Category Archives: {#2020.Maio}

{#132.235.2020}

Estou cansada do isolamento imposto, do confinamento, da quarentena, do que lhe quiserem chamar. Tenho saudades da vida normal, mesmo que não fosse assim tão diferente do que é agora.

Estou cansada de não ter uma noite de sono inteira, sem acordar porque sim.

Estou cansada disto tudo. Mas ainda agora começou…

Tenho saudades de participar em algo colectivo, mas um colectivo com proximidade social. Não este colectivo de confinamento e distância social.

Estou cansada. E um dia quebro. Não hoje, não agora. Mas um dia irei quebrar.

Até quando irei aguentar a distância…? E o que é que a distância ainda vai trazer? Mais afastamento? Mais “nadas”?

Estou cansada.

Muito cansada.

{#131.236.2020}

Chegaram os pesadelos.

Mais uma noite mal dormida, mais um dia estranho. Mas que deu, pelo menos, para descansar.

{#130.237.2020}

Acordar em fuso horário de trabalho a um sábado, 3 horas antes do despertador. Ninguém merece.

Lá fora, chuva e vento. Num momento o Sol a tentar espreitar.

Voltar para a cama 5 horas depois de acordar, conseguir dormir 2 horas.

Sair de casa, agora com Sol, para uma volta no bairro e uma ida à mercearia.

Voltar para casa para não fazer nada.

Um dia perdido, sem fazer nada de jeito. Eu detesto perder dias. É o mesmo que perder tempo. E eu não tenho tempo para perder Tempo.

Amanhã será melhor. Espera-se uma noite melhor. Ou, pelo menos, deseja-se uma noite melhor.

Já as tive piores. Em que não dormia, ou dormia demasiado tarde. Agora durmo cedo e acordo várias vezes.

O não dormir uma noite inteira é o que mais me tem incomodado nestes novos tempos. O não sair de casa não me faz muita diferença. Faltam-me apenas duas coisas: algumas pessoas e uma noite inteira de sono sem acordar.

Amanhã será melhor. Irei fazer com que o dia não seja perdido completamente. Ou, pelo menos, irei tentar.

De resto, foi só mais um dia. De tempo perdido. E eu não tenho tempo para perder Tempo.

{#129.238.2020}

Sexta feira. O dia que tardava em chegar. O dia em que, noutros tempos, me deitava mais tarde. Mas agora a acordar mais cedo não há corpo que aguente o ficar acordado até mais tarde.E o que fica do dia de hoje? Nada, mais uma vez. Digno de registo, pelo menos, porque houve direito a alguma risota entre duas pessoas que sabem brincar. E isso é tão importante, especialmente nos dias que correm. É preciso brincar e rir para esquecer por momentos que o Mundo inteiro está seriamente doente. E que pouco ou nada voltará a ser como antes.Continuemos a brincar e a rir. É isso que faz os dias valerem a pena.

{#128.239.2020}

Sem nada a registar, apenas mais um pequeno nada que de tão pequeno não passa disso mesmo: nada.

O distanciamento vai levar ao afastamento, cada vez tenho menos dúvidas disso. Porque o normal não vai voltar e nada vai voltar a ser como antes. Não vão voltar os cafés nem as esplanadas nem os jantares. Nem vão voltar tão cedo as actividades que já foram minhas e que recuperei de certo modo nos últimos anos.

O distanciamento vai trazer o afastamento. Como já está a fazer. E isso vai custar-me mais do que algumas pessoas possam imaginar.

Vai correr tudo bem? Não, não vai. Vai correr como tiver que correr. Mas pouco ou nada voltará a ser como antes.

Pedi tanto para que ninguém soltasse a mão de ninguém. E houve quem não tivesse ouvido.

{#127.240.2020}

Mais um dia. Menos um dia.

Igual aos últimos. Sem me dedicar a nada de especial para lá do trabalho.

Os dias já eram todos iguais, agora são ainda mais iguais por muito diferentes que sejam.

Dizem que é o novo normal. E eu, que não sou normal, não gosto do normal. Fora da norma, sempre. Mas não era preciso ser tão fora.Um dia talvez isto melhore, porque passar nunca vai passar. Agora é aprender a viver com a nova realidade, que ainda me custa a acreditar que seja realmente real. Ainda não me habituei. Não sei se algum dia me irei habituar.

Agora é viver o momento. Voltar ao mantra de há uns anos: o aqui e agora. Amanhã? Logo se vê. E quem sabe sequer se lá chego.

{#125.242.2020}

125 dias deste ano estranho que veio com vírus e que não podemos devolver.

Cerca de 50 dias (ou mais, não sei, não os conto) em casa.

Estou cansada disto. Mas não quero voltar ao mundo lá fora enquanto não for seguro.

Estou aborrecida. Estou cansada. Estou, em alguns dias, mais desanimada. Estou, também, meio perdida. O meu caminho, aquele que há quase dois meses ainda traçava, está meio sem rumo. Porque me faltam os outros. Mesmo que a interacção no trabalho, por exemplo, fosse pouca, faltam-me os outros.

E mesmo online me estão a faltar algumas pessoas, embora o online também me esteja a trazer pessoas novas.

Estou cansada, é isso. E aborrecida, é só.

Tenho que procurar contrariar isto. Tenho que voltar ao meu caminho sem a interacção com pessoas presentes. A distância também pode ser já aqui ao lado, tão perto.

Voltarei ao meu caminho. Mesmo que por momentos me sinta longe dele. Encaro como uma pausa.125 dias deste ano que veio com vírus. Mais de 50 dias em casa.

Estou cansada.

{#124.243.2020}

Um dia de Verão antecipado lá fora. A praia aqui tão perto. A precaução antes de tudo, fiquei em casa como nas últimas semanas.

O risco é demasiado. Prefiro jogar pelo seguro. Porque não sou a única pessoa cá em casa. E não posso, nem quero, colocar ninguém em risco.

E continuam a surgir surpresas nos contactos, na interacção com o outro. O que me leva a crer que há muita gente aborrecida nesta situação de quarentena e confinamento.

Que seja. Logo se vê o que isto traz com o tempo. Pouco ou nada, aposto. Mas ajudou a passar mais um dia aborrecido.

{#123.244.2020}

Se ontem foi dia de preguiça, hoje foi dia de moleza.

Mais uma noite mal dormida e interrompida e acordar 2 horas antes do despertador. O novo normal, portanto.

Um dia que se considera perdido por não ter feito nada, mas ganho por ter podido descansar.

Mais um dia neste novo cenário. Menos um dia neste novo cenário. E estou tão cansada deste cenário, embora saiba que tão cedo não mudará.

Mas todos os dias faço um esforço para me motivar e animar e sentir aconchegada. Nem sempre é fácil, mas faz-se. Só pode ser assim. Com um grande trabalho interior e uma força que se vai buscar ao apoio dos outros.

E o céu azul lá fora, à espera de dias melhores, à espera de podermos sair sem risco. Sabe-se lá quando…

{#122.245.2020}

Dia de preguiça. Porque também mereço e também preciso.

Repôr os níveis de sono quando as noites são interrompidas. Como foi mais uma vez.

Um dia hoje melhor que o de ontem melhor que o anterior.

Tudo o resto é só isso mesmo: o resto.

Amanhã será melhor.