Category Archives: {#2020.Setembro}

{#263.104.2020}

Escuteiros novamente nos meus sonhos. E, novamente, o regresso. O meu regresso aos escuteiros. Nos últimos anos tem sido um sonho recorrente. Mais ou menos pacífico, mas recorrente.

Não o estranho completamente. Mas também não o entendo a 100%. Ou entendo… Mas faço por não lhe dar demasiada importância.

Já me perguntaram porque não volto. Já me disseram, também, que teria uma porta aberta e apoio para tal, se assim decidisse. Mas não me vejo a regressar. Por isso os sonhos ficam por isso mesmo, são apenas sonhos que me visitam algumas noites.

Toda a experiência que tive nos escuteiros deixou marcas. Muitas positivas, claro, mas também houve das outras. E essas também se fazem presentes ainda hoje.

Enfim. São sonhos. Têm a importância que têm quando me visitam durante a noite. O mais estranho nos meus sonhos é que habitualmente já lá estou, o regresso já se deu. Mas esta noite foi diferente… Esta noite foi a decisão de voltar. E foi estranho. Porque senti todas as dúvidas que sinto quando penso nisso quando não estou a sonhar. Mas decidi regressar. Porque, no meu sonho, encontrava um papel que me preenchia.

Não passou de um sonho, é verdade. Mas esteve presente o dia todo na minha cabeça, mais uma vez.

Não me parece que regresse. Nem é tempo para isso, agora. Mas deixa-me sempre a pensar “e se…?”…

{#262.105.2020}

Não dormir uma noite inteira. Outra vez. Acordar porque sim a meio da noite, voltar a acordar quase de manhã por causa da trovoada. Mas acima de tudo não dormir uma noite inteira. Outra vez. E sem encontrar, agora, razão para isso.

Há 6 meses aconteceu o mesmo. Mas nessa altura, no início deste tempo novo, foi normal que tivesse acontecido. Havia muita ansiedade à mistura. Era normal não dormir a noite toda.

Mas esses dois meses de noites mal dormidas acabaram por passar. O que não esperava era passar por isso novamente tão cedo.

Não tenho dificuldade em adormecer a horas normais de quem vai trabalhar no dia seguinte. Esse tempo de não conseguir dormir já lá vai. Mas não entendo porque é que agora acordo. Quase sempre à mesma hora: 4h30m da manhã. Ou, tantas vezes, à 1h30m. E novamente às 4h30 na mesma noite. E depois às 6h…

Não me lembro quando foi a última vez que dormi uma noite inteira sem interrupções… E não sei o que fazer para dormir a noite toda.

São desequilíbrios, dizem. São. Concordo. Mas não vejo razões para tal. Lembro-me muito bem ainda das noites passadas em branco. Tantas delas acompanhadas de lágrimas e pensamentos negros. Mas hoje em dia não há lágrimas nem pensamentos nesses tons. Não entendo.

Um dia volto a dormir uma noite inteira. Não sei quando. Mas vai acontecer. Até lá vou-me habituando a isto. Que nem é sobressalto porque não é assim que acordo. Simplesmente acordo…

Um dia melhora. Uma noite inteira, é só o que preciso. Para voltar a sentir-me melhor. Porque noites interrompidas não me fazem bem nenhum.

{#261.106.2020}

Chuva de manhã lá fora. E há muito tempo que não chove cá dentro. E também por isso sou grata.

O caminho tem sido longo e penoso, embora mais leve nos últimos tempos. Mas tem sido um caminho seguro e de crescimento óbvio.

Se está tudo bem? Não. Há coisas que podiam estar melhor. Mas olho para trás – e olho tantas vezes – e vejo o quanto estou melhor. Mas há mesmo coisas que gostava de ver resolvidas de outra forma.

Mas de manhã choveu e à tarde fez Sol. Para me lembrar, também, que se já choveu cá dentro não falta muito para fazer Sol.

Melhores dias virão, mesmo que os dias que correm sejam já muito melhores do que já foram.

