às 6h58m.

O nascer do Sol.

Desembarque das 7h às 10h: 740 pessoas.

Briefing e subida a bordo às 11h.

Almoço com vista para Alfama às 11h30m.

Embarque a iniciar às 12h.

Passaportes: 1024.

Etiquetas.

Scan.

Ordenação numérica.

Regressar à Terra de Ninguém às 19h05m.

Cacilheiro às 20h.

O pôr do Sol.

Atracar em Casa às 21h15m.

Cama agora. Sono zero.

São números. Apenas isso. Mas eu gosto quando as coisas são assim tão simples como números.

Just smile and look pretty. Thank you. Bye bye.

Fosse tudo assim. Simples.
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#day366

Há sempre quem nunca me falte: Ela. Mesmo quando anda, como eu, em horários trocados. Ou em fim/início de ciclo.

Está lá sempre. Ela. Minha. Para mim. Por mim.

{eu: em manutenção. Volto um dia destes. Ou não. Logo se vê. Ou também não.}

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#day365

Há um ano: um murro na mesa e um “reage, porra!”. E eu reagi.
Sei que te disse “obrigada” por esse murro na mesa algum tempo depois. Nunca te disse, no entanto, que {te} sou muito grata por ele. E também por me dares a conhecer os #100happydays que são já 365 e que continuo a contar.

E esse “reage, porra!” ressoa na minha cabeça todos os dias. Especialmente naqueles em que o cinzento teima em querer sobrepôr-se ao cor de rosa ou qualquer outra cor.

E, desde há um ano, há abraços que recebi e palavras que ouvi e mãos que agarrei e sorrisos que acolhi e perguntas que respondi mas que, provavelmente, nunca soube agradecer, a tanta gente, à altura do tamanho destes gestos. Enormes para mim. E que me ajudaram na contagem dos dias.

Mais um ciclo que se encerra. Terminaram as datas de memória de calendário neste {primeiro} ciclo.

Se vou continuar a contar os dias? Não sei. Se faz sentido? Não sei.

Sei, isso sim, que é difícil mas é possível sobreviver às vozes que nos sussurram ao ouvido. À dor física que queima a pele quando a dor emocional se torna impossível de suportar. Ao vazio que nos preenche.

Sim, é possível tudo isso. Muito graças a essas perguntas e esses sorrisos e essas mãos e esses abraços e esses murros na mesa. E especialmente a esse “reage, porra!”.

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#day364

Sempre fui mais de letras do que rabiscos. Embora tenha rabiscado muito por aí, é nas letras, com as letras, que me encontro. Que me escondo e me revelo. Que entrego e me refreio.

Contam-se, hoje, 364 dias de um “desafio” programado para 100. E percebo que, sim, ainda {me} é preciso contar os dias. Por muito que repita de mim para mim que estou bem, os olhos ainda se humedecem demasiado facilmente.

{“podia não estar cá”}

Desenhar, pintar, colorir, rabiscar. Acalma-me. Atenua-me a neura. Faz-me desligar. Mas as letras, as frases, os textos, é com eles que páro todos os dias para pensar. Reflectir. Respirar. Digerir. E perceber.

{“podia não estar cá”}

Perceber onde ainda me dói. Perceber que me dói, já, uma dor diferente. Que é dor ainda assim.

{“podia não estar cá”}

Perceber, olhando para trás, que já percorri um longo caminho. E é também por isso, para me recordar do caminho, que de vez em quando me releio. Palavras cruas, algumas. Doridas, muitas. Serenas, já tantas. Mas curadas, nenhuma.

{“podia não estar cá”}

Faltam-me, ainda, tantas palavras, tantas letras. Que resumem Tempo. Aquele Tempo que eu não tenho Tempo para perder Tempo.

Leio-me. Releio-me. Não me arrependo de nenhuma das palavras que soltei no éter. Que solto e vou continuar a soltar.

{“podia não estar cá”}

Escrevo, continuo a escrever, de mim para mim. Mas escrevo, acima de tudo, para me exorcizar de mim mesma. E releio-me para me recordar de onde já estive e onde não quero, não vou, voltar.

{“podia não estar cá”}

Um dia de cada vez. Mesmo que sejam, já, 364 quando eram para ser 100 e que eu sempre achei que nunca chegaria, sequer, aos 10.

{“podia não estar cá”}

{mas estou}

………e com vontade de ouvir “ainda bem” mesmo sabendo que não vou ouvir………

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#day363

Funny how life works.

Nunca gostei da frase “ninguém é insubstituível”. Cruzei-me muitas vezes com ela em ambiente de trabalho, essencialmente, mas fora dele também.
Nunca a vi como verdadeira. Não me fazia sentido. Nunca me soou bem.
Porque, mesmo em ambiente de trabalho, cada pessoa é única. Como tal, não pode nunca ser substituída.

O Alexandre que {nos} chegou hoje nunca irá substituir o Alexandre que {nos} levaram naquela madrugada de Novembro. Mas traz, sem dúvida, um outro alento. A todos.

Não há substituições. Mas há um renovar de energias, um renovar de esperanças. Um renovar de coisas boas.

E um relembrar que, mesmo depois de tanto que foi tão mau, é possível haver tanto do que é tão bom.

Se naquele dia, naqueles meses, me doeu perder um Alexandre, hoje vibro e aplaudo e agradeço a chegada de um novo Alexandre.

Afinal, aquele portão vai voltar a abrir-se. E eu estou tão feliz por isso. Por todos.

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#day362

Há dias menos bons. Dias quase maus. Há dias como o de hoje. Em que não me reconheço em comparação com os últimos meses.

