Category Archives: {#2020.Junho}

{#162.205.2020}

Mais uma volta da Terra sobre si própria. Mais uma volta minha até à beira da praia.

Mais um dia sem História nem histórias.

Mais um dia igual a tantos outros, ainda que sendo feriado a meio da semana.

Amanhã repete.

Até quando é que os meus dias vão continuar a ser sempre iguais?

Às vezes sinto-me como se estivesse em construção. Numa obra sem fim à vista. Mesmo que já não me sinta destruída como há uns anos, sinto que ainda há um longo trabalho pela frente.

Acho que só quando esse trabalho de (re)construção terminar é que vou conseguir fazer algo de diferente com os meus dias. Até lá vou sentindo o que tenho. Nem que seja saudades.

{#161.206.2020}

Terça feira com sabor a sexta, com uma espécie de fim de semana a meio da semana. Para variar, sem nada digno de nota. Mais um dia de trabalho igual a todos os outros.

Preciso de actualizar os meus dias. Voltar a olhar para eles, todos, em busca de um ponto positivo. Por muito pequeno que seja. Já o fiz antes, porque não voltar a fazê-lo? Afinal, há sempre algo de positivo todos os dias. É só saber olhar. E ver.

Como ontem. Quando já dava o dia por terminado, um pequeno gesto fez a diferença. Um pequeno nada, mais um!, mas que me soube tão bem. Pelo gesto, pela forma e pela mensagem. Aconchegou-me. E estava a precisar disso. Volto a agarrar pequenos nadas, que são só o que há. Por muito nada que seja, é algo que agarro por me fazer sentir bem. Especialmente quando estou prestes a desistir e a deixar morrer as borboletas da barriga.

E o que eu preciso de me sentir bem nestes tempos estranhos…

Preciso de actualizar os meus dias. E pouco a pouco vou começar a fazê-lo.

{#160.207.2020}

Em modo “encolhendo os ombros” por mais um dia que passou. Igual a tantos outros. Sem história e sem histórias.

Mais uma segunda feira, mais uma noite mal dormida depois de algumas, poucas, em que o sono não foi interrompido.

Fica difícil fazer história ou ter histórias para contar quando os dias são passados sempre no mesmo sítio e da mesma forma há quase 3 meses.

Mas preciso de fazer história ou ter histórias para que os dias sejam mais fáceis de suportar. Porque serem sempre iguais custa.

Volto a dizer que preciso de ver gente. Ver pessoas. As minhas pessoas. Aqueles que me fazem bem. Que me fazem sorrir. Que me preenchem e me aconchegam. Que me ouvem, que me escutam. Mesmo quando não digo nada. Ou especialmente quando não digo nada.

Quando é que marco um café com alguém? Talvez quando ganhar coragem para enfrentar os transportes públicos…

Há mais de 3 meses que não vou ter a lado nenhum para estar com alguém, para ver alguém. E isso começa a pesar. Porque a última vez que fui, foi bom e não me importava de repetir. Duvido que volte a acontecer, no entanto. Porque o distanciamento leva ao afastamento. E esse último já se faz sentir. E eu não gosto do que faz sentir…

{#159.208.2020}

Domingo é dia de descanso. E a tarde de hoje foi. Custou-me não sair de casa, mas tive que optar. Optei por descansar.

Os domingos podiam ser um bocadinho mais interessantes, tal como os sábados. Mas agora não há muito que me atreva a fazer para os animar.

As pessoas que gostava de ver vão ter que continuar lá longe. Não tenho coragem de me meter em transportes públicos para ir seja onde for. Fazer seja o que for. Ver seja quem for.

E tudo isso me custa. Muito.

Vou vendo o Tempo passar da minha janela. Lembrando-me que o céu carregado também acaba por limpar e volta a mostrar-se azul.

Nada dura para sempre. Nem este cenário que veio mudar tudo. Até o gut feeling que me acompanhou pouco tempo antes de tudo isto mudar. Também esse gut feeling mudou. E não foi para melhor.

Mas quero acreditar que um dia, não sei quando, tudo vai melhorar.

Porque vai…

{#157.210.2020}

Correio em tempo de pandemia. Sabe-me bem recebê-lo em qualquer altura, mas especialmente agora. É uma forma inofensiva de quebrar o distanciamento social imposto por algo que não se vê, mas que se move e multiplica a uma velocidade assustadora.

Já disse aqui que tenho saudades das minhas pessoas, de as ter mais perto sem medos, sem receios? Já, claro que sim. Mas tenho mesmo. E o correio em tempo de pandemia é uma forma de ter todos por perto.

Está na hora de ser eu a enviar a quem quiser receber. E acreditar que o serviço dos correios vai melhorar.

{#156.211.2020}

Estou cansada de distanciamentos. Preciso das minhas pessoas mais perto.

Na verdade, acho apenas que estou cansada de tudo. Faz-me falta tanta coisa que se foi perdendo nos últimos meses. Especialmente pessoas.

Eu sei que, por norma, sou eu que me afasto. Das pessoas, das situações. Isolo-me. Mas entendo-me com o meu isolamento, o meu distanciamento. O outro, o dos novos tempos, ainda não consegui encaixar. Sei que é necessário. Mas não sei até quando vai ser preciso. E é isso que me deixa com esta permanente sensação de cansaço. A incerteza. A dúvida.

Tenho saudades das minhas pessoas, de as ter por perto. Estou cansada do distanciamento.

É por segurança, dizem-nos. E eu sei que sim. Que é. Mas estou cansada…

{#155.212.2020}

Final de dia em flocos de algodão, num dia que teve tudo para correr mal.

E ainda a digerir a mudança de planos a meio da viagem.

E ainda, ou novamente, a saudade de quem não sabe. Ou sabe. Mas não sabe da saudade.

Amanhã vai ser melhor.

{#153.214.2020}

Mudam as regras novamente. Passo de emigrante sem sair de casa a retornada sem nunca ter saído de cá. Foi uma experiência interessante, trabalhar noutro fuso horário, num projecto que me era completamente estranho, numa área que não era a minha. Foi bom, apesar de tudo, e gostei muito. Agora é regressar ao que não gosto e não me preenche, mas é ali que mal ou bem acabo por pertencer.

Como sempre, as regras mudam a meio. Faz parte do jogo.

Amanhã? É um novo dia.