{#260.107.2020}

6 meses a trabalhar em casa. Se no início parecia difícil, hoje o difícil é pensar em voltar ao escritório. Felizmente não tenho que pensar nisso tão cedo.

Uma pessoa habitua-se facilmente à mudança, mesmo que no início pareça algo muito difícil. Estranhei, durante algum tempo, a falta de interacção com colegas e as rotinas diárias, especialmente de manhã. Mas, lá está, uma pessoa habitua-se. Facilmente. Criei novas rotinas. E a interacção, ou falta dela, já não me faz tanta falta.

Não sei se não serão mesmo mais 6 meses por casa. Até ver sim. Já não me assustam como assustaram as primeiras semanas. Prefiro manter a nova rotina por casa do que me expôr a um risco que é real e indesejado.

6 meses. Em casa. E se por um lado foram meses intermináveis, por outro foi tempo que passou a correr.

Venham daí os próximos 6 meses. Estou preparada para eles.

{#259.108.2020}

Olho para trás e agradeço aquela 6a feira à noite em que ganhei coragem e me expus. Deitei cá para fora o que guardava cá dentro e revelei um pouco de mim. Disse o que tinha a dizer a quem tinha de o fazer.

Depois disso, nada mudou. Tal como pedi na altura. Não havia razões para mudar, embora experiências anteriores me tivessem mostrado o contrário. Mas desta vez nada mudou.

Guardo comigo o que foi falado depois. Que, apesar de tudo, me soube bem porque foi sincero e, acima de tudo, honesto.

Hoje, olho para trás e tento imaginar como teriam sido estes longos meses se não tivesse ganho coragem naquela noite. Teriam sido de uma angústia atroz.

Olho para trás e agradeço. Não foi fácil, nunca é fácil a exposição do que trazemos cá dentro. Mas foi no momento certo. E foi como tinha que ser.

O gut feeling que me assaltou na altura adormeceu. Não é tempo de pensar nesse gut feeling agora. É, sim, tempo de agradecer pelo que veio: o nada ter mudado. Para o bem e para o mal, nada mudou. E sou grata por isso.

Agora, é dar tempo ao Tempo para fazer o que o Tempo sabe fazer melhor. E seguir em frente. De cabeça erguida. Sempre. Porque felizmente nada mudou. Nem tinha que mudar.

{#258.109.2020}

Disto de ser totó: não saber se fico quieta ou se digo alguma coisa, sabendo que, se disser, não será nada de jeito. Nem de novo.

Se calhar fico quieta… Pode ser que com o tempo isto passe. Já que a distância não está a ajudar, talvez o tempo ajude.

Hoje não há pequenos nadas a contabilizar. Há já muitos dias que não há. Talvez devesse contabilizar isso também. Porque também tem o seu peso.

Ser totó não é fácil. Mas não sei ser de outra forma.

{#257.110.2020}

Mais um domingo. Sem história, claro. Sabor a domingo, sem nada a registar.

E sempre, sempre, a vontade de fazer diferente. Mas nestes tempos novos fica difícil fazer alguma coisa diferente.

Aproveito para descansar. Fazer o quê quando não se pode arriscar a fazer muito mais?

{#255.112.2020}

O tempo vai passando. E eu vou ficando. Para trás. Sempre para trás. E sem saber muito bem como andar para a frente.

Digo tantas vezes que não tenho tempo para perder Tempo. Mas todos os dias perco mais um bocadinho. E não gosto disso.

Um dia melhora. Tem que melhorar.

{#254.113.2020}

Demasiado cansada. Sem outra explicação que não as noites novamente mal dormidas. Interrompidas a meio sabe-se lá por que motivo.

A precisar de voltar a engrenar o sono, sem saber como fazê-lo. Resta-me acreditar que vai melhorar novamente.

{#253.114.2020}

Não sei se estou preparada para o Outono que está a chegar. E o Inverno que vem logo a seguir. E muito menos estou preparada para um novo cenário de confinamento forçado que, dizem por aí, vai voltar.

Não me custa trabalhar em casa. Custa-me, isso sim, não sair do meu bairro. Obrigo-me todos os dias a sair de casa um bocadinho para desentorpecer as pernas, apanhar ar, beber o meu café. Mas não me chega.

Vai ter que continuar a chegar. Nada vai mudar tão cedo e a tendência é para piorar.

Preciso de encontrar mecanismos para reagir a isto de forma mais positiva.

E, no meio de tudo isto, o medo de voltar a cair num cenário mais negro. Não é difícil acontecer.

{#252.115.2020}

Resiliência. Capacidade de adaptação. Resistência.

E uma saudade doida.

Vai passar. Vai melhorar. Tudo passa um dia. Tudo melhora.

Até lá vou voando em asas de libelinha. Tão frágeis. Mas tão fortes.

Como eu.

{#251.116.2020}

Apetece-me música, um copo de vinho e conversar sem horário para terminar.

Faz-me lembrar outros tempos, mas essa Eu desse tempo já não existe. Talvez também por isso essa vontade que tenho agora não vá passar disso mesmo: apenas uma vontade.

Em vez de procurar o que me apetece, fico quieta no meu canto. Pode ser que passe. E é bom que passe. Os novos tempos não permitem aventuras.

{#250.117.2020}

O silêncio. O silêncio é o que mais me custa. Ao contrário dos pequenos nadas, que mais não são do isso mesmo, nadas, o silêncio é um grande tudo. Diz tudo o que eu não queria ouvir.

But it is what it is. Nada a fazer a não ser erguer o olhar e seguir caminho. Em frente, sempre. Por muito que o silêncio incomode.

{#249.118.2020}

A precisar, muito, de um colo. Por nada? Não. Tenho motivos. Não me apetece falar deles.

Também posso sentir-me um pouco carente de vez em quando.

{#248.119.2020}

Às vezes ainda dou por mim a pensar que há portas que se podem abrir. Mas depois vejo que não. Estão fechadas e sem chaves que as abram.

Não adianta tentar ouvir um gut feeling que já não grita. Que já não se pronuncia. E por muito que as borboletas na barriga ainda existam, já não têm para onde voar.

It is what it is. Não há nada a fazer. É aceitar que a porta não se vai abrir e seguir em frente com o pouco que tenho. Mesmo que esse pouco esteja carregado de pequenos nadas, que são tantos e são tanto.

Segue em frente, miúda. Mas não te permitas ter os olhos no chão novamente. Não vale a pena.

Sorri sempre e olha para cima. Um dia acertas.

{#247.120.2020}

5a feira e o coração apertadinho.

E não me apetece dizer muito mais. Só me apetece o colo certo. Que não tenho. Nem posso ter.

{#246.121.2020}

Bom dia que já é de noite é jogar com as palavras quando a vontade é sempre de dizer bom dia todos os dias mal acordo.

Mas fico quieta no meu canto, por agora. Um dia ainda hei-de dizer bom dia pela manhã, ainda ensonada e com um sorriso no rosto. Mas não à distância.

{#245.122.2020}

Acordar de madrugada, por nada, motivo nenhum, e receber mais uma amostra de pequenos nadas. São coisas tão simples e tão pequeninas que para muita gente não significam nada, mas que para mim têm um peso grande.

Mas não passam disso mesmo, pequenos nadas. Ainda assim roubam-me um sorriso ensonado e ajudam a voltar a adormecer mais aconchegada.

Agora faço por ficar quieta no meu canto novamente. Provavelmente não por muito tempo, porque não sei ser de outra forma. Mas fico quieta com um sorriso. Pequenino, quase imperceptível, mas que está cá.

Porque há coisas pequeninas que me sabem bem. Como estes pequenos nadas que de vez em quando aparecem. E me roubam sorrisos.

E, entretanto, chegou Setembro. Mas, enquanto puder, vou fazer de conta que ainda não chegou. Não estou preparada para ele. E, neste ano que parou a meio de Março, tudo é possível. Como fazer de conta que Setembro não está já cá. Vou prolongar o Verão enquanto puder.