É normal, dizem, haver dias melhores e outros não tão bons. É normal, dizem-me.

Mas, para mim, esta normalidade, ou será esta normalização?, para mim este estado é apenas a desestabilização de um percurso que é já longo. E hoje, hoje sou eu quem diz “só quero estabilidade”. Sei tão bem como voltar a estabilizar. Sei que basta cortar, de vez, com o que me faz mal. Sei que basta voltar a guardar o livro na prateleira onde, pensava eu, já o tinha depositado de vez. Mas um livro com dois autores só fica definitivamente fechado quando ambos assim o decidem. E por muito que eu já tenha escrito o meu último parágrafo, colocado o último ponto final, a outra parte insiste em não colocar o seu ponto final por muito que diga que sim e aja quase como tal. Mas toda a ausência da realidade só podia resultar nisto: entregar-me a pena para continuar a escrever ao sabor etílico de outrem.

Não quero nada disto. Quero apenas fechar este livro. Que foi o que foi. Não o que eu cheguei a julgar que era. Ou o que tu juravas que era. Não. Nunca foi. Foi, isso sim, mais uma fuga à realidade. De ambos os lados, admito a minha culpa. Eu, por carência. No meio de um turbilhão emocional. Deixei-me levar por palavras, muito mais do que por gestos, porque esses sempre foram, os teus, manipuladores e umbiguistas, movidos a um combustível cuja realidade já tinha ouvido falar mas que desconhecia na primeira pessoa. Que eras tu. Que és tu.

Quero, de uma vez, fechar esse livro e arrumá-lo na prateleira daqueles que não vou voltar a abrir. E já falta tão pouco…basta que o permitas. Mas a realidade, aquela que é, de facto, real, não é o teu forte e sei que vais continuar a deturpá-la e atirar para mim a continuação de capítulos que não fazem sentido. Deixa-me ir, por favor…

Deixa-me continuar com os outros livros que mantenho em aberto. Deixa-me continuar a escrever a minha história sem interrupções de realidades alternativas, ébrias, que nunca fiz questão de conhecer, muito menos acompanhar, menos ainda alimentar.

Existem outros livros por fechar. Um que mantenho em aberto e que, provavelmente, acabará por se fechar sozinho. Porque há histórias que se terminam assim, sozinhas. Sem darmos conta de quem colocou o último ponto final ou escreveu o último parágrafo. Mas, nessas histórias, não é importante saber quem escreveu o quê. Porque são histórias contadas, e vividas, na realidade dos dias sem deturpação.

Existe, também, um outro livro. Que é o meu. Que faço questão de continuar a escrever todos os dias. Onde vou recolhendo, apontando, partilhando, excertos de todos os outros livros que vou lendo, escrevendo, vivendo. Esse livro, o meu, tão cheio de capítulos. Abertos. Fechados. Em branco, ainda. E, ainda, um processo em curso. Um processo unicamente meu ainda em curso.

E dou por mim prestes a rebentar de novo. Porque tenho saudades tuas, mas tuas não tenho nenhumas e tuas terei sempre.

E dou por mim com o caminho livre para seguir em frente. Desde que não continues estacionado à porta.

Por favor, deixa-me ir.
Por favor, chama-me para ti.
Por favor, não te esqueças de mim como eu nunca me vou esquecer de ti.

3 capítulos tão distintos. 3 livros tão diferentes. E apenas um, aquele da realidade irreal, mantém-se estacionado à minha porta. Ainda que diga que não. Ainda que eu insista em querer arrumá-lo. De vez.

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#day361

Há um ano queria {ser} uma estrela do mar.
Há um ano deixava, aos poucos, de falar.
Afinal, as estrelas do mar não falam.

Há um ano era o vazio. Físico. A ausência. As ausências. Porque me faltava tanto mais do que o vazio que trazia comigo.

Também por isso as palavras se ausentaram.

Hoje. Hoje tenho vontade de falar. Falar o que ficou por falar deste dia de há um ano. Mas, também hoje, não falo. Não pela ausência das palavras. Simplesmente porque não. Porque já passou tanto tempo. Porque, se calhar, não faz sentido. Ou faz. Já não faz. Faria. Para mim faria. Mas não. Não falo. Não falarei. A menos…

A menos que nada. Um ano depois, o mesmo que há um ano. Nada. Vazio. Ausência.

Hoje. Lua Nova. Um silêncio gritante. Um primo quase a chegar. O fecho de um ciclo. O início de um novo. Out with the old. In with the new.

…e uma cabeça que não pára, não desliga. Não abranda, não sossega. Fora de foco, novamente. Focada no último ano que já é mais do que 365 dias. O que de bom aconteceu, mas sobretudo o menos bom. E, também, aquilo que inicialmente pareceu ser bom mas que se tornou numa espécie de dor de cabeça que podia ter sido um pesadelo por causa de abusos que não são meus. Dor de cabeça da qual quero, mais do que nunca, desligar-me de vez. Porque “o problema não és tu, sou eu” só que ao contrário. Porque o problema não sou, definitivamente, eu. És mesmo tu. E esse uso e abuso doentio da ausência da realidade.

Lua Nova. Repito. Para mim.

E sim, quero.
E não, não quero mais.

E quero falar. E não quero chorar. E quero soltar-me. E quero entregar-me. E quero libertar-me. E quero. Sim, quero. Um dia de cada vez. Um passo atrás do outro atrás do um. Devagar. Porque, digo-me tantas vezes, não tenho pressa. Nem tenho Tempo para perder Tempo.